Liderança e motivação: quer ser levado mais a sério?

, por Augusto Campos Carreira, Comunicação

Efetividade.net é a sua fonte de informações originais e atualizadas sobre produtividade pessoal, efetividade, lifehacking, GTD e truques espertos para o seu dia-a-dia. Leia também:

Você já percebeu que, em qualquer grupo, algumas pessoas são naturalmente levadas a sério, e outras não? E isso raramente tem relação com ser ou não sisudo – o indivíduo de gravata com mais cara de brabo e sem graça numa equipe pode não ser levado a sério por ninguém, e o colega que está sempre de bom humor pode ser visto com respeito por todos.

O que há em comum entre as pessoas que são levadas a sério? É difícil fazer uma lista completa, mas no caso das pessoas em posição de liderança (formalizada ou não), eu gosto de uma definição de W. E. B. Griffin: o que elas dizem tem um tom especial, que indica “eu serei levado a sério” – ou “eu serei obedecido”, no caso da liderança aliada a chefia formal. Mas esse tom não é produzido pela voz, e sim pelas atitudes, que aos poucos conquistam o respeito dos que estão ao seu redor.


Chega de desculpas

E o que os outros vêem em nós, por intermédio das nossas atitudes, começa nas nossas escolhas e no modo como nós mesmos nos vemos – em outras palavras, o caminho começa quando nós mesmos começamos a nos levar suficientemente a sério. O artigo “5 Reasons People Don’t Take You Seriously and How to Fix It” apresenta uma série de razões pelas quais as pessoas podem não estar levando você a sério, e convido você a passá-las rapidamente em revista neste meu resumo. Vamos a elas:

  1. Não manter a palavra: isso não significa exatamente a mesma coisa que “ser mentiroso”, neste contexto. Significa anunciar freqüentemente planos e intenções que na prática você acaba não realizando, fazer promessas que não poderá cumprir, ou mesmo que não pretende cumprir. A cada mês você anuncia que vai fazer uma dieta, que vai melhorar as condições de trabalho da equipe, e que no sábado que vem vai levar a família toda para a praia – e nunca cumpre? Então pare de anunciar que vai fazer as coisas que dependem apenas de você, e adote a política de fazê-las primeiro, e anunciar seu sucesso depois.
  2. Não dar continuidade: você começa e não prossegue? Paga a academia e só vai na primeira semana? Começa o curso de inglês e deixa de ir já no segundo mês? Ninguém vai levá-lo a sério assim. Comece a compor planos de metas sucessivas, em degraus, e persiga cada uma das metas com atenção. E comece menos coisas. E… veja novamente o item 1.
  3. Não separar trabalho e vida pessoal: não há problema nenhum em ir para a happy hour com os colegas de trabalho, ser próximo dos clientes, ou ter amizades reais no ambiente de trabalho. Mas – a não ser em casos específicos – colegas de equipe e clientes não deveriam ser todos os seus *melhores* amigos, e deve haver um limite a partir do qual a sua vida pessoal fica reservada em relação ao conjunto geral deles. Todo mundo tem seus desafios, e uma parte deles precisa transparecer; a outra parte deve ficar acessível apenas a quem tem interesse positivo e genuíno nela – não necessariamente seus colegas, clientes ou fornecedores.
  4. Dar mais desculpas do que resultados: releia o item 1, e depois faça mentalmente uma lista das pessoas que você conhece e que têm sempre uma desculpa na ponta da língua para explicar por que não cumpriram aquilo que disseram que fariam, ou por que a culpa não é dela. Dar desculpas é um hábito companheiro da procrastinação, e leva as pessoas a não levarem você a sério. Faça acontecer, ou não se proponha.
  5. Andar com a turma errada: esta tem várias alternativas – se as pessoas com quem você se associa são exatamente as que você deseja se associar, francamente, permaneça com elas e se concentre em outras formas de ser visto com seriedade pelos demais. Mas se você está associado sem razão, e freqüentemente questiona a atitude e as decisões destas pessoas, pare para pensar se quem olha de fora não faz os mesmos questionamentos em relação a você. Mas seja autêntico – nada de abandonar amizades genuínas ou virar a casaca pensando apenas na sua imagem – isso só fará com que ainda mais pessoas deixem de levar você a sério.

Fiz um rápido censo mental das pessoas em posição de liderança com quem convivo no trabalho e na pós-graduação, e que não são levadas a sério pelos seus públicos, e eu marcaria um X para cada uma delas em 4 dos 5 critérios acima.

Faça você também, e em seguida faça também uma auto-análise – talvez você reveja algum conceito! Depois compartilhe conosco nos comentários quais as características mais freqüentes que impedem os seus colegas de levarem a sério os líderes das suas equipes!

- Envie este artigo para o e-mail de um amigo!
 
 

26 Comentários até agora

  1. André Simões comentou:

    em May 20 2008 @

    Augusto,

    Acho que só faltou mais um item: ser “do contra”: Há profissionais que antes mesmo de um colega terminar de explciar sua sugestão, o sujeito já está franzindo a testa, torcendo o nariz, enfim, uma pessoa nem termina de dar sua contribuição e o cara já está mostrando, sem usar palavras, que é contra.

    Não dá para levar esse cara a sério.

  2. augusto comentou:

    em May 20 2008 @

    E 2 dias depois, este profissional aparece com a mesma idéia, dizendo que é dele? ;-) Acho que conheço esse cara do qual estás falando!!

  3. Daniel Docki comentou:

    em May 20 2008 @

    ixiii….eu acho que me enquadro em algumas delas ai…acho que está passando da hora deu eu começar a rever algumas atitudes minhas e pensar mais no meu no do que dos outros :s…pior que acontece naturalmente…

  4. Mr. B. comentou:

    em May 20 2008 @

    O item 1 e o item 4 estão, de fato, totalmente interligados. Eu sou um praticador do número 1, mas estou em fase de mudanças.
    Tanto no trabalho quanto na faculdade abraço as coisas para tentar criar uma imagem boa, esperando que as pessoas pensem “esse cara é bom, aceita desafios”, mas no final das contas não consigo fazer, pois não tive tempo ou competência para tal.
    A única dica que eu posso dar para uma pessoa que sofre com isso também é: faça apenas o que está no seu alcance.
    Senão além de perder moral, em alguns casos, ficará com fama de incompetente.

    Ótimo artigo.
    Abraços!

  5. João Marcus comentou:

    em May 20 2008 @

    Eu considero essa parte terrivelmente incorreta: “você começa e não prossegue? Paga a academia e só vai na primeira semana? Começa o curso de inglês e deixa de ir já no segundo mês? Ninguém vai levá-lo a sério assim.”.

    O que importa se eu só vou à academia na primeira semana? O item número 2 está diretamente relacionado ao item 1. Se é meu interesse e de mais ninguém, eu é que sou responsável pelo que faço ou deixo de fazer.
    Por outro lado, eu admito que já cometi errei muito por não terminar aquilo que comecei quando era minha responsabilidade. Esse, sim, é um grande problema.

    A única coisa que posso dizer, nesse caso, é: não queria fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Sabe aquele projeto que pode te dar uma grana fácil por “só um mês de freela”? Então, cuidado com ele. Não vá atrás de freela como doido. Recuse ofertas quando não se sentir muito seguro.

  6. augusto comentou:

    em May 20 2008 @

    João, o texto certamente não trata sobre responsabilidade ou auto-imagem, e sim sobre a forma como os outros o vêem. Realmente, podem ser coisas opostas, como você bem notou.

  7. Lucas comentou:

    em May 21 2008 @

    Estou constantemente caindo nos pontos n° 1 e 2, não necessariamente para com as outras pessoas, pois nesses casos me esforço bastante, não sei, talvez por causa do compromisso , mas a coisas mudam quando tratam de questões pessoais, ou seja, “do eu para eu mesmo”. Tenho perdido bastante com estas atitudes.

    Augusto, obrigado pelo despertamento.

    Abraços.

    p.s: Este é um daqueles para imprimir e levar no bolso da camisa, rs.

  8. Que tipo de líder é levado a sério? « CØdeZØne! comentou:

    em May 22 2008 @

    [...] Hoje li um post muito legal nesse blog que quero compartilhar com vocês: Liderança e motivação: quer ser levado mais a sério? [...]

  9. Mauricio comentou:

    em May 23 2008 @

    Essa do cara não gostar da idéia antes da gente terminar de falar é terrível mesmo. Mas tem um outro lado, o da pessoa que não consegue expor as suas idéias de forma concisa e após a reexplicação da mesma coisa pela terceira vez a gente acaba tendo sempre que interromper a fala dela. Aí deve-se ter cuidado com o estereótipo.

  10. Dicas de liderança e motivação: como impor mais respeito. comentou:

    em May 28 2008 @

    [...] Para resolver este problema você tem que deixar claro para todos que dentro de uma organização cada um tem sua função. E que da mesma forma que você não pode negligenciar sua função de comandar, seu amigo-subordinado não pode deixar de cumprir sua função de “dançar conforme sua música“. Existem tantas outras dicas relacionadas à “Como eu consigo obter mais respeito dos que me rodeiam, me tornando assim um expert em liderança“. Para acessá-las, clique aqui. [...]

  11. Igor Musardo » Quer ser levado mais a sério comentou:

    em June 6 2008 @

    [...] Liderança e motivação: quer ser levado mais a sério? [...]

  12. Geraldine comentou:

    em September 26 2008 @

    Eu não sei qual a razão, mas quando eu falo parace que as pessoas não houvem no momento, e, mais tarde outra pessoa toma minha proposta como própria. É frustrante quando as pessoas não respondem ao seu desafio no momento, será que não estão preparadas ou você é que não consegue apresentar a idéia com clareza.

    Geraldine

  13. vinicius oliveira comentou:

    em October 4 2008 @

    “Paga a academia e só vai na primeira semana?” É só uma metafora, eu mesmo fui atraido por esse topico pois o titulo me chamou a atenção (tipo livro de auto-ajuda). E sei exatamente o momento que eu comecei a cometer 4 daqueles 5 itens e me analizando agora vejo que ja não sou tão levado a sério.
    Bom ainda esta em tempo de corrigir, Mãos a obra.

  14. João Freire comentou:

    em December 3 2008 @

    Gostei muita das dicas, tento sempre melhorar minha capacidade de liderança e vejo minha universidade um bom cenário pra isso.
    Acho muito importante também ter sempre uma boa convivência com todos, falando com qualquer pessoa, independente de esteriótipos, nível social etc. E claro, sempre impondo respeito por onde passar, cumprindo prazos e horários, não expondo idealizações pessoais e sim realizações.

    Parabéns ao site!

  15. Lord FeniX comentou:

    em January 14 2009 @

    Não tenho o hábito de comentar matérias, salvo em casos polêmicos que vejo que “a coisa” está descambando para o lado errado. Mas, caí neste site por acaso, procurava uma tabela sobre processadores Athlon e o Google, só DEUS sabe porque, incluiu-o nos resultados :)

    Mas, me senti obrigado a parabenizar a equipe. Li uma matéria e de uma fui a outra e a outra e nessa brincadeira já estou aqui a umas duas horas e pretendo voltar depois para continuar lendo :)
    Excelente trabalho. Muito bem focado, textos bem escritos, claros, objetivos, matérias bem seqüenciadas, boa diagramação do site entre inúmeras outras qualidades que percebi. Já foi pra minha lista de favoritos :)

    Nota 10! \o/

  16. André comentou:

    em March 21 2009 @

    entrei no site por um motivo diferente e quando me deparei com esse post fui ler. Involuntariamente mudou minha vida.

  17. Seja positivo: aprenda a dizer não! « Efetividade.net comentou:

    em April 14 2009 @

    [...] Além disso, a sobrecarga causada pelo seu bloqueio ao “não” pode prejudicar as próprias pessoas a quem você disse “sim” indevidamente, quando a sobrecarga faz com que você, quase inevitavelmente, atrase ou deixe de entregar o que prometeu a elas sabendo que teria dificuldade em atender. E esse prejuízo causa frustração e rejeição, de ambas as partes, além de fazer com que você deixe de ser levado a sério. [...]

  18. Seja positivo: aprenda a dizer não! « DB1 Virtual comentou:

    em April 16 2009 @

    [...] Além disso, a sobrecarga causada pelo seu bloqueio ao “não” pode prejudicar as próprias pessoas a quem você disse “sim” indevidamente, quando a sobrecarga faz com que você, quase inevitavelmente, atrase ou deixe de entregar o que prometeu a elas sabendo que teria dificuldade em atender. E esse prejuízo causa frustração e rejeição, de ambas as partes, além de fazer com que você deixe de ser levado a sério. [...]

  19. Blog do Chucky comentou:

    em April 22 2009 @

    [...] Além disso, a sobrecarga causada pelo seu bloqueio ao “não” pode prejudicar as próprias pessoas a quem você disse “sim” indevidamente, quando a sobrecarga faz com que você, quase inevitavelmente, atrase ou deixe de entregar o que prometeu a elas sabendo que teria dificuldade em atender. E esse prejuízo causa frustração e rejeição, de ambas as partes, além de fazer com que você deixe de ser levado a sério. [...]

  20. Luciana comentou:

    em June 7 2009 @

    Pelo que já observei todas as pessoas que exercem liderança naturalmente possuem uma característica em comum. No discurso delas elas aparentam ter absoluta certeza do estão falando mesmo que não possam ter essa certeza. Elas dão a impressão de que o que estão falando é verdade e freqüentemente dizem que o que vão falar é muito importante, é essencial, etc (mesmo que não seja). Depois suponhamos que uma coisa que a pessoa falou demonstrando tanta certeza esteja errada, ela assume o erro e age normalmente. Já aqueles que não são levados a sério tem pudor de dar ênfase ao que fala porque tem medo de errar. Então quando vai dizer algo que considera importante pensa: mas é relativo… e se algumas pessoas não acharem importante… Acho que há coragem nos que exercem liderança e insegura com um certo perfeccionismo naqueles que são responsáveis, capacitados (que não preenchem os critérios que vc mencionou) mas não são levados a sério. Até porque já reparam que nem sempre os que são chamados líderes natos são os mais competentes? Então minha conclusão é que os não líderes devem se esforçar para desenvolver auto-confiança, coragem, lidar bem com o fato de que não vai agradar a todos e que se errar é humano. Nossa! Agora, por exemplo, ia escrever uma típica frase de não líder: “essas são apenas as minhas impressões” O que você acha Augusto?

  21. Thiago Cresley comentou:

    em June 26 2009 @

    agora eu entendi porque não sou levado a sério, realmente falo muito e faço pouco, mas nunca liguei isso ao fato de não ser levado a sério.
    Ótimo tópico, vou rever alguns conceitos meus, e mudar algumas atitudes, obrigado efetividade =D

  22. Motivação profissional X zumbis corporativos « Efetividade.net comentou:

    em July 15 2009 @

    [...] e ter oportunidade para demonstrá-la pode exigir circunstâncias excepcionalmente felizes, mas ser levado a sério é um grande motivador, e um impulsionador de [...]

  23. Giovane Heleno » Motivação profissional X zumbis corporativos comentou:

    em July 16 2009 @

    [...] e ter oportunidade para demonstrá-la pode exigir circunstâncias excepcionalmente felizes, mas ser levado a sério é um grande motivador, e um impulsionador de [...]

  24. Miguel Sete Coroas comentou:

    em July 22 2009 @

    Sempre há a tendência para se considerar polêmica a questão da liderança. “Ser levado a sério implica em ser líder, num certo grau”. Há um fator que considero importante para tornar esse assunto de difícil discussão. Trata-se do “politicamente correto”. A maioria das abordagens sobre liderança preconiza a idéia de incentivo à participação e do exercício da liderança a partir do consentimento geral.
    Discordo, nunca apliquei e sempre me dei bem.
    Vou explicar.
    Faço o tipo autoritário que finge ser democrático. Meu lema é; “Adoro trabalhar em equipe: eu mando, a equipe obedece”.
    Não é difícil essa prática. Exige apenas que o líder conheça realmente o assunto, ao ponto de prescindir de opiniões.
    Se eu tivesse que propor princípios para essa prática, eu diria:
    - Mande fazer e se responsabilize pelos resultados;
    - Conheça sua equipe e delegue poderes sempre acima da capacidade de cada um, sem exageros (isso força o indivíduo a crescer ou a desistir);
    - Nunca altere o tom de voz, só a modulação, e nunca solicite, dê ordens, suavemente, mas dê ordens, sempre num tom em que esteja implícito que você quer o resultado rápido. (nunca diga “o mais rápido possível”)
    - Agora a última e mais importante: Não demonstre, mas tenha em mente que “você sabe mais e pode mais do que esse bando de idiotas que está aí” (Você vai constatar que isso é a pura verdade, tanto nas salas de aula quanto nas audiências de palestras) Essa sua visão particular vai te dar um quê de superioridade que reforçará sua imagem (todo mundo se liga na imagem)de “aquele que resolve”.
    Esse é o lance.
    Estou disponível para as críticas.

  25. Motivação profissional X zumbis corporativos « Blog do Allex comentou:

    em July 22 2009 @

    [...] e ter oportunidade para demonstrá-la pode exigir circunstâncias excepcionalmente felizes, mas ser levado a sério é um grande motivador, e um impulsionador de [...]

  26. Fagner comentou:

    em January 18 2010 @

    Sou da Zona Norte de Porto Alegre
    Parabéns pelo blog.
    Sempre quando eu posso eu volto aqui.
    Abraços

Fique ligado!
Leia também:

Notebook: como escolher bem

Política do escritório: como sobreviver - e vencer

Plano de Negócios: como fazer

Deixe seu comentário

Nome: (Required)

eMail: (Required)

Website:

Atenção: o Efetividade.net não responde por e-mail às solicitações dos usuários, e recomenda cautela com relação a eventuais respostas enviadas por outros usuários. Antes de solicitar o envio de material, propostas, ofertas ou esclarecimentos, leia com atenção o texto do artigo (no alto desta página), pois ele pode incluir a resposta para seu questionamento. O Efetividade.net não comercializa produtos ou serviços para seus leitores.

Comentário:

Atenção: o envio de conteúdo ao Efetividade indica aceitação integral dos seus Termos de Uso.