Escrever artigos e textos: como começar

, por Augusto Campos Técnicas

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Começar a escrever - um artigo, post, carta, relatório ou o que for - nem sempre é fácil. E a dificuldade aumenta conforme se aproxima o final do seu prazo e a inspiração se recusa a surgir. Mas você pode lidar com isso.

Não existe uma receita padronizada que faça surgir a inspiração ou o assunto, mas há uma série de providências que você pode tomar para aumentar as suas chances de começar logo a juntar letras, palavras e frases e fazer seu texto decolar. E quando não se trata de um texto científico ou sujeito a normas como as da ABNT, o processo criativo pode e deve ser estimulado.

Para início de conversa, escolha bem o seu tema, ou o foco que você vai dar ao tema, caso não haja liberdade completa de escolha. Se você achar o seu tema chato, é bem provável que seu texto, se um dia você o completar, vá ser mais uma razão para comprovar esta opinião. Mesmo os temas mais áridos podem ser abordados por perspectivas menos enfadonhas, e cabe ao autor descobrir como ter acesso a elas.

Um erro comum - e fácil de evitar - é já querer redigir desde o começo, na ilusão de que assim a tarefa terminará mais depressa. Puro engano: assim demora mais, e esta escolha ainda leva a retrabalhos e outros desperdícios de esforço - ou pior: boas idéias para o desenvolvimento e conclusão do texto acabam rejeitadas porque não combinam com os parágrafos iniciais que você já redigiu.

Comece pelo começo

Se você escreve com freqüência (e especialmente se ganha a vida - ou algum dinheiro - com isso), vale a pena reservar um espaço adequado para esta atividade, onde você possa trabalhar sem ser interrompido a todo instante. Se não for possível, no mínimo organize a sua escrivaninha ou área de trabalho - a desorganização visível é um verdadeiro escoadouro de concentração e energia mental, e o próprio ato de organizar a mesa pode ajudar a colocar em ordem as idéias que já devem estar rondando no seu subconsciente.

Aliás, se uma idéia surgir neste momento, não a censure, e nem deixe para depois. Anote imediatamente, e com os detalhes que tiverem surgido junto. Procure reunir todas elas em uma mesma folha, bloco ou documento, porque isso não apenas vai facilitar a sensação de progresso (pelo visual da folha sendo preenchida), como ainda vai facilitar a organização de todas estas idéias depois. Se você escreve com freqüência, vale a pena ter um bloco (ou, melhor ainda, um arquivo de fichas padronizadas) para catalogar as idéias que surgem

Nesta fase inicial, não imponha barreiras à sua capacidade geradora de idéias - faça como os profissionais da criação, que há décadas empregam o brainstorming, sessões de frenética anotação de idéias para *posterior* classificação. Em especial, não cometa o erro de tentar já ir compondo as frases e parágrafos que serão aproveitadas no seu texto final. Esta atividade de filtragem, moldagem e adaptação deve ficar para um segundo momento, quando você já tiver coletado suficiente matéria-prima na forma de idéias.

Se o brainstorm não gerar idéias em quantidade suficiente, aqui estão algumas sugestões de complementação: perspectiva histórica sobre o tema, estatísticas e outros números relacionados a ele, citações e frases de personalidades a respeito do seu tema, erros e equívocos cometidos a respeito do tema, correlações do seu tema com acontecimentos recentes e relevantes, estudos sobre como seu tema pode gerar vantagens ou ganhos para grupos específicos, concorrentes ou parceiros do seu tema.

Neste ponto você já começou a escrever

Após reunir um número suficiente de idéias, você verá que na verdade já começou a escrever o artigo, e já formou em sua cabeça o que será a idéia central dele, ou a sua conclusão. Neste momento começa a parte mais trabalhosa e mecânica da produção do seu texto: a filtragem, organização e composição do conjunto ordenado que vai levar o leitor a esta conclusão que você já identificou. Procure montar em sua mente (ou em uma folha de papel) o mapa do artigo, registrando quais das idéias levantadas anteriormente serão apresentadas na abertura, no desenvolvimento e na conclusão. A partir daí, passa a ser uma questão de preencher as lacunas e de redação propriamente dita.

Após completar a versão inicial, e antes de começar os cortes e adequações de formatos, entregue para alguém de confiança ler e conversar com você a respeito. Às vezes há saltos e furos na lógica que são muito simples de corrigir, mas que você nem ao menos chega a identificar - e eles podem ser evidentes para o seu leitor-cobaia. Quase todo trabalho escrito pode ser criticado e receber sugestões, portanto se o seu leitor de confiança sempre devolver suas versões iniciais dizendo que estão ótimas e que nada precisa ser mudado, talvez você precise escolher outras cobaias! Da mesma forma, quando receber um texto de outra pessoa de sua confiança para analisar, esforce-se para analisá-lo com a postura crítica que a ocasião exige.

E após esta análise, você terá chegado àquele marco que parecia tão inalcançável no início do projeto: você já tem sua primeira versão, e precisa apenas editá-la mais. É trabalho árduo pela frente, mas a parte mais difícil já estará vencida.

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22 Comentários até agora

  1. Fábio comentou:

    em June 5 2007 @

    Sem desmerecer o texto sobre trabalhos de conclusão de curso, devo dizer que esse me ajudou ainda mais a começar meu artigo!
    O texte é bastante direto e muito útil.

  2. Vinícius comentou:

    em June 5 2007 @

    muito bom o artigo.

    Eu começo sempre fazendo um rascunho, no papel, antes de publicar no blog, confiro tudo. digito e faço algumas alterações.

    porém, as vezes o corretor ortográfico do FF me sacaneia, trocando algumas palavras ao seu gosto.

    Parabéns e obrigado pela dica, muito útil, diga-se de passagem!

  3. Fabiano Franz comentou:

    em June 6 2007 @

    Este post veio bem a calhar, considerando o serviço que lancei na última sexta-feira:

    http://literar.org

    Trata-se de um site onde qualquer usuário pode escrever e publicar suas produções.

    Um abraço!

  4. Thássius comentou:

    em June 6 2007 @

    As dicas são interessantes, porém podem falhar. Conheço muita gente que têm idéias (boas), mas não consegue estruturá-las coerentemente na redação. É um momento complicado, ainda mais para quem vai prestar concurso.

    Escrever é um dom, e nem todo mundo o tem. E para essas pessoas torna-se necessária a criação de metodologias que os permita transmitir sua idéia de alguma forma.

  5. Phius comentou:

    em June 7 2007 @

    Wow, isso me caiu como… ah… bem, esqueci o ditado.

    Mas enfim, vou até salvar nos meus bookmarks, vai me ajudar um bocadão.

    Eu ando com um bloquinho de notas e caneta no bolso o tempo todo. Gosto muito de escrever artigos, poemas, enfim.

    Uso o bloquinho pra anotar, entre outras coisas (telefones, endereços, notas gerais, blablabla), idéias.

    As vezes tenho uma idéia legal sobre algo pra escrever e taco no bloquinho. Mas na hora de escrever mesmo, falta um modo de abrir esse texto sobre essa idéia. É minha maior dificuldade ao escrever em meu blog, escrever poemas ou outros textos que não publico.

    Vou tentar suas dicas para resolver esse problema. Valeu :D

  6. Enoch comentou:

    em June 7 2007 @

    No meu caso, geralmente começo rascunhando um mapa mental(*1) para estruturar o artigo e as idéias principais.

    Thássius, um problema em redações em concursos é que estamos habituados a usar as funcionalidades dos editores de textos, mas numa prova de concurso o texto tem que sair ali, na lata, com o mínimo de rascunho! ;)

    ———–
    *(1) http://dwarfurl.com/955ac

  7. Luiz Armesto comentou:

    em June 11 2007 @

    Este artigo apresenta ótimas dicas. Mostra que um texto é *construído* por idéias que vão se interligando, das quais vai tomando forma, tendo suas arestas aparadas, sendo modificado até alcançar uma versão final. Que, na esmagadora maioria, não são feitos em uma tacada só, como se os autores os tivessem psicografado.

    Discordo do comentário que afirma que escrever seja um dom, acredito que seja uma questão de praticar e, principalmente, ler. A melhor maneira de aprender a escrever é lendo bons textos e prestando atenção no modo que a idéia foi transmitida.

  8. Rosângela Aparecida Dias Santos comentou:

    em June 11 2007 @

    Gostei das dicas para escrever bons artigos.
    Quero aprender a escrecer e encontrar leitores para o que vou escrever.
    Tenho tantas idéias!
    Creio que precisamos ler muito, mas começar a escrever também. Penso que todos têem o que contar sobre sua percepção, nas interações ou não com o meio em que vive.
    Com carinho, Profª.Rosângela Aparecida (Escola Pública de Goiás-Br.)

  9. Bruno Calheira comentou:

    em June 12 2007 @

    Stephen Kanitz escreveu de maneira magnífica sobre o assunto em:
    http://www.kanitz.com.br/impublicaveis/como_escrever_um_artigo.asp

  10. www.prensadigital.com.br | Escrever artigos e textos: como começar comentou:

    em June 13 2007 @

    [...] Efetividade Obrigado por ler este artigo em nosso blog. Agora você pode Faça um comentário (0) or [...]

  11. excelente!! comentou:

    em June 25 2007 @

    muito bom!!! uma mão na roda!!!eu to olhando aqui em volta de mim e o que vejo?? umas duas pilhas medianas de livros com um caderninho cheio de anotações!!ehehhehehe

  12. Eduardo Willy comentou:

    em August 23 2007 @

    Boas dicas!
    Já estou produzindo bem mais.

    Abraço!

  13. » Revisão de texto: 5 dicas para aumentar a qualidade dos seus artigos - Efetividade.net comentou:

    em September 4 2007 @

    [...] Escrever artigos e textos: como começar [...]

  14. Redação: ao escrever, cuidado com aquele plus a mais adicional extra! « Efetividade.net comentou:

    em November 8 2007 @

    [...] Escrever artigos e textos: como começar [...]

  15. Anny Rose comentou:

    em November 8 2007 @

    Estou pensando em diminuir a frequência de atualização de meus blogs para reservar um tempo maior à criação e edição dos artigos.

  16. jaimeohana comentou:

    em November 12 2007 @

    D++++

  17. Anny Rose comentou:

    em November 13 2007 @

    Já resolvi, irei diminuir, mesmo. Hoje li um artigo que tinha escrito há uns dias atrás e pude analisá-lo imparcialmente - uma análise mais crítica. Coisa que não se consegue fazer assim que termina de escrever.

    Não irei publicar artigos durante um mês; mas continuarei escrevendo, guardarei os artigos e irei publicando os mais antigos, assim irei conseguir ganhar tempo para editá-los e, em alguns casos, reescrevê-los.

  18. Ângela Celestino comentou:

    em December 5 2007 @

    “Hoje”

    O “Hoje” é o dia em que a história pode ser escrita de forma diferente daquela de ontem, o livro pessoal pode ganhar páginas coloridas, capítulos com palavras de estimulo e ação, de amor e de coração, de coragem e de superação, de alegria e felicidade, não somente na forma individual, mas também social.

    Ao refletir sobre essas palavrinhas poderosas, parece uma utopia diante de tantas coisas que acontecem ao nosso redor, e nos faz pensar em quanta dor há, violência constante, guerras, corrupção, abandonos de crianças, adultos, idosos, uma seqüência de isolamentos que afastam o ser humano dele mesmo.

    Acredito que utópico, é concluir qualquer coisa sem nunca tentar, é perder a esperança sem ousar, é se limitar sem se arriscar. O que fazemos talvez não cause impacto no mundo, mas se causar impacto em uma única pessoa, já teremos um grande resultado, principalmente se o impacto for em nós mesmos, pois poderemos transformar nosso mundo particular.

    O que adianta ter tudo e não ter com quem partilhar?

    Desejo que o Hoje se torne de fato um presente, pois o ontem não podemos recuperar, e o futuro ….. não sabemos o que acontecerá!

  19. antonio medina rodrigues comentou:

    em February 12 2008 @

    Vou-lhes dizer como escrever. A receita existe, sim. Pegue um lápis e pense numa frase comum, dessas que se escutam no mercado ou numa loja. Por exemplo: Não acho que esses exames podem dar conta da sabedoria de uma pessoa. Essa frase é popular e vulgar. O melhor que se pode fazer com ela (e esse é o método) é simplificá-la ao máximo. Aí sim ela funciona. Porque o simples é bonito sempre. Exemplos de solução: 1. Essas provas nada provam; 2. essas provas não provam nada; 3. Provas assim não mostram o que alguém pode saber; 4. Essas provas são bobas: o que mostram? Comentário: a frase 1 ainda é banal, porque afeta uma estilística desnecessária; a frase 2. É uma frase boa, não compromete, está bem escrita, mas falta-lhe um pouco de coração; 3. Até a metade (”…mostram”) a frase tem pique, mas o final, mesmo correto, é fraco; 4. Esta é a melhor: simples, enervada, e muito boa, inclusive terminando com discreta elevação da voz. Abraços.

  20. antonio medina rodrigues comentou:

    em February 12 2008 @

    Não são as idéias que produzem o texto. As idéias é que são produzidas por aquilo que você vem a escrever. De qualquer forma, toda grande idéia é despretensiosa, ela não pode ostentar mais nada além de sua simplicidade. Ela é grande idéia mesmo que já sabida: Os homens amam a toa; ser mãe é ser a vida inteira; não como nada, nem bebo; aquelas palavras são aquelas palavras: para quê explicá-las? Os bois conversam? Não conversam pouco, mas falam demais; está chovendo, e eu nem me toco; e por aí vai. Abraços.

  21. Jackson da Fonseca Alves comentou:

    em March 7 2008 @

    eu escrevo sem faltado letras e uma calegrafia feia, quero melhorar, tem algun curso em santo Andrè?

  22. Telma comentou:

    em May 17 2008 @

    Estou na fase inicial fazendo pós em Educação em Língua Portuguesa, porém fiz o curso de pedagogia. estou com dificuldades tanto para definir meu tema como iniciar, estou no 4º módulo na UFRN, mandem sugestões.

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