Pilhas não incluídas: A simplicidade como alternativa para a produtividade pessoal

A produtividade pessoal é uma meta comum a todos nós, neste caótico século XXI em que o número de agendamentos, pendências, anotações e contatos parece explodir.

O número de opções de ferramentas também se multiplica, desde as heranças desktop da década de 1990, com suas milhares de opções, extensibilidade via scripts e linguagens variadas, e uma variedade de relatórios e consultas raramente adotadas, até as apostas da computação em nuvem, geralmente marcadas pela escassez de opções e pela ênfase na colaboração e na interconectividade.

Fui convidado a escrever um breve artigo de apenas uma página (leia também: "Como escrever melhor - em 5000 caracteres ou menos") publicado na edição 38 da PC Magazine Brasil, e não tive dúvida: apesar de ser uma revista de TI, defendi (com todo o apoio do editor) meu ponto de vista sobre alternativas menos tecnológicas para o suporte à organização pessoal, e agora o compartilho também com vocês, em uma versão atualizada.

"Eu testei, então funciona para você." Quem já adotou uma ferramenta de produtividade pessoal e se adaptou bem a ela tende a indicá-la a amigos e conhecidos, cheio de razão e da certeza de que aquela é a definitiva, a que funciona e a que (de fato, e finalmente) resolve os problemas. Mas em geral só tem razão em parte: a sua experiência comprova apenas que a ferramenta funciona bem para si, e não necessariamente vai servir para o colega, o chefe e o cunhado.

Mas para quem já tentou dezenas de alternativas tecnológicas e ainda não encontrou uma que de fato ajude a chegar na hora nos compromissos, a encontrar o telefone daquele contato essencial, ou a não esquecer de comprar a resistência nova pro chuveiro, ofereço um questionamento: será que o problema não está no excesso de tecnologia?

Os fanáticos por produtividade pessoal têm um ponto de encontro internacional no site Lifehacker.com, e ao longo de algumas semanas promoveram uma série de votações sobre quais as melhores ferramentas para uma série de funções, e no quadrilátero básico da produtividade pessoal (pendências, contatos, agendamentos e anotações) a alternativa mais citada não deixa dúvidas: não tem PC nem smartphone, quem entende do riscado não troca o papel e a caneta por nenhuma das (ótimas) alternativas digitais existentes, ao menos para essas funções. A única exceção são os agendamentos, em que o Google Calendar brilhou mais que as alternativas low-tech.

Claro que mesmo na dupla papel+caneta há variações. Há quem use qualquer pedaço de papel, assim como há defensores ferrenhos das fichas 3x5 vendidas por milheiro na papelaria, ou dos clássicos cadernos Moleskine, ou dos práticos Hipster PDAs, montados com folhas impressas recortadas e presas com um clip de mola. E há os amantes da caneta Bic, assim como há os que só topam escrever se for com caneta-tinteiro Parker 51.

Minha alternativa:: Pessoalmente, faço um mix de papel, caneta e soluções mais tecnológicas - mas se eu ficar sem smartphone e notebook, o dano à produtividade do dia será bem menor do que se perder minhas anotações em papel. E há tempos reconheci que, na minha realidade, eles são imbatíveis no que diz respeito à disponibilidade, e também às dependências e requisitos para funcionamento.

Se você se interessa pela produtividade pessoal, certamente está sujeito a um dia compartilhar comigo minha conclusão pessoal: descobri que para algumas tarefas simples da produtividade pessoal, as ferramentas básicas não precisam de pilhas e nem de conectividade. Mesmo que você não concorde integralmente, convido-o a parar para pensar sobre qual o nível de complexidade tecnológica que você precisa para ser produtivo!

Comentar

Comentários arquivados

Artigos recentes: