As vantagens de usar um caderno para registrar suas anotações

, por Augusto Campos Low-tech

Efetividade.net é a sua fonte de informações originais e atualizadas sobre produtividade pessoal, efetividade, lifehacking, GTD e truques espertos para o seu dia-a-dia. Leia também:

O site do D*I*Y Planner publicou um interessante artigo, de autoria de Dave Terry, explicando o seu sistema pessoal de tomar notas usando um caderno comum. Dave passou por diversas tentativas mais tecnológicas antes de se fixar no papel, e está mais do que convencido de ter feito uma boa escolha.

Eu acredito que não existe um sistema de anotações que seja perfeito para toda a população do planeta, e estou freqüentemente mudando meus próprios métodos. Hoje carrego basicamente um Moleskine Reporter e um Treo, e anoto tudo em um dos dois, sem adotar um formato fixo.

Mas formatos fixos podem ajudar a tornar mais úteis as suas anotações, como já vimos no artigo anterior “Transformando um caderno comum em uma agenda de compromissos personalizada“. E é um formato fixo a grande estrela do artigo de Dave Terry, intitulado “The Advantages of Keeping an Analog Work Journal“, como veremos a seguir.

Por que voltar ao papel?

No meu trabalho, é freqüente eu ouvir comentários sobre eu, que me dou tão bem com formatos digitais, andar para cima e para baixo com um “bloquinho de notas” e duas canetas coloridas. Não tenho o menor problema com anotações em formato digital (quando preciso, sou o primeiro a tirar o laptop da pasta duramte a reunião), mas gosto de tirar vantagem da portabilidade e autonomia do meu surrado Moleskine, ou de qualquer outro bloco de notas que esteja à mão.

Não sei se concordo com todos os motivos pelos quais o Dave Terry prefere usar anotações em papel, mas no mínimo são argumentos válidos para uma discussão. Ele aponta:

  • tem acesso mais imediato às suas anotações em reuniões ou durante um telefonema
  • pode desenhar livremente, fazer diagramas, etc. nas mesmas páginas em que coloca os demais textos
  • pode escrever e desenhar em qualquer direção e posição na página
  • é mais fácil compartilhar seus diagramas na equipe, na hora em que são feitos (depois ele os refaz no computador, quando precisa)
  • nunca precisa recarregar
  • é fácil de folhear

Como Dave Terry anota em seu caderno

A receita que ele adota, e que você pode tentar adaptar, começa por numerar todas as páginas dos cadernos que usa para suas anotações. Um carimbo numerador custa cerca de R$ 15 (ou até menos), e um numerador automático é bem mais caro que isso, mas você pode até mesmo numerar manualmente – 80 folhas não vão ocupar tanto tempo assim. Após numerar, ele pode passar a manter, no final do caderno, um índice dos principais assuntos registrados e que ele possa querer consultar. Ele indexa imediatamente, quando sabe que um assunto merece, ou deixa para rever suas anotações periodicamente, indexando as que achar necessário. Numerar as páginas também facilita a criação de referências cruzadas entre as páginas, como você faria em um arquivo de hipertexto ou em um texto indexado no computador.

Cada página do caderno inicia com uma data (ele usa um carimbo datador, que você encontra por menos de R$ 20, auto entintado, na papelaria da esquina). As pendências identificadas naquele dia são registradas com um quadrinho ao lado para poder marcar quando for completada (fãs do GTD vão preferir ter uma seção separada para as pendências, sem associá-las a datas). Registros de reuniões iniciam com o horário, assunto e pessoas presentes (às vezes desenhadas ao redor de um diagrama da mesa), e o resto da página é preenchido com anotações, diagramas e desenhos. Ele tem o hábito de marcar o horário de início e final de suas atividades diárias também.

Ao final do caderno, além do índice, Dave Terry aloca também algumas páginas para listas que são relevantes para ele, como controle do uso dos dias de folga pendentes do seu trabalho, ou contatos profissionais.

Além do caderno em si, ele usa um datador auto-entintado (já mencionado), uma boa caneta, e canetas marca-texto de várias cores, que ele associa a determinados significados: verde para datas e reuniões, roxo para idéias importantes, amarelo para conceitos-chave, laranja para o que não pode ser esquecido, azul para pendências, etc. Ele usa um caderno de arte, com folhas que não deixam a tinta “vazar” para o outro lado, e abrem 180 graus sem forçar.

Concluindo

Dave Terry usa seus cadernos no contexto do trabalho, e nunca anota nada neles que não possa ser lido por qualquer colega.

Ele já tem arquivados os cadernos referentes a 8 anos de trabalho, e notou que raramente faz uso de algum com mais de 2 anos de idade. Mesmo assim, ao folhear os antigos, percebe que os seus diagramas de anos atrás trazem rapidamente à lembrança as circunstâncias em que foram feitos – algo que qualquer conhecedor dos mecanismos da memória pode confirmar, e que nem sempre ocorre com diagramas registrados em forma digital, muito mais lapidados e limpos, mas isentos dos detalhes imperfeitos que ajudam a ativar a memória.

Leia também: Simples e efetivo – Conheça o gerenciador de tarefas e pendências criado por Gina Trapani, do Lifehacker.

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21 Comentários até agora

  1. Vinícius de Figueiredo comentou:

    em September 28 2007 @

    Saiu um “duramte” no primeiro parágrafo após “Por que voltar ao papel?”.

  2. Cobra comentou:

    em September 28 2007 @

    Eu abandonei meu PDA para esse tipo de anotação a 3 anos e uso uma técnica parecida, porém gostei muito do lance do datador (vou providenciar 1) e do quadrado no topo da página.

  3. Daniel Accorsi comentou:

    em September 28 2007 @

    Boa!!! Nesse momento, aqui do meu lado tem um carderno com um monte de anotações, resultados de conversas, planegamentos, tudo enumerado… cheguei a essa conclusão também.

    E o melhor, estou vendendo meu palm! quem quiser comprar. ;)

  4. Silvia comentou:

    em September 29 2007 @

    Tenho cadernos de anos, não muitos, mas como o autor diz, condensam muita informação que é recuperável somente por mim mesma ao revê-los. O prinicpal do caderno é que ele enfeixa uma época enquanto as folhas, mesmo granpeadas não dão esta sensação.

    Prefiro escrever a data a mão, mas comprei um carimbo na Kalunga e custou pouco mais de três reais. Fiz mesmo para experimentar, gostei, mas prefiro eu mesma anotar.

    Augusto, como você utiliza as duas cores de caneta?

  5. Thiago comentou:

    em September 29 2007 @

    Nada que uma estudante organizada de quinta serie nao consiga fazer…

    Por favor, quanta neura em cima de produtividade pessoal!! Voces gastam mais tempo lendo essas coisas do que fazendo o trabalho importante.

    Proximo artigo sobre low-tech: “As vantagens de se usar um lapis”.

  6. Marques comentou:

    em September 29 2007 @

    Engraçado como que eu fazia praticamente a mesma coisa até bem pouco tempo. Numerei meu moleskine, fiz um índice, usei aquelas etiquetas (“post-it tags”) e comprei o carimbo datador.
    O carimbo datador não é prático. Se você molha demais, a tinta vaza para o outro lado do papel. Se molha de menos, não aparece a data de forma nítida. De todas as habilidades que posso desenvolver, ser o perfeito carimbador não é a mais útil. Leva uns 3 segundos escrever a data… Logo abandonei o carimbo.
    O problema de usar um caderno é que a parte “não perecível”, as informações que você quer manter de um caderno para o outro, precisam ser copiadas novamente quando o caderno fica cheio para que você as tenha sempre a mão. Além disso, o meu índice foi mudando, novas seções foram surgindo e eu as incluía no início, o índice foi ficando bagunçado, fora de ordem numérica.

    Então, eu passei a usar fichas lisas (sem pauta) de 3×5. Comprei um Levenger Shirt Pocket Briefcase ( http://wiki.43folders.com/index.php/Levenger_Shirt_Pocket_Briefcase) no ebay (a Levenger não manda para o Brasil). Trata-se de um porta-fichas de couro com 3 compartimentos. Um para as fichas preenchidas, outro para as que estão em branco e o terceiro para a ficha em uso. Tem um bolso central que uso para guardar identidade, cartão de crédito, cartão de débito e umas duas cédulas. Não uso carteira desde o moleskine. Com fichas é mais fácil catalogar as informações e separar o que é descartável do que tem uma vida um pouco mais longa.

  7. augusto comentou:

    em September 29 2007 @

    Mas qual neura? Até percebi por aqui algum envolvimento psicológico maior, mas foi na tua argumentação pra rejeição da idéia ;-)

    De fato, uma estudante organizada de 5a. série consegue fazer excelente uso de seus cadernos, e o que foi proposto aqui é justamente uma oportunidade para quem usa instrumentos mais tecnológicos e caros pare pra pensar se eles cumprem seu papel melhor do que o caderno da estudante organizada cumpriria.

    Falamos sobre produtividade sim, mas o foco principal dos artigos e discussões não é gastar ou economizar tempo, nem buscar a eficiência, como o próprio nome do site já indica.

  8. hlegius comentou:

    em September 29 2007 @

    Os blocos que tenho aqui são aqueles que são distribuídos em feiras e eventos tecnológicos e hoje servem apenas para eu anotar coisas rápidas ou enquanto falo ao telefone. Tudo que fica ali e tem uma importância eu “movo” (não tem como mover algo real para algo virtual) para seu respectivo lugar no computador, seja ela agenda, lista de tarefas ou o “knotes” =)

    Acho que para termos efetividade em algo, precisamos centralizar as informações em poucos lugares. Usar Palm, caderno e PC para armazenar um simples ToDo ou as pendências da agenda não é uma boa opção, pois você perderá mais tempo cuidando de 3 elementos do que outra coisa. Isso não quer dizer que não devemos experimentar outras alternativas =)

    Acho esse caderno da moleskine super maneiro! Mas se eu comprasse um, iria usa-lo para anotar todos meus ToDo’s e agenda diária deixando o PC livre destas tarefas.

    Isso porque não entramos no mérito “ferramentas para auxiliar no controle financeiro”, inclusive acho que seria um post interessante para ser publicado aqui no Efetividade.

  9. alex comentou:

    em September 30 2007 @

    pode parecer redundante mas é realmente desta forma que funciona, a idéia vem se não anotarmos ou sentarmos em frente ao micro ela simplesmente desaparece,estarei adotando a prática do bloco de anotações a partir de agora.

  10. Thiago comentou:

    em September 30 2007 @

    Perdão Augusto, me expressei mal…

    Digo isso porque as pessoas correm atrás de metodologias, tecnologias e “grifes” que surgem no mercado e, em sua maioria, não ajudam em quase nada (e custam muito).

    Um exemplo é minha agenda de telefones: guardo no celular e numa página de caderno (backup) todos os telefones que preciso. Não vou comprar um palm se não houver necessidade clara para isso. Do mesmo jeito, não usava notebook: levava meus arquivos essenciais em um pendrive no bolso.

    Achei engraçado o comentário sobre cadernos pois soou como uma redescoberta do papel aos viciados em tecnologia…

    Talvez tenha me exaltado um pouco no comentário, e peço perdão pela mania minimalista! ;]

  11. Xtian Xultz comentou:

    em October 1 2007 @

    Eu não gosto de folhas pautadas, meus cadernos há anos são feitos de folhas de sulfite encadernadas (o resultado acaba sendo mais barato que um caderno, inclusive). Eu trabalho com projetos eletrônicos, e estou sempre desenhando, e as linhas me atrapalham e me distraem. E quando vou organizar idéias, compromissos, etc, gosto da folha em branco, dá mais liberdade de pensamento.

  12. Fred Labs » Produtividade Pessoal e Cadernos comentou:

    em October 2 2007 @

    [...] A segunda coisa é onde armazenar ideias ou qualquer coisa que venha a mente ou esboćos com facilidade e sem distraćão.  Sentar no computador com internet , mensageiro e email é sinonimo de distraćão e eu não estou com o autocontrole calibrado o suficiente. Então eis que eu acho aqui a solućão que eu já conhecia e agora a recomendo para todos vocês. Um caderno!! [...]

  13. Lucas Arruda comentou:

    em October 5 2007 @

    Uma dica, também, para quem quer usar um caderno de anotações, é um caderno com folhas destacáveis sem “babados” (como diria um professor meu sobre aqueles furos das folhas de caderno espiral, que ficam como babados quando arrancadas).

    Comprei um bloco da Tilibra, chamado Organizer, que é bom e barato (perto destes, pois custou cerca de R$5,00), e além de tudo é prático. Talvez seja interessante escolher por um modelo pasta, mas este modelo que falei é capa dura e garante que suas folhas não vão amassar. A qualidade das folhas também é boa, não deixa a desejar, nem tem borrado, e as folhas tem espaço para título e data.

    Valeu a pena.

  14. tzbishop2k comentou:

    em October 6 2007 @

    Legal. Achei o assunto interessante. Eu tenho um palm e uso pra caramba. Quem sabe um dia desse eu não poste lá no meu blog sobre isso. Valeu!

  15. Fanta Uva › O que você faz para seu blog não se tornar uma ilha? comentou:

    em October 23 2007 @

    [...] do esquecimento é claro, ainda não fiz como Augusto Campos e o Gabriel Galvão  recomendam, de anotar as idéias quando as tiver, sejam elas idéia de post [...]

  16. Blackrose comentou:

    em October 23 2007 @

    Ao reler o seu texto para citá-lo acabei notando a semelhança entre o autor do artigo em inglês e a minha chefe. Ela também faz anotações em cadernos e possui 4 ou 5 guardados com suas anotações mais importantes. A diferença é que ela não tem índices que facilitariam a encontrar o que precisa. Ela geralmente tenta lembrar a época para saber em qual provável caderno a anotação estaria, e após essa “busca” ela procura no caderno folheando ele inteiro até achar o que procurava.
    Da última vez ela levou meia-hora procurando pela solução a um problema que aconteceu há 2 anos e reincidiu neste mês. Pensando pelas dicas encontradas aqui ela poderia ter levado 5 minutos.

  17. arrangeurs comentou:

    em August 6 2008 @

    un petit commentaire pour vos dire qu’il est très réjouisssant de surfer sur votre blo ;)

  18. Marco Sanches comentou:

    em August 7 2008 @

    O Efetividade.Net é simplesmente O Estado da Arte.

    Em outro post também altamente interessante, eu fiquei maravilhado com o Método Cornell.

    Como pode alguém ter tamanha clareza de idéias ao criar uma ferramenta de pensamento visual na década de 50 ? É de deixar qualquer um sem palavras. Impressionado !

    Augusto,
    Parabéns pelo site, pela qualidade do conteúdo e pela forma brilhante de trilhar a nobre missão de levar esse mundo fascinante ao alcance de todos.

    Valeu !

  19. Anderson comentou:

    em January 17 2009 @

    Até bem pouco tempo não tinha tanto acesso a computadores.
    Portanto, os cadernos sempre estiveram em meus afazeres.
    Nestes posts estou relembrando algumas técnicas que já utilizei para me organizar e descobrindo novas (se é que algo de 1950 possa ser chamado de novo :-)

    Augusto, os assuntos postados no EFETIVIDADE não muito bons.
    Sempre que posso passo por aqui para dar uma olhada.

    Abraços,

  20. Sebastião Fabiano Pinto Marques comentou:

    em July 27 2009 @

    Esse método de fazer cadernos é excelente! Tenho usado na Universidade com muito sucesso.
    .
    É fácil fazer esquemas, colar apostilas, fazer anotações. E ainda permite fazer índice ao final, além de referências cruzadas.
    .
    Como é de capa dura, posso escrever nele em qualquer lugar sem apoio e ainda fica fácil de guardá-lo na biblioteca.
    .
    Eu apenas fiz uma adaptação: ao invés de usar um caderno Moleskine, preferi usar um livro de atas que já vem com as folhas numeradas. Assim eu poupo trabalho de numerar. Outra vantagem é que o livro de atas custa só R$ 4,50 na papelaria. Bem mais barato que um Moleskine.
    .
    Abração a todos.

  21. aline comentou:

    em December 26 2009 @

    oh, que chato descobrir que qualquer pirralha sabe disso e eu não sabia. Se dependesse de quem pensa assim, continuaria sem saber. Ainda bem que o Augusto Campos compartilha os conhecimentos. A aplixcação das técnicas que aprendo aqui são rápidas e aumentam a minha motivação nos estudos. Muito obrigada, seu Augosto :D

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