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Efetividade20 ANOS Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Não deixe para amanhã o que não vale a pena ser feito nunca: liberte-se

Rejeitar tarefas que não agregam valor para ninguém é completamente diferente de procrastinar, e quase sempre é a escolha certa.

Em geral é um erro deixar pra amanhã o que poderia ser feito hoje, mas o que sai bem mais caro, até emocionalmente, é ficar adiando o que vai acabar não sendo feito nunca.


Meme do Bob Esponja dizendo que ninguém se importa

Se algo está na agenda mas fica sendo adiado porque não traz valor a ninguém, liberte-se dessa tarefa! E faça isso o quanto antes.

Aprendendo com Picasso e Pitty

Consta que Pablo Picasso disse a frase: “Só deixe para amanhã o que você estiver disposto a morrer sem completar”.


fragmento de página de livro com citação de Picasso em inglês

A minha visão sobre produtividade é baseada no interesse no resultado, então eu tenho uma interpretação alternativa para essa citação: as coisas que estamos dispostos a morrer sem ver completadas merecem mesmo ficar pra amanhã, ou para nunca.

Ficar encontrando maneiras de adiar aquilo que não será concluído nunca tem custo emocional que prejudica a sua capacidade de focar no que importa.

Temos que alinhar nossas prioridades ao que faz diferença para nós, ou para algo que consideramos importante!

Afinal, como já disse a filósofa contemporânea Pitty, a gente fica deixando coisas pra semana que vem, mas a semana que vem pode nem chegar.

A exceção: quando o cancelamento em si é custoso

Talvez você descubra que essa libertação envolve avisar alguém. Avise!

Às vezes, ao planejar cancelar definitivamente a tarefa que estamos adiando, a gente descobre que sai mais barato fazê-la, do que lidar com a expectativa alheia sobre ela.

A não ser, é claro, que você acabe avaliando que fazer a tarefa original sai mais barato do que ter essa conversa. Nesse caso, você terá descoberto qual é o valor que ela agrega: evitar uma conversa espinhosa.

Quando a agressão verbal vem disfarçada com voz mansa

Nem toda agressividade se expõe com gestos bruscos e voz alta: às vezes ela vem habilmente oculta na forma de uma conversa – em que um dos lados não terá chance de ser ouvido.

Há conversas agressivas que são bem fáceis de caracterizar, como sinais como tom de voz elevado, gestos ameaçadores ou promessas de punição.

Por outro lado, há agressores mais sutis, que escondem a sua agressividade em algo que, visto à distância, parece uma conversa – mas no máximo é um monólogo, um discurso, ou uma sessão de dissimulação cínica do desejo de desqualificar o outro.

Os agressores em potencial aprendem o que caracteriza assédio ou bullying, e procuram outras maneiras de agir sem evidenciar claramente a agressão.

A comunicação interpessoal vem se tornando mais valiosa nas décadas recentes, e as organizações investem em capacitar suas equipes em várias práticas positivas – como assertividade e comunicação não-violenta –, bem como em comportamentos a evitar, como o assédio moral.

Um efeito colateral dessa exposição às técnicas é que frequentemente elas são (mal) interpretadas como se fossem uma lista finalizada dos limites proibidos. Aí os agressores em potencial usam essa lista como se fosse um manual para definir outras formas de sustentar relações que não são saudáveis, ao mesmo tempo em que preservam (em sua mente) a possibilidade de negar que tenham infringido “as regras”.

Entra em cena o gaslighting

Ao ver uma lista de comportamentos como a que apresentaremos a seguir, provavelmente você pensará que todos os itens são óbvios. É porque esses itens são mesmo evidentes, quando estamos analisando racionalmente – e é aqui que entra a pegadinha.

Nas situações de bullying e assédio, e outras dinâmicas que tomam a mesma forma, um dos componentes comuns é a negação da oportunidade da vítima analisar racionalmente.

O agressor hábil não ergue a voz, não segura a pessoa pelo ombro, não aperta o braço de ninguém, mantém expressão serena, e evita os sinais teatralizados de violência.

É o gaslighting, em que as ações do agressor, bem como as circunstâncias, se unem para fazer a vítima de manipulação duvidar do que está experimentando, e de que haja mesmo alguma agressão acontecendo.

Um agressor hábil não tem dificuldade em fazer essa cena: ele não ergue a voz, não segura a pessoa pelo ombro, não aperta o braço de ninguém, mantém expressão serena, e evita os sinais teatralizados de violência.

Mas a cena é vazia em termos de acolhimento: a conversa importante e necessária acaba sendo evitada, o direito de se expressar é monopolizado, e a oportunidade de construção conjunta é substituída por uma mera projeção de poder.

Minha motivação

Como não acredito que os praticantes desse tipo de agressão sejam leitores do Efetividade, já deixo claro: a razão de eu escrever sobre esse tema no blog não é tentar convencer ninguém a deixar de praticar esses atos (eu também faço isso, só que fora do blog – sou integrante de um grupo de combate ao assédio moral).

Conhecer antes essa lista ajuda a evitar ser vítima de assédio, e pode ajudar a fazer cair a ficha de seu amigo ou amiga que está vivendo a situação.

Eu escrevo sobre isso aqui no blog por 2 motivos principais:

  1. Para que você, leitor, veja a lista e lembre dela quando alguém praticar algum desses atos. Praticar uma vez pode até ser normal, mas merece registro e, caso se repita, é indicativo forte de um relacionamento dissonante, tóxico ou agressivo, do qual compensa se defender (no mínimo), ou se afastar.
  2. Para que as suas amigas e seus amigos que estejam passando por uma situação dessas se beneficiem se você encaminhar e pedir pra eles gritarem bingo se gabaritarem a lista.

Lembrem que o tema é sério, e qualquer leveza no tratamento dele (como exemplifiquei acima) só pode ser admitida se for ferramenta para permitir o início da abordagem.

A lista de agressões verbais disfarçadas

Preparei uma lista dos casos mais comuns, e repito: a maior parte delas não é motivo para cartão vermelho imediato. Como nos casos de assédio moral, quase sempre o que caracteriza a situação é a repetição sistemática – e nesse caso, não há desculpa do tipo "ela é assim mesmo" ou "ele foi criado em outra época": é uma relação assimétrica e sem equilíbrio, sim.

Vamos à lista:

  1. Discordar sem ouvir a conclusão – “Já entendi, pode parar, isso aí não dar certo”, ou “Nem vou retornar o contato, já sei o que ela quer falar”. É o mesmo que interromper a exposição da outra pessoa a partir de uma suposição de como ela concluiria, e já antecipando sua decisão com base nessa suposição, cassando a palavra do interlocutor.
  2. Desqualificar a reação – Frases como “Deixa de drama”, “Cadê o senso de humor?”, “O mundo anda muito chato” indicam que, além de manter o que foi dito, a pessoa também invalida o direito da pessoa se sentir ofendida ou agredida – ela quer o papel de árbitro do que ofende ou não.
  3. Classificar sua opinião como se fosse absoluta – são frases que começam com “a verdade é que”, ou que terminam com “isso é fato.”, ou então com “simples assim”. Assumir sua opinião como se fosse a única certa, ou como se fosse argumento suficiente, ou como se tivesse o superpoder de simplificar situações complexas, é um exagero que corresponde diretamente à expectativa de convencer na marra: afinal, nem há mais nada em discussão, já foi anunciada a única posição possível.
  4. Se remover da situação coletiva – “A minha parte eu fiz.” Embora esteja falando apenas de si, a tradução da frase é “percebi que há acusações e queixas sobre o grupo, mas não quero contribuir com solução nem defesa, vocês que se virem”. Ao negar o impacto de suas ações, a aposta é que a eventual culpa ou a responsabilidade por se defender reste a quem não fizer o mesmo.
  5. Silêncio protelatório – Ao calar sem concluir a discussão, mas manter a posição que lhe convém, e aguardar para usá-la em outra ocasião, sem dar à outra pessoa a oportunidade de levar o debate adiante, vemos uma desconsideração que chega bem próxima à desonestidade intelectual de fazer uma falsa afirmação.
  6. Se escorar na autoridade ou na longevidade – “Eu tenho 15 anos de casa, vai por mim, não adianta tentar isso aí.” Experiência, tempo de casa, certificação, formação e cargo são elementos valiosos, mas não são argumento suficiente para esgotar discussões, exceto quando usados na expectativa de ter poder de calar o outro.

Todos esses exemplos demonstram maneiras de disfarçar a agressividade como se fosse uma conversa. Se você notar que pratica alguma delas, é hora de evoluir!

Caso esteja frequentemente exposto a alguma dessas frases, ou a um combo delas, é hora de se fortalecer para poder procurar a melhor forma de se defender ou, se possível, se afastar.

A não ser, é claro, se a situação for de assédio, crime ou ameaça à sua integridade – neste caso, procure proteção imediatamente, e orientação experiente sobre como proceder quanto à pessoa responsável.

O valor da simplicidade: na comunicação profissional, menos é mais

Transmitir conceitos difíceis usando termos simples é uma habilidade rara e valiosa, que transforma a clareza em influência e convencimento.

Adotar a simplicidade na escrita aumenta a credibilidade e evidencia a inteligência do autor, muito mais do que optar por palavras rebuscadas e jargões. Longe de empobrecer sua mensagem, eliminar os exageros de estilo e vocabulário garante que sua audiência compreenda e valide seus argumentos co menos barreiras.


desenho mostra duas cabeças, com um fio as conectando. Em uma delas, o fio está todo enrolado e repleto de nós, enquanto na outra está alinhado e alinhado.

Ao escolher a clareza, poupamos o leitor de um esforço desnecessário, e removemos uma razão típica de rejeição instintiva à ideia que queríamos transmitir. Contrariando a prática antiquada ainda existente em algumas profissões, escrever de forma acessível não demonstra falta de erudição, mas sim o domínio superior sobre o tema em análise.

Kahneman comprovou que a clareza textual está diretamente ligada à nossa percepção direta do que é verdadeiro ou não.

Essa premissa foi imortalizada pelo psicólogo Daniel Kahneman em sua obra-prima de 2011, "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar". Ganhador do Nobel de Economia por integrar insights da psicologia à ciência econômica, Kahneman dedicou décadas ao estudo dos vieses que moldam nossas decisões. No livro, ele demonstra como o cérebro humano busca atalhos para economizar energia, reagindo de forma previsível aos estímulos externos. Suas descobertas revolucionaram a comunicação moderna ao comprovar que a clareza textual está diretamente ligada à nossa percepção biológica de verdade.

A ideia central é que a complexidade linguística artificial afasta as pessoas e destrói a confiança na sua mensagem. Muitos profissionais acreditam que expressões rebuscadas e frases desnecessariamente longas transmitem autoridade, mas a psicologia prova exatamente o contrário. Textos inflados geram ruído visual e cansaço cognitivo, fazendo com que o leitor desconfie das intenções do autor ou da veracidade dos dados apresentados.

A inteligência brilha quando traduz conceitos complexos, transmitindo conhecimento fácil de assimilar.

Para aplicar esse conceito, é preciso entender o mecanismo da facilidade cognitiva, que o cérebro ativa diante de informações limpas. Textos difíceis disparam o estado de tensão cognitiva, acionando o nosso lado analítico e cético, que busca erros sistematicamente, e esse é um dos casos em que a expressão popular "quem procura, acha" é especialmente verdadeira.

Para evitar expor seu texto a essa inspeção quase hostil, o autor fará bem em revisar seus textos, com foco na concisão, na eliminação de jargões desnecessários, e na simplificação de estruturas excessivamente longas, indiretas ou que ofusquem o significado. Esse esforço exige desapego e rigor técnico, transformando a escrita em um processo constante de lapidação, onde cada palavra deve justificar sua permanência na página.

Ao remover barreiras à compreensão, o foco retorna ao que realmente importa: o resultado pretendido pelo texto.

Os benefícios são imediatos e transformadores para qualquer produtor de conteúdo. Seus artigos alcançarão maior engajamento, suas propostas serão aprovadas com mais facilidade e seu domínio do tema será percebido sem ruídos de interpretação. O resultado projetado é uma audiência fidelizada por confiar no seu poder de síntese e de explicação.

Em suma, simplificar sua linguagem é o segredo para se consolidar como uma fonte respeitada sobre um tema, reforçando a tese de que a clareza gera reputação. Ao evitar o rebuscamento desnecessário, você substitui a barreira da desconfiança pela facilidade de processamento e pelo engajamento imediato de quem lê.

Conectar a facilidade cognitiva do público ao impacto das suas ideias cria um ciclo positivo de comunicação eficiente. Escolha a simplicidade e garanta que sua mensagem seja recebida com o respeito e a admiração que sua inteligência merece!

Síndrome da urgência permanente: sintomas e como tratar

Quando tudo é urgente, na verdade nada é – e um alarme de incêndio que toca todos os dias é quase tão ineficaz quanto o que jamais toca.

Emergências são fatos da vida, e deixar de reagir a elas é um erro. Mas quando existe a expectativa de que seu trabalho siga uma ordem de prioridade, e ela muda todos os dias, além de ser frequentemente interrompida por «emergências» que furam a fila, o fluxo não está funcionando.


Urgente, Imediato, Prioridade Máxima ou Para ontem
Um quadro de prioridades em que só existem prioridades emergenciais

Isso pode acontecer por várias razões, mas em geral é pela escolha inapropriada feita por alguém, ou porque alguém está se recusando a fazer escolhas.

Sintomas

A síndrome da urgência permanente tem sintomas como o aumento da frequência de expressões como "só uma coisinha", "é rapidinho", e "faz isso aqui antes pra mim", e em geral é difícil de lidar, porque o sintoma é medido em um nível organizacional acima da pessoa em que os efeitos da síndrome se manifestam.

Outros sintomas frequentes podem servir para diagnosticar a síndrome:

  1. As entregas precisam ser refeitas, porque a pressa faz com que os requisitos não sejam bem definidos ou comunicados.
  2. A qualidade das entregas tende a ficar em segundo plano, pois a métrica de sucesso passa a ser o tempo de resposta
  3. Todo pedido é "para ontem"
  4. A prioridade do dia da segunda-feita já foi esquecida na quarta-feira.

Perguntar sobre o prazo de entrega passa a ser tratado como ironia ou ingenuidade.

  1. O material produzido com urgência não é usado imediatamente, porque não foi sincronizado com outras demandas
  2. A pergunta "qual o meu prazo?" é recebida como se fosse redundante – ou, pior: irônica ou desrespeitosa.
  3. Não há esforços sistêmicos voltados a sair da atual situação crítica
  4. A equipe se sente em constante estado de tensão e sobressalto
  5. Esforços visíveis são mais valorizados do que entregas estratégicas
  6. Os gestores reduzem os recursos disponíveis para as operações normais, buscando preservar a capacidade de reagir a "urgências"

A gambiarra que salva um prazo perdido passa a ser valorizada como se fosse a solução ideal e prevista.

  1. O «herói» que trabalhou até de madrugada é mais reconhecido do que a equipe que conseguiu manter seus prazos
  2. Remendos e artifícios técnicos são comemorados e descritos como se fossem a solução correta e planejada.
  3. As reuniões passam a tratar só sobre as próximas entregas, e não sobre os projetos estratégicos.
  4. A equipe apresenta sinais visíveis de desgaste e conflitos causados por sobrecarga e exaustão.

Gabaritou? É provável que você esteja passando por um surto da síndrome da urgência permanente, e precisando de tratamento imediato.

Não é necessário explicar muito: quando uma organização ou departamento só se tem capacidade para dar conta das urgências, na verdade nada mais é urgente, pois tudo que é feito está em um mesmo nível de prioridade.

A cada vez que a equipe dá conta, aumenta a expectativa externa de que emergências futuras serão tratadas dessa mesma forma.

Como em várias das outras doenças crônicas que afetam as organizações (como a do "bom cabrito não berra" ou a do "manda quem pode obedece quem tem juízo"), a síndrome da urgência permanente traz um desafio às equipes afetadas, que precisam combater os efeitos ou conviver com eles, mesmo frequentemente não tendo o poder ou influência necessários a agir nas causas.

E um grande complicador é que, a cada vez que a equipe dá conta de absorver uma emergência sem derrubar todo o castelo de cartas do seu cronograma, aumenta a expectativa de que emergências futuras sejam tratadas dessa mesma forma.

Tratamentos

Assumindo que você não é o gestor do processo que está sofrendo da síndrome, os tratamentos a seguir podem ajudar a reduzir os sintomas e a motivar um esforço maior de cura:

  • Entregas contingenciais – Sem recursos adicionais, e encolhendo o prazo, reduzir o escopo é o caminho que pode evitar prejudicar completamente a qualidade. O relatório urgente solicitado não necessariamente precisa ter todas as informações e refinamentos que um documento preparado no prazo normal teria. Ofereça minimalismo até que seja possível voltar ao escopo completo (ou que os envolvidos descubram que o modelo mínimo é suficiente).
  • Urgências classificadas – Se você recebeu mais de uma urgência para tratar, e se há um gestor superior envolvido no processo, é ele quem deve dizer em que ordem elas devem ser atendidas, e se responsabilizar por essa classificação. Com sorte, ao atender ao seu pedido de classificar, ele também reduzirá a prioridade de algum item. E se o gestor responsável se recusar a realizar essa classificação, ou não permitir que a equipe solicite isso a ele, aí a síndrome que o seu processo vive não é a da urgência permanente, é outra.
  • Origens identificadas – Mesmo que você precise realizar as entregas correspondentes a ambas, são completamente diferentes entre si as urgências nascidas da ansiedade ou pressa pessoal de algum VIP organizacional, e as que vem de riscos diretos aos objetivos organizacionais. A forma de tratar cada categoria depende do contexto (seu e da organização), mas perceber a diferença pode ajudar a identificar onde colocar mais pressa e onde colocar mais atenção.
  • A estratégia de dizer não. Nem sempre está ao alcance, mas às vezes o que cabe é ser direto e falar sobre impactos e resultados do que está sendo pedido. A decisão de assumir os custos e riscos de continuar em frente tende a ser a mais comum, mas a ausência completa de oposição acaba contribuindo para tornar permanente a crise de priorização.

As urgências constantes desgastam o senso de prioridade e, a longo prazo, acabam desviando critérios de avaliação sobre a qualidade dos serviços prestados por um profissional ou equipe.

E, assim como acontece se um prédio testa todos os dias o seu alarme de incêndio, o uso contínuo desse recurso gera dessensibilização, e quando surge uma emergência real, a reação não será a necessária. Independente da sua posição na organização, procure sempre ser uma força de prevenção à síndrome da urgência permanente, e uma voz a favor da priorização racional dos esforços!

Equipes em que queremos estar: 4 requisitos e um grande diferencial

Não é sorte, nem a presença de um time de estrelas: queremos equipes com clareza de papeis, propósito bem definido, e segurança para perguntar e propor.

É difícil reunir uma amostra grande o bastante para pesquisar o que diferencia uma equipe comum de uma equipe brilhante, mas uma gigante da tecnologia consegue, e chamou especialistas para fazer. Como você verá a seguir, o resultado dessa pesquisa é útil também nas equipes de organizações menores, e até em equipes escolares, grupos sociais e outras iniciativas coletivas – inclusive as suas.


Ilustração de um microscópio observando a reunião de uma equipe.

O estudo foi conduzido pelo MIT, durou 2 anos, e observou 180 equipes diversas, tentando responder a uma questão central: por que algumas equipes chegam ao sucesso consistentemente, enquanto outras falham e se desfazem?

A dinâmica é mais importante do que o brilho individual, e depende de habilidades que emergem da própria colaboração e são adotadas tacitamente.

A premissas anteriores eram de que havia algum indicador objetivo que pudesse ser identificado e maximizado, ou de que o fator essencial seria reunir equipes compostas por estrelas: especialistas nas diversas áreas de interesse, facilitadores do trabalho em conjunto, etc. – mas o estudo apontou algo diferente.

A conclusão foi de que a dinâmica formada era mais importante do que o brilho individual dos integrantes, e dependia da inteligência coletiva, formada a partir da soma das habilidades que emergem da colaboração, e que frequentemente são tácitas, ou seja, não são algo normatizado ou combinado expressamente.

Quatro características relativamente frequentes

O que o estudo revelou é que as equipes mais bem-sucedidas tinham 5 características em comum, das quais 4 são relativamente fáceis de encontrar ou promover:

  1. Responsabilidade mútua: os integrantes valorizam fazer as entregas no prazo, e atendendo ao escopo combinado.
  2. Clareza de papéis: o que cabe a cada integrante está bem definido e é compreendido por todos, eliminando conflitos de atribuições, esforços duplicados, e áreas descobertas.
  3. Propósito percebido: há conexão entre as entregas da equipe e os valores individuais dos integrantes.
  4. Impacto validado: os integrantes e os gestores superiores compartilham uma visão em que os resultados da equipe contribuem para um objetivo superior.

Note que dizer que essas características são relativamente frequentes não equivale a dizer que são onipresentes. Feliz de quem trabalha em equipes assim, e de quem conta com gestores que valorizam e promovem essas características!

A quinta característica é um diferencial mais raro

Já a quinta característica, que provou ser o mais importante diferencial, é fácil de descrever – e às vezes surge até espontaneamente –, mas é difícil de promover e sustentar de maneira intencional e formalizada, o que a torna ainda mais valiosa, quando presente:

  1. Segurança psicológica: as pessoas se sentem genuinamente livres e seguras para fazer perguntas complexas, sugerir novas ideias ousadas e expor opiniões divergentes sem qualquer medo de sofrer retaliações ou julgamentos negativos, seja de seus pares ou de gestores externos.

Esse cenário de segurança psicológica é aquele em que tanto os gestores quanto os integrantes da equipe oferecem espaço e liberdade para que todos baixem a guarda e se sintam seguros para expressar as suas propostas e questionamentos sem julgamento.

Discursos de inovação não bastam: perguntas difíceis e propostas divergentes precisam ser valorizadas, e não meramente rebatidas.

O valor desse tipo de ambiente seguro é evidente para quem já viveu situações organizacionais em que não há a liberdade prática de ter novas ideias. Discursos valorizando a inovação não bastam: é necessário deixar nascer e crescer um ambiente em que perguntas difíceis e propostas divergentes são tratadas de forma desarmada, e valorizadas como parte do processo de criação, e não como algo a ser desestimulado, ignorado, ou rapidamente rebatido, mesmo que de forma superficial.

E esse foi o ponto que a pesquisa sublinhou: equipes em que se forma esse tipo de ambiente seguro para a expressão de seus integrantes tendem a fazer mais entregas, entregas melhores, e também a reter seus integrantes por mais tempo, porque as pessoas valorizam entrar e permanecer nelas.

Como se vê, a pesquisa nos trouxe 4 características relativamente fáceis de desenvolver, e cada uma delas representa uma boa meta para formar grupos em qualquer ambiente: profissional, acadêmico, social, esportivo e mais.

Já a quinta característica, que é rara, representa um diferencial valioso, que merece ser perseguido, criado, mantido e expandido, pois as equipes cujos integrantes se sentem seguros para perguntar e propor são as equipes que duram e entregam mais.

Aprendendo com a geração Z: quando não basta dizer “não”

Recusar com firmeza e sem culpa deixou de ser grosseria para se tornar uma habilidade de sobrevivência no século XXI.

No sentido pessoal, o conceito de Efetividade também diz respeito a ter atitude, e isso inclui priorizar aquilo que faz diferença para os resultados que queremos alcançar, mesmo ao custo de recusar outras oportunidades (que em geral correspondem a prioridades de outras pessoas).

Cada vez mais tem ficado evidente que o século XXI exige saber definir e preservar nossos limites.

A primeira vez que tratamos por aqui sobre o assunto "dizer não" foi em 2009, com dicas sobre como fazer isso de maneira profissional, com firmeza e sem se colocar como vítima – nem no discurso, nem na prática.


Foto de uma mulher com a mão espalmada, em atitude de recusa

Desde então, cada vez mais tem ficado evidente que o século XXI exige saber definir e preservar nossos limites, portanto voltaremos hoje ao tema, mas indo um passo além: listando atitudes que nossos avós chamariam de falta de educação, mas hoje são preservação do nosso espaço.

A geração Z já nasceu sabendo de tudo isso, mas quem nasceu no século XX possivelmente precise fazer um curso de reciclagem sobre algum desses hábitos:

  1. Sair da festa quando a energia mental esgota, sem fazer uma turnê de despedidas e explicações.
  2. Não responder a mensagens que chegam em horários absurdos.
  3. Responder "não estou confortável com isso", sem achar que demanda explicação adicional.
  4. Declinar um convite invasivo, sem propor outra data ou dar justificativa.
  5. Se afastar da pessoa que te chama de egoísta quando você não se desdobra para ser conveniente.
  6. Sair do grupo em que é normalizado expressar coisas que ofendem ou comprometem.
  7. Ter uma existência que te satisfaz mesmo sem ser considerado útil ou oportuno pelos outros.
  8. Não estar interessado em agradar quem exige algo em troca de te tratar com respeito.

Eu já sou campeão na 1 e na 6, mas tem várias em que ainda preciso praticar muito pra evoluir e internalizar.

Quais você acrescentaria a essa lista?

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