Organização • Produtividade pessoal • Atitude
Efetividade20 ANOS Agenda em dia e caixa de entrada vazia

Não desestimule o comportamento que você deseja ver

Reagir com ironia ou cobrança aos progressos destrói a motivação e cancela a evolução.

Além de fortalecer relações saudáveis, trata-se de uma questão de interesses em comum: quando você testemunha uma evolução no comportamento de alguém, a melhor reação é o feedback positivo, desarmado e sem ressalvas. Deixe os apontamentos e sugestões para outro momento!


Foto de uma mulher com expressão de desalento

Falo por mim: nada esvazia mais a minha motivação por contribuir, do que descobrir que o sucesso e o fracasso recebem a mesma reação.

Quando o sucesso e o fracasso recebem a mesma reação, a evolução é cancelada.

Celebrar pequenos avanços, sem cobranças ou ironias comparando com o histórico, é a maneira sustentável que temos para consolidar as mudanças que desejamos ver. O acolhimento genuíno ajuda a transformar o esforço inicial em um hábito duradouro e saudável, enquanto a reação negativa ou acompanhada de críticas o desestimula.

Muitas vezes, sabotamos o progresso alheio ao punir o sucesso com sarcasmo ou crítica inoportuna. São frases comuns, como: 1. "Olha quem finalmente resolveu aparecer!"; 2. "Até que enfim! Por que não faz desse jeito desde sempre?"; 3. "Adorei teu relatório sobre a Antártida, só faltou falar um pouco da Suiça". Todas elas desestimulam a evolução.

“Celebrar” uma conquista apontando o tempo que ela levou para acontecer pune quem se esforçou.

Mudar essa atitude exige empatia, percepção do alinhamento entre nossas reações e a evolução que desejamos, e esforço consciente. É fundamental dissociar o mecanismo do elogio dos outros 2 componentes comuns: os impulsos irônicos e a pressa de indicar oportunidades de melhoria. O foco precisa estar totalmente no presente, deixando para outro momento as falhas passadas e as oportunidades futuras.

Se você estiver em posição de liderança, o compromisso com o reforço positivo é ainda maior, e demanda treinar seu olhar para identificar o momento exato em que o outro se esforça. Respire fundo e substitua a cobrança automática por validação silenciosa e acolhedora, até que a dinâmica possivelmente evolua a ponto de sustentar também, sem perdas (e de forma recíproca) as tentativas de humor e as críticas que acompanhem os elogios.

Comentários irônicos disfarçados de brincadeira podem soterrar os primeiros passos de quem tenta mudar.

O resultado é um ambiente seguro, onde as pessoas confiam umas nas outras, e sabem que tentar vale a pena, e evoluir é apreciado. O progresso avança espontaneamente onde afastamos o medo da rejeição ao avanço do primeiro passo.

Em terra de prompts, quem tem autenticidade é rei

Nunca foi tão valioso ir direto ao ponto e se expressar com a sua própria voz.

Autenticidade tem valor e, como tudo que tem valor, fica mais cara quando se torna escassa.

Já há serviços e tutoriais sobre como inserir erros e maquiar textos gerados a partir de prompts.

Pela minha formação e profissão, fui treinado ao longo de anos para ser capaz de ir direto ao ponto, dizer no primeiro parágrafo o meu argumento principal, e transmitir uma ideia completa e fundamentada em apenas uma página, escrita em 20 minutos ou menos.


Mulher cansada se prepara para dar uma martelada na tela do computador

Quem dá presente bom não precisa de embrulho vistoso: o que vale é o argumento forte e a proposição que inspire o convencimento, não os floreios. O texto fica com a minha voz, não há espaço para filtrá-la. Esse era o exercício constante, em várias cadeiras, na minha graduação. Nem sempre eu pratico, mas quando posso, é o que eu prefiro.

Quem dá presente bom não precisa de embrulho vistoso: o que vale é o argumento forte e a proposição que inspire o convencimento, não os floreios.

Por outro lado, a fase inautêntica que vivemos como sociedade do conhecimento chegou ao ponto em que hoje já há serviços e tutoriais sobre como inserir erros e maquiar textos gerados a partir de prompts, para que eles se pareçam menos com um filho de chocadeira.

Mas nenhum desses tutoriais é capaz de ampliar a profundidade e remover a solidez de isopor e o sabor aguado, e continua sendo amargo o gosto de perceber que alguém preferiu não ter o trabalho de escrever a mensagem de boas-vindas ou de parabéns, que a o discurso de agradecimento se aplicaria igualmente a qualquer outra pessoa ou situação, ou que a apresentação de valorização da equipe usa platitudes e fotos de equipes genéricas, e não das pessoas que se quer valorizar.

Não existe absolutamente nenhuma hipótese em que eu vá preferir receber um texto seu modificado por um prompt.

Falando por mim mesmo, a verdade é que se você vai usar um prompt de duas linhas para gerar um texto de 5 parágrafos e me mandar, eu preferiria receber o prompt, sério mesmo. E não existe absolutamente nenhuma hipótese em que eu vá preferir receber um texto seu modificado por um prompt. Acredite, eu vou aproveitar muito melhor o original.

E isso se multiplica quando a pessoa usa um prompt para tornar mais volumoso um texto original – que continua com conteúdo insuficiente, mas agora diluído e mais prolixo.

Não faz sentido um discurso de agradecimento ter consistência de isopor, ou a apresentação de valorização da SUA equipe usar imagens representando equipes genéricas.

Tenho certeza de que não sou o único, e que mesmo muitas das pessoas que colecionam prompts matadores para transformar o texto em alguma coisa que consideram superior aos seus originais preferem receber dos outros os seus textos originais.

Sério, manda o original autêntico e conciso! Se precisar passar por um filtro de máquina, a gente mesmo filtra…

Expectativas que deviam ter ficado no século XX: 4 coisas que você não deve mais a ninguém

Algumas atitudes, quando oferecidas, são demonstrações de cuidado – mas se forem demandadas, invadem e sobrecarregam.

Algumas expectativas formadas a partir de costumes do passado não tem mais lugar no mundo atual, e precisam ser vistas como anacronismos a serem descartados – afinal, já concluímos os primeiros 25% do século 21, e temos vários requisitos novos a atender.


Mulher fazendo o gesto de pedir um tempo

Ter consciência da lista é um primeiro passo para se movimentar na direção de poder praticá-la, mesmo que às vezes a transição seja espinhosa e exija planejamento cuidadoso de modo a evoluir na relação sem renunciar a ela.

1 - Acesso contínuo e atendimento imediato

A não ser que esteja combinado e explicitado (aí passa a ser normal, nos termos do acordo), a urgência alheia não cria essa obrigação – que é rara, valiosa, custa caro e merece ser reconhecida, quando presente.

Uma das liberdades mais básicas é o direito à privacidade, que depende inclusive de dispor de seu próprio tempo, e de decidir quem pode estar presente no seu espaço.

2 - Necessidade permanente de ir além do combinado

A expectativa de que uma pessoa justifique sua recusa em ir além do combinado é um desequilíbrio.

Não significa ser inflexível: escolher ceder uma vez é normal, renegociar acontece, e o andar da carroça acomoda as melancias.

Mas se a expectativa é que sempre um mesmo lado ceda, e que o outro lado possa tomar decisões assumindo que isso vai acontecer, há algo profundamente desajustado na relação.

3 - Discurso de ~Positividade

A tentativa de evitar que a pessoa expresse as dores, mágoas e riscos que percebe, a não ser que as mascare como se fossem o oposto, ou que relativize comparando com algo ainda pior, é algo que limita a comunicação, além de impedir várias formas de regulação.

E pontua (negativamente) em dobro quando essa atitude parte de uma posição privilegiada, de uma atitude de negação, ou de uma expectativa de que a pessoa passe pelas mesmas adversidades que alguma outra pessoa passou.

4 - Gratidão pelo que te prejudicou

Cuidado quando te trazem a ideia de que o sofrimento foi um aprendizado, que te fez mais forte, que no fundo foi uma oportunidade, e que vai se encaixar em um plano superior.

Não porque não possa ser, mas porque a gratidão caberia por ter sido poupado de ser prejudicado, e mesmo assim ter tido o aprendizado, o desenvolvimento, a oportunidade, e o pertencimento em um plano superior.

Se isso veio em troca de prejuízo, o que cabe não é gratidão – afinal, foi pago.


O grande problema é a dissonância que isso causa, quando existe a expectativa de manter modelos de relacionamento (profissional ou interpessoal) formados a partir dessas expectativas antiquadas.

Evoluir nesse sentido tende a expor limites que geram conflito, e merecem ser planejados com cautela, caso o interesse seja preservar a relação.

São só 7: os ingredientes de um plano feito para dar certo caberiam em um tweet

Se um plano gabaritar esses 7 quesitos, ele está destinado ao sucesso – e para os demais, a lista ajuda a identificar onde começar a ajustar.

Seja pessoal ou profissional, local ou global, estratégico ou operacional, um plano feito para dar certo reúne as 7 características a seguir:

  1. Claro
  2. Adaptável
  3. Equilibrado
  4. Alinhado
  5. Constrói seu impulso
  6. Valoriza os pontos fortes
  7. Considera os recursos

A lista é tão curta, que caberia em um tweet: são só 106 caracteres.


ilustração mostra uma mulher digitando em um laptop no chão

Estratégia é um caminho escolhido para levar a um ponto em que se deseja chegar, e o sucesso do plano correspondente não depende só de as escolhas estarem corretas, mas também de as condições se desenvolverem da forma que permita a sua execução (com ou sem ajustes).

É importante observar que nem sempre o plano é elaborado em condições ideais, e frequentemente eles emergem de condições restritivas – portanto, ao usar esses quesitos para analisar uma estratégia, tome o cuidado de evitar considerar que eles sejam suficientes para algo também sobre quem a elaborou!

Para verificar se a sua estratégia atende aos 7 quesitos, avalie:

  1. Clareza: as pessoas conseguem descrevê-la? Lembram dela? Sabem como ela se aplica ao seu papel na execução? Sabem que ela existe?
  2. Adaptabilidade: ela permite ajustar os rumos para fazer frente aos desafios do ambiente, sem ter que passar por um processo complexo de aprovação? A estratégia não deve ser omissa, mas também não pode fazer com que o piloto do barco tenha dúvida sobre poder contornar a tempestade inesperada, por saber que é obrigatório cumprir o trajeto selecionado na semana anterior.
  3. Equilíbrio: ela considera o valor que vai ser produzido, as expectativas de quem vai receber seus resultados, o esforço que vai ser necessário, e os recursos, motivação e conhecimento necessários à sua execução? Nenhum degrau dessa pirâmide pode ficar de fora!
  4. Alinhamento: é visível a forma como a execução da estratégia alcançará os objetivos selecionados, cumprirá a missão e levará ao ponto que ela foi escolhida para alcançar?
  5. Construção de impulso: ela considera que a equipe precisa de tempo para acelerar? Ela permite desenvolvimento e ajustes conforme as equipes aprendem e ganham prática? Ou tem expectativa de rendimento máximo e constante desde o primeiro mês? Idealmente as metas desafiadoras devem ser alcançadas um passo de cada vez, mas o tamanho da passada vai aumentando ao longo do tempo.
  6. Valorização dos pontos fortes: ela considerou de forma realista os diferenciais positivos existentes? Ou se baseou em uma tentativa de replicar as forças de outra entidade, ou mesmo de superar os pontos em que mais temos tido dificuldades? A estratégia vencedora acelera com base nos pontos fortes, e tenta se manter distante dos pontos fracos, enquanto promove o desenvolvimento que permitirá superá-los.
  7. Consideração dos recursos: a execução cabe no cronograma e no orçamento? Considera as outras coisas que estarão em andamento no mesmo período? Usa competências presentes nas equipes envolvidas? Conta com os recursos de automação adequados? Inclui um plano para preencher a tempo os déficits nesses itens?

Pontuando em todos os itens acima, e considerando que a elaboração do plano correu a partir de levantamentos de dados, e não de expectativas ou impressões, teremos em mãos uma estratégia feita para dar certo.

Você não se sente pronto porque prontidão não é um sentimento, é uma decisão

Às vezes eu tenho a sensação de que o post inteiro já está dito no título, e hoje é o caso: não há nem muito o que explicar, a gente está pronto quando decide que chegou o momento, já que as condições perfeitas e o momento ideal nunca chegam.

A confiança nasce de validar sua capacidade de ir em frente, não de achar que já tem tudo que precisa pra chegar ao final.

Como jamais sabemos o quadro completo, de onde a gente tira a confiança necessária para decidir que está pronto? Falo por mim, mas para mim o que funciona bem é procurar o ponto em que eu sei o suficiente pra fazer boas escolhas conforme a situação se desenrola.


uma surfista olhando para o mar em busca da série de ondas certas

Claro que algumas escolhas exigem (e merecem) menos margem de erro, mas para boa parte das coisas que nos paralisam no dia a dia há oportunidade para avançar quando percebemos o momento oportuno, mesmo antes de ver a garantia da solução perfeita – desde que estejamos dispostos a aceitar e corrigir os erros, e a aprender com eles para não repeti-los.

Grandes inventores entraram para a História porque estavam dispostos a aceitar e corrigir seus erros, e a aprender com eles para não repeti-los.

O conceito de qualidade nos engana quando faz rejeitar a possibilidade de errar.

Na vida real, a excelência é construída a partir de esforços imperfeitos, consistentemente aperfeiçoados, e a qualidade é medida de várias formas, inclusive pela adequação ao uso e pelo atendimento ao especificado – zero defeitos é algo a ser perseguido em processos já maduros e documentados, não a cada decisão criativa, inovadora e em condições incertas.

A excelência é construída a partir de esforços imperfeitos, consistentemente aperfeiçoados.

Portanto, chega de esperar a hora certa e o medo passar – se ele chega a passar, quer dizer que a hora certa já ficou pra trás há muito tempo. Decida agir, e avance para o ponto em que poderá tomar a próxima decisão!

Não é errado se sentir mal após tomar a decisão certa

Sentir-se mal após tomar a decisão correta não indica que ela estava errada.

Esse desconforto que persegue quem não se omite ao decidir é normal, e saudável, por mais que se tenha a máxima certeza possível sobre a decisão tomada: indica que temos consciência das conseqüencias, e temos empatia por quem será atingido de maneiras indesejadas.


Uma pessoa que se defronta com a escolha entre 2 caminhos

Ou seja: quanto mais percepção das conseqüências, e quanto mais empatia, maior o custo de tomar decisões firmes. Afinal, como dizem, a cada escolha, uma renúncia – e frequentemente a escolha que sabemos estar certa é aquela que desejamos que não estivesse.

Só porque uma escolha é a mais sólida, ou é a necessária para o seu crescimento, não significa que será indolor ou trará conforto no curto prazo.

A sensação desagradável trazida por uma decisão firme é especialmente comum quando ela vem associada a se afastar daquilo que nos é familiar, traz junto as dores do crescimento, ou envolve algum tipo de luto pelo que será afastado de nós em razão das consequências.

Quando essa agonia inevitável lhe atingir, e você se perceber pensando que outra decisão que você tomasse teria sido melhor, lembre-se que você decidiu com as informações e sentimentos que tinha naquele momento, e que é impossível saber qual teria sido o resultado da sequência de ações desencadeadas se a decisão tivesse sido outra – certamente seria diferente, mas a certeza de que teria sido melhor, ou pior, quase sempre é ilusória, e se baseia em eventos que não estavam definidos no momento da tomada da decisão.

Quanto mais percepção das conseqüências, e quanto mais empatia, maior o custo emocional de tomar decisões firmes.

Ao mesmo tempo, não deixe de acolher a sua sensação – afinal, da mesma forma que ela não invalida a decisão, o fato de a decisão estar certa não invalida o seu sentimento a respeito.

Negar isso, ou tentar racionalizar e silenciar a percepção do impacto que a decisão tem sobre você, são atos que dificultam a cura, e só aumentam o custo emocional de tomar decisões.

Artigos recentes: