Emagrecer correndo com saúde: seu smartphone pode ser um aliado

Que tal usar seu smartphone para acompanhar a melhoria do seu desempenho na corrida, bike ou caminhada?

Se você caminha, corre ou pedala na intenção de ter uma vida mais saudável, perder peso ou evitar os males do sedentarismo, deve saber que o período mais difícil são as semanas iniciais, quando ainda se está formando o hábito e adaptando-se ao novo ritmo.


O mais difícil é criar o hábito

Quem está passando por esta fase geralmente morre de inveja dos conhecidos que já estão habituados e contam as maravilhas à disposição de quem já criou o hábito do exercício.

Chegar a este ponto não é extremamente difícil, mas envolve uma série de obstáculos. Alguns são melhor tratados por um profissional da área, que poderá indicar os procedimentos, roteiros e avaliações a que você deverá se submeter.

Mas um deles em especial está bem ao seu alcance: é a questão da motivação. Já tratamos do assunto antes, falando de questões como metas, objetivos e recompensas. Para facilitar o entendimento, vou reproduzir alguns trechos:

  • Fixe metas: Mas não as baseie no resultado (como o nível de perda de peso ou de ganho de músculos, por exemplo), e sim no processo em si: quantas vezes por semana praticar, quanto tempo correr, quantos quilômetros percorrer, quanto peso erguer, etc. Estabeleça recompensas para si próprio ao alcançar as metas. As metas estimulam a prosseguir, e você logo estará concorrendo contra si mesmo, de maneira positiva, para quebrar seus índices anteriores.
     

  • Registre indicadores: Não adianta ter metas se você não registrar seus resultados diários. Anote tudo sempre, de preferência no mesmo papel (ou planilha) em que registrou quais são as metas.
     

  • Equipamentos são recompensas: Não compre os melhores equipamentos logo na primeira semana. Se você tem os recursos para comprá-los, comece com os que já tiver à mão, e combine consigo mesmo ir comprando os melhores conforme for superando determinadas metas. Você irá perceber que dá mais vontade de alcançar logo a marca de 12km diários para “poder” comprar o ténis novo, ou um MP3 player especial para esportistas.

Se você tem um smartphone e pode levá-lo consigo durante a prática do exercício, a questão dos indicadores pode ficar muito bem resolvida com a instalação de um aplicativo no estilo ‘sports tracker‘. Há várias opções, e muitas delas são gratuitas. Veremos a seguir os detalhes de uma delas.

Entra em cena o Endomondo

Eu ando de bicicleta e caminho, mas bem menos regularmente do que gostaria. Há tempos queria definir metas semanais baseadas em quilometragem mas, compulsivo que sou, me incomodava a imprecisão das medidas das caminhadas, pois geralmente tênis não tem odômetro ;-)

Acabava usando as voltas de bike para definir trajetos fixos para as caminhadas, medindo previamente as distâncias com o odômetro da bike. Mas trajeto previamente fixado acaba tirando um pouco da graça do exercício, e as tentações para se afastar do caminho, como uma pitangueira carregada ou um cão com cara de poucos amigos, sempre se fazem presentes.


Duas telas do Endomondo no celular

Foi essa a demanda básica que me levou a começar a levar o smartphone nas caminhadas. O meu aparelho (como ocorre com vários outros da mesma geração) tem GPS integrado, e isso permite que aplicativos do tipo ‘sports tracker‘ façam um acompanhamento do trajeto do exercício, e calculem a distância total percorrida, a velocidade média e até (se você tiver o hardware associado) a frequência cardíaca, o número de passadas e a estimativa de consumo calórico.

Entre as diversas opções disponíveis, escolhi o Endomondo, que tem versões para aparelhos Nokia, HTC, IPhone, BlackBerry, Android, Samsung, Sony Ericsson, LG, HP, Eten, Palm, Motorola e Garmin.

Mas o que me levou ao Endomondo (saber a distância percorrida) é bem menos do que ele faz, pois ao final de cada exercício ele transfere os dados para o site Endomondo.com onde, com minha senha gratuita, tenho acesso a grande quantidade de informações adicionais.


Na imagem acima você vê os dados de uma de minhas caminhadas recentes, incluindo a distância, duração, velocidades média e máxima. Frequência cardíaca e estimativa de calorias estão em branco, porque não tenho o sensor necessário. Já é bem mais do que saber apenas a distância previamente estimada, certo?

Mas o Endomondo (como vários dos seus similares) vai bem além. Na imagem acima você vê a mesma caminhada dos dados anteriores. Ela foi parcialmente realizada na beira do mar em Jurerê, como pode ser visto nos dados do GPS que são traçados sobre um mapa do bairro, obtido automaticamente no Google.

No mapa acima, note que a intervalos regulares há círculos numerados. Eles são marcos dos quilômetros do percurso, e ao pairar o cursor do mouse sobre eles, é exibida uma pequena janela com a informação da velocidade média alcançada especificamente naquele quilômetro, o que me permite, por exemplo, comparar a velocidade dos trechos de asfalto com a dos trechos de areia da praia.

Além disso há recursos de definir trajetos, exibir num calendário as atividades realizadas, ver um gráfico da evolução do desempenho ao longo do tempo, e uma série de recursos “sociais”, como convidar e desafiar os amigos para uma corrida, compartilhar os resultados com os amigos, etc. – mas até o momento eu não uso nada disso, e já estaria satisfeito mesmo se ele só fizesse os serviços que mencionei nos parágrafos anteriores.

Motivação via fones de ouvido

Enquanto eu caminho ou pedalo, o mesmo smartphone que está rodando o Endomondo (que fica mostrando na tela o tempo, velocidade média e distância percorrida, mas permitiria também visualizar o mapa, se fosse o caso) também fica tocando músicas de uma playlist que preparei especialmente pra isso, só com músicas de ritmo acelerado (ou seja: BPM elevado), para ajudar a estimular o ritmo das passadas ou pedaladas.


Uma forcinha auditiva

Mas aí o Endomondo também dá uma forcinha extra: a cada quilômetro completado, ele se encarrega de reduzir o volume da música por alguns instantes e informar, com uma voz em inglês, o tempo total decorrido e também o tempo que eu levei para completar o último quilômetro, e depois reativando a música normalmente. Assim fica fácil perceber se estou num ritmo bom ou preciso dar uma acelerada, até porque é difícil ficar olhando pra tela.

Várias outras alternativas – o que você acha?

O Endomondo não é necessariamente a melhor alternativa para você, embora tenha sido o meu preferido.


O Cardiotrainer, só pra Android

Para ver algumas outras alternativas, este artigo do Lifehacker apresenta o próprio Endomondo, 3 outras alternativas similares e mais um aplicativo específico pra usar na academia.

Eu gostaria de saber a opinião de vocês. Você usa algum recurso digital para acompanhar seus exercícios? O que tem a nos contar sobre ele?

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A Essência do Líder: ganhe seu exemplar!

“A Essência do Líder” é uma daquelas obras que li como estudante de graduação e depois lembrei de procurar novamente quando a carreira profissional exigiu rever conhecimentos específicos.

Seu autor, Warren Bennis, é reconhecido como um dos pioneiros do moderno estudo científico da liderança, a partir de estudos comportamentais de grupos realizados no MIT, na década de 1960. Seus trabalhos ajudaram a fundamentar a transformação das organizações para o atual modelo menos burocrático, mais adaptativo e participativo.

Sua crença na superioridade do estilo de liderança participativo e humanístico quando se trata de criar grupos e organizações capazes de adaptar-se a um ambiente em constante mudança se reflete ao longo de “A Essência do Líder”.

Acredito, entretanto, que muitos leitores tiram melhor proveito da obra devido a outro dos posicionamentos do autor: o de que as pessoas não nascem líderes, mas sim se desenvolvem como tais. Feliz de quem tem oportunidade de desenvolver suas competências de liderança antes de precisar usá-las intensivamente, mas em todas as organizações coletivas humanas podemos ver os 2 extremos da consequência desta definição: pessoas em posição de liderança mas inaptas para liderar, e pessoas reconhecidas espontaneamente como líderes no momento em que surge a oportunidade.

Assim como não é possível aprender a andar de bicicleta lendo obras de referência sobre o assunto, sou cético quanto à possibilidade de alguém fazer surgir desse jeito a sua própria capacidade de liderar.

Mas um bom livro sobre o assunto (e é o caso) pode ajudar de outra maneira. Conhecer as características, habilidades e atitudes típicas da liderança, ver detalhes de exemplos de líderes (de áreas variadas: da TV à pesquisa da cura da AIDS, passando pela indústria tecnológica, movimentos sociais e mais), e saber mais sobre os passos que usualmente conduzem ao desenvolvimento da liderança pode ser bastante útil como complemento e guia para quem esteja sentindo a necessidade de trilhar este caminho, ou mesmo aprimorar a forma como lida com sua equipe e outras interações – e assim saberá melhor orientar a sua prática.

Esta é a tradução da versão comemorativa de 20 anos da obra considerada um clássico sobre o tema. A presença de exemplos parcialmente datados não prejudica a compreensão, ainda mais considerando que o tempo não desgasta elementos básicos como:

  • a confiança em sua própria visão
  • o autoconhecimento
  • a busca dos mentores certos
  • a compreensão clara de objetivos
  • a capacidade de aprender com os erros e acertos
  • a diferença entre comandar e liderar

O título original (“On becoming a leader”) deixa mais clara a intenção do autor, que é realmente apresentar o caminho do desenvolvimento da liderança, em um texto didático e fácil de acompanhar. São 248 páginas repletas de conhecimento prático bem fundamentado academicamente, e eu recomendo!

Ganhe seu exemplar!

Atualização: os nomes dos ganhadores já estão publicados. Os termos da promoção encerrada, abaixo, continuam publicados apenas para propósitos históricos.

Graças ao apoio da Editora Campus Elsevier, vou sortear 3 exemplares entre vocês. Participar é muito simples: basta seguir o @efetividadeblog no Twitter e twittar a seguinte frase:

Estou concorrendo aos 3 livros de liderança da @CampusNegocios que o @efetividadeblog vai sortear: http://efetividade.net/?p=3076

Você tem até terça-feira (31/8/2010) para twittar a frase, e o resultado sairá no dia 1 de setembro em uma atualização deste post.

Os vencedores serão informados via Twitter, e terão 3 dias úteis para enviar, pelo formulário de contato do site, seu nome, e-mail e o endereço postal no Brasil (com CEP!) para onde a editora deverá enviar seu livro.

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Já chegamos na metade do ano: 3 dicas para um segundo semestre mais efetivo

Acabamos de iniciar a segunda metade do ano, e agora é ladeira abaixo: daqui a pouco começa a primavera, tem as eleições, e quando você perceber, já estará na semana espremida entre Natal e Ano Novo, pensando em quanta coisa desejou fazer mas… não teve tempo.

Só que ter tempo para as coisas que desejamos não é apenas uma questão de circunstâncias: boa parte pode ser alcançada com a mistura certa de atitudes, planejamento, e capricho no ajuste das expectativas.


O tempo não desacelera

Como estamos em um marco importante do calendário, resolvi aproveitar as 3 dicas do Christian Barbosa, celebrado guru do assunto no Brasil, sobre como ir melhor no segundo semestre que já começou.

O texto em negrito é dele (compartilhado pelo twitter @christiantriad), e os comentários são meus. Vamos aos 3 itens:

  1. Qual a meta para o próximo semestre? (simples, factível e com plano de ação) – aqui foco é importante. Ter múltiplas metas gera mais complexidade na hora de gerenciar, mesmo que elas não sejam conflitantes entre si. Ter e perseguir uma meta principal para cada grande aspecto da vida (familiar, profissional, acadêmica, etc.), num período tão curto, me parece o ideal – outras metas devem ser reconhecidas como secundárias.
     

  2. O que você precisa parar de fazer pois não traz resultado alguma a sua vida? – para mim, essa questão do “fazer menos e fazer melhor” é essencial. Há as coisas que fazemos porque nos trazem bons resultados, outras que fazemos por obrigação, e outras que fazemos sem uma razão clara, e é nesse terceiro grupo que precisamos ficar atentos para eliminar o que não nos traz resultados e ainda exaure recursos que podiam ser melhor aplicados no primeiro grupo. Pense no que fez no primeiro semestre e corte algumas atividades no segundo!
     

  3. Reserve datas importantes para o semestre: checkups médicos, vencimento de documentos, férias, tempo para você, etc. – essa é operacional, mas o momento é oportuno: os problemas causados por compromissos inevitáveis, sejam bons ou ruins (dia de ir no DETRAN, no médico, na apresentação dos filhos na escola, etc.) ficam bem menores se você marcá-los na agenda com meses de antecedência e aí evitar de aceitar outros compromissos conflitantes.
     

Como você vê, são 3 dicas bem simples de entender. Para colocar em prática, como de hábito, vai envolver um pouco de atitude para transformar não apenas a sua rotina, mas até mesmo o ambiente ao seu redor, que costuma ser refratário a tentativas de preservar espaços na sua agenda para coisas que são importantes para você.

Mas se você não se esforçar, ninguém vai fazê-lo para você! Tenha um bom segundo semestre e lembre-se sempre: evite acidentes, faça de propósito!

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Escape de 3 armadilhas da produtividade pessoal

A busca da produtividade pessoal como solução para as demandas do exigente mundo moderno é uma resposta positiva para muitos de nós, mas o caminho até ela está repleto de armadilhas e desvios capazes de transformar vício em virtude – nao importando se você é um empreendedor individual em seu home office, um executivo, estudante, professor, integrante de equipe ou uma mistura dos papéis que desempenhamos todos os dias.


 

Uma causa comum é a visão isolada do conceito de produtividade, sem considerar conjuntamente o alinhamento aos objetivos, a qualidade do processo e dos produtos, ou mesmo os efeitos sobre a qualidade de vida dos envolvidos.

Outra causa que também ocorre é esquecer que produtividade é uma relação entre produto e insumos, e passar a medi-la apenas pela quantidade de saídas produzidas – sem considerar o custo ou o possível esgotamento dos meios e insumos, que – especialmente no caso dos empreendedores individuais e gestores – muitas vezes incluem em grande parte da capacidade do próprio agente em realizar seu esforço criativo.

As 3 armadilhas que veremos hoje, parecidas entre si mas com elementos diferenciais importantes, são grandes vilãs não apenas quanto a – após um período de aparente eficiência redobrada – impedir a obtenção continuada dos resultados desejados e também conduzir ao esgotamento ou burnout dos profissionais e empreendedores envolvidos.

Abraçar o mundo

Tentar abraçar o mundo e resolver ao mesmo tempo mais problemas do que se é capaz de gerenciar é uma receita de fracasso e esgotamento em qualquer contexto, mas se torna especialmente lamentável quando ocorre como resposta a uma demanda de ampliar a produtividade pessoal dos envolvidos.

Defrontar-se com um conjunto de tarefas que exceda a sua capacidade de produção é uma razão comum para buscar um ganho de produtividade, mas raramente – ao menos no sentido da produtividade pessoal – uma solução real e com qualidade permitirá de fato abraçar todos os problemas, pessoalmente e simultaneamente, realizando um esforço heroico e gerando satisfação a todos os clientes, com entregas no prazo e com qualidade.


Demarque seu limite

Pelo contrário: grande parte do que se exige de um profissional aspirante ao sucesso é saber dizer não ao invés de aceitar tarefas e demandas que não acresçam aos objetivos da organização, que atrapalhem outras tarefas mais importantes ou urgentes, ou que poderiam ser executadas com mais eficiência de outra maneira.

Quando alguém tenta ir além da sua própria capacidade real de produção, usualmente tem sucesso nisso durante um período inicial de aceleração, enquanto equilibra toda a carga e ainda consegue continuar avançando.

Mas logo começa a ser necessário fazer malabarismos, descumprindo alguns prazos, renegociando outros sem apresentar o motivo real, entregando resultados com menos qualidade, deixando de lado algum cliente importante (ou a família, ou as atividades pessoais) – acreditando que nenhum deles está percebendo.

Mas na prática todos, ou ao menos os mais importantes, estarão percebendo sim. E quando o limite de tolerância deles se esgotar e eles tomarem alguma atitude, possivelmente o efeito será pior (e menos reversível) do que se você tivesse adequado seu volume de trabalho desde o princípio, mesmo dizendo não a alguém sem desejar.

Não delegar

Delegar, no sentido mais comum em ambientes corporativos, é transferir a outra pessoa uma tarefa ou projeto, e passar a compartilhar com ela a responsabilidade pelo resultado.

Saber delegar é uma habilidade importante, mas envolve vários desafios, tais como:

  • quem delegou ter consciência de que retém a responsabilidade pelo resultado;
  • quem recebeu a delegação entender que compartilha esta responsabilidade;
  • transferir juntamente com a tarefa o poder de decisão necessário para executá-la;

e muitos outros. Mesmo quando você sabe delegar, um desafio sempre presente é dispor de pessoas a quem delegar com confiança.


 

A delegação ocorre em estágios ou níveis, sendo que o desejável usualmente é dispor de pessoas às quais você possa delegar no estilo “eis a tarefa – vá em frente, entregue o resultado, me comunique quando tiver concluído”.

Mas é raro dispor de uma equipe contendo pessoas assim que já chegam prontas – você precisa formá-las, começando pelo nível mais básico de delegação, que é o estilo “eis a tarefa, vamos ver isso juntos; me traga as informações e eu lhe orientarei passo a passo”.

O artigo “Delegação: Uma Auto-análise“, do GuiaRH, apresenta um modelo progressivo de 6 níveis de delegação que podem ajudá-lo a desenvolver este potencial na sua equipe.

Quando você não delega, ou delega só parcialmente, acaba retendo para si muitas tarefas repetitivas e menores que lhe tiram a possibilidade de dedicar mais tempo às tarefas mais importantes que contribuiriam muito mais para o resultado desejado.

E isso é muito mais triste quando ocorre pela preocupação oposta, que é a de que haja perda de produtividade se a tarefa não for concentrada integralmente em suas mãos.

No caso dos empreendedores individuais, a delegação propriamente dita pode ser impossível, mas da junção das 2 armadilhas (“não delegar” e “abraçar o mundo”) podemos tirar uma solução unificada: saiba fazer parcerias estratégicas ou reconheça que é melhor contratar de terceiros os serviços auxiliares cuja execução lhe tomaria parte valiosa do tempo que você faria melhor em dedicar ao núcleo de suas atividades.

O que, inclusive, nos leva à terceira e última armadilha:

Ser o homem dos 7 instrumentos

Em inglês existe um adágio que não tem similar nacional: “Jack of all trades, master of none“, que se aplica às pessoas que “conhecem” várias ferramentas, mas não dominam nenhuma delas.

Trabalhando com TI, muitas vezes encontrei este tipo de sujeito, que chega dizendo que “conhece de PHP”, “conhece de Java”, “já viu Oracle”, aí você pergunta o que ele sabe fazer, e ele responde: “tudo”. Aí pede pra ele fazer um aplicativo simples de cadastramento, dar manutenção num PC que não está dando boot, ou corrigir um erro de macro numa planilha de faturamento, e ele falha nos 3 testes, porque o conceito de “tudo” de quem pede e de quem oferece muitas vezes é diferente…


Essa seria sua escolha para fazer parte da sua orquestra?

Não há nada de errado em conhecer, acompanhar ou mesmo dominar múltiplas ferramentas, mas quando alguém que quer solicitar algo em que você tenha interesse for lhe perguntar o que você sabe fazer, é preciso haver uma resposta específica e que interesse a quem perguntou.

Mais importante do que isso, é preciso haver o domínio real das competências e ferramentas e necessárias para realizar esta atividade que está sendo proposta.

Ser generalista não é incompatível com isso, pois se refere muito mais à visão ampla ou ao entendimento dos diversos componentes de uma realidade, do que à capacidade de operar e realizar as atividades associadas a eles.

Há espaço no mundo para os homens dos 7 instrumentos, mas no que se refere à produtividade e ao desenvolvimento pessoal, todos saem ganhando quando eles atuam em projetos que exigem mais de um instrumento (metafórico, claro) ou técnica que eles realmente dominem, e aí chamem outras pessoas que dominem os demais 6 instrumentos.

Conclusão: Misturando tudo

A realidade, como de hábito, é mais difusa e imprecisa que qualquer descrição objetiva.

Considere o seguinte cenário e as alternativas abaixo, que se baseiam num exemplo real que conheço – mas no exemplo real, felizmente, os executivos em questão não caíram nas armadilhas, e souberam escolher alternativas que maximizaram o aproveitamento de suas habilidades:

Dois executivos, recém-saídos de uma grande empresa de distribuição de combustíveis, percebem a oportunidade de desenvolver um serviço on-line de cálculo de rotas para distribuição de cargas.

Um deles, que anteriormente atuou como Diretor Financeiro, fica responsável por nos próximos 30 dias obter financiamento bancário para a ideia, visitar as grandes empresas de logística da região para prospectar clientes, registrar uma empresa em nome de ambos, e desenvolver nome, marca, logotipo e website corporativo.

O outro, que foi Diretor de Engenharia, ficou responsável pelo desenvolvimento do serviço, e para isso comprou um servidor e um no-break, contratou a instalação de uma conexão dedicada em sua casa, e enquanto aguarda a entrega e instalação dos equipamentos e da linha, se dedica a aprender a gerenciar servidores Linux, administrar bancos de dados MySQL e programar em PHP, para poder começar a delinear seu aplicativo.

Em quais das armadilhas da produtividade os 2 personagens acima caíram?

a) Abraçar o mundo
b) Não delegar
c) Ser o homem dos 7 instrumentos

Acertou quem respondeu “as 3″ – considerando a questão da delegação como ela foi mencionada acima em relação a empreendedores individuais, claro.

Muitas vezes é difícil encontrar os limites entre as armadilhas. Eles não estão claramente demarcados, mas procurar por eles pode ser desnecessário – o importante é saber que as armadilhas estão no seu caminho e, como o folclórico canto da sereia, sabem disfarçar-se de forma atrativa, levando o marujo incauto a aproximar demais das rochas o seu barco.

Desviar delas requer conhecimento de suas próprias habilidades, investimento em desenvolver competências específicas, atenção ao foco e aos objetivos, e muita disciplina. Mas vale a pena: a persistência geralmente se traduz em resultados melhores, redução de desperdício (especialmente de esforço) e mais qualidade de vida para você!

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Agenda Ambiental: Como fazer

Agenda ambiental é um plano de desenvolvimento e interação que diagnostica e propõe soluções para uma população reduzir os impactos negativos que suas intervenções causam sobre o meio-ambiente.


Agenda Ambiental

A conservação do meio-ambiente e o desenvolvimento sustentável são temas cada vez mais frequentes, e uma das consequências comuns sentidas por organizações e coletividades é a expectativa crescente – por parte dos clientes, dos parceiros, do poder público ou de outros interessados – do desenvolvimento e execução de uma Agenda Ambiental, conceito alinhado ao da célebre Agenda 21 proposta (com escopo mais amplo) na conferência Eco 92, mas que pode ser implementado em variados âmbitos: a agenda ambiental de um país, de uma empresa, de um município, de uma escola, de um órgão público, de uma família, etc.

A efetividade das agendas ambientais existentes pode ser debatida a partir do seu conteúdo, ou mesmo dos resultados realmente alcançados por elas. Mas mesmo quando a redução dos impactos ambientais negativos é de pequena monta, é frequentemente empregado o argumento de que o próprio processo de construção e divulgação da agenda ambiental de um grupo ou organização contribui para a conscientização sobre a importância da sustentabilidade e tem efeitos secundários positivos.

Mas debater a efetividade das agendas ambientais está fora do nosso escopo de hoje, pois a intenção deste artigo é bem mais modesta: apresentar um modelo simplificado de como fazer agenda ambiental, para você empregar na sua organização ou coletividade – preferencialmente com o apoio de uma consultoria versada em ISO 14000 ou de alguma organização voltada à promoção da sustentabilidade.
» Leia o restante do artigo “Agenda Ambiental: Como fazer”

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Meus primeiros bons livros de 2010 – e um convite: sugiram leituras de verão!

2010 já está encaminhado: o primeiro mês do ano está perto de acabar. Como já fiz em anos anteriores, reduzi o número de posts por aqui (e vou voltar ao normal gradualmente) porque as estatísticas do servidor indicam que este é o melhor mês do ano para eu tirar férias, já que o número de leitores cai de forma espantosa (e normaliza, subitamente, na semana após o carnaval).

Aproveitei o tempo extra à minha disposição para fazer bastante atos de efetividade para a minha qualidade de vida: ir à praia, praticar com a guitarra, jogar videogame, conviver em família, e muito mais. E também tive oportunidade de dedicar algumas horas a mais a um de meus passatempos favoritos: a leitura, tão necessária para eu ter o que usar para temperar o que escrevo para vocês no restante do ano…

Como acredito que muitos de vocês também estejam com tempo livre, vou aproveitar para compartilhar com vocês minhas impressões sobre o que eu li desde a última semana de dezembro, na expectativa de que vocês retribuam a gentileza sugerindo também algumas leituras para nós todos nos ocuparmos nas horas livres – especialmente as que vão de agora até o carnaval, quando o ano realmente começa ;-)

Primeiro os nem tão bons

Divulgar uma opinião negativa sobre um livro pode ser uma descortesia com o autor ou a editora, mas beneficia os potenciais outros leitores que se baseiem pelos mesmos critérios (e claro que todos são livres para discordar da opinião alheia).

Mas devo ser claro: não recomendo a ninguém a leitura de “O que acontece quando morremos“, de Sam Parnia (editora Larousse). A premissa é bem interessante: um médico que estudou as declarações de quem teve experiências de quase morte (especialmente em casos de parada cardíaca) sobre o que encontrou no elusivo “outro lado”, e encontrou pontos em comum nas marrativas, além de evidências de memórias semelhantes registradas na literatura e outras artes desde a antiguidade.

Quando eu vi este livro na livraria do aeroporto, achei que era bem o que me prenderia a atenção. E prendeu mesmo: a narrativa é ágil, os detalhes necessários estão presentes, e ele evita completamente as armadilhas potenciais de misturar sua pesquisa científica com temas religiosos ou espirituais.

Mas tem um problema grave: o livro acaba de repente, e sem concluir nada. Os métodos de pesquisa e teste, tão cuidadosamente descritos, não chegam a ser empregados em sua totalidade. No último capítulo, descobrimos que a pesquisa ainda está em andamento e as partes mais suculentas, previstas e aperitivadas nos capítulos iniciais, não chegam a ser expostas ao leitor. Fuja, ou aguarde a próxima edição.

Não tão chato, mas longe de me empolgar, mesmo eu sendo um apreciador da história recente do Brasil, foi o “Olho por olho – os livros secretos da ditadura“, de Lucas Figueiredo (Record). Ele conta a história do (nem tão) secreto livro “Orvil”, preparado pelos militares como uma resposta ao “Brasil: Nunca Mais”, que por sua vez detalhava os porões da tortura e violência contra os à época inimigos do regime.

O livro começa bem, contando de forma até mesmo empolgante a história da confecção do “Brasil: Nunca Mais”. Mas quando chega a hora de falar sobre a reação na forma do “Orvil”, a empolgação some, sendo substituída por atenção a pequenos detalhes importantes que mereceriam um livro adicional só para si (confirmando ou negando afirmações anteriores dos protagonistas da revolução e contra-revolução), mas meio que se diluem, como se fossem grandes atores atuando em papéis secundários em uma história menos interessante, que é a da descoberta e leitura do tal Orvil (que hoje é bem menos do que secreto…)

Mas também tem os bons livros

Ganhei de presente de uma amiga nossa, no Natal, o oportuno “Comédias brasileiras de verão“, do Luís Fernando Veríssimo (Objetiva). LFV na série “Comédias” para mim é sempre mais do mesmo, mas é um mais do mesmo que me agrada. São crônicas e histórias curtas, menos ou mais engraçadas, menos ou mais provocativas, mas sempre com alto potencial de entretenimento.

Pena que é tão curto. A leitura é leve, apropriada à leitura na beira do mar ou balançando na rede após o almoço. E tem personagens que mereceriam livros à parte, como a faxineira que resolvia todos os problemas de um casal, até que chegou o momento em que ela começou a assassinar quem causava dissabores a eles – deixando-os em um dilema: ir à polícia imediatamente, ou antes dar tempo de ela completar mais algumas execuções? Recomendo.

Já “Z – a cidade perdida“, de David Grann (Companhia das Letras) não padece do mesmo mal de acabar rápido demais: é um alentado volume de 410 páginas, com a narrativa de um jornalista que resolveu, em pleno século XXI, investigar o fim do explorador Coronel Fawcett, que desapareceu na primeira metade do século XX enquanto procurava, nas florestas brasileiras, uma cidade lendária que ele acreditava existir por aqueles lados.

Como filho da década de 1970, ainda lembro que as expedições do Coronel Fawcett eram tema relativamente frequente na TV, em especial no Fantástico. O homem fez diversas expedições por aqui, e na última desapareceu sem deixar vestígios. Mas como se trata de algo relativamente recente, havia suficiente número de registros, e até uma índia anciã que testemunhou a passagem do Coronel em sua última expedição, e estava viva para contar.

Curiosamente, a conclusão do livro está em sintonia com descobertas arqueológicas recentes dando conta de que sim, a lendária civilização pode ter existido, e a moderna tecnologia (juntamnente com o trabalho incansável de arqueólogos como o que foi entrevistado ao final do livro, na região em que Fawcett foi visto pela última vez) vem permitindo descobrir vestígios arqueológicos dela, mesmo considerando o quanto os materiais de construção disponíveis na floresta à época eram suscetíveis à degradação pela própria floresta, bastando algumas décadas sem manutenção para virtualmente desaparecerem (diferente, portanto, das construções em pedra dos primos dos Andes e da América Central).

Outro fato curioso é como o autor tantas vezes se aproximou de dizer que havia algum interesse ulterior entre o jovem filho de Fawcett e o seu amigo de infância que foi o terceiro integrante da expedição final da qual ninguém voltou vivo.

Para completar a série, trago o livro que terminei hoje, e que aborda um tema que me é caro: “The Unthinkable: Who survives when disaster strikes, and why“, de Amanda Ripley (Crown). Ele me agradou porque é bem diferente de outros livros sobre desastres, que ficam repetindo fórmulas de sobrevivência (“treine! faça uma horta! armazene água! aprenda primeiros socorros! etc! etc!”).

(atualizado: o leitor Rudimar complementou nos comentários que este livro já saiu também no Brasil, com o título de Impensável: como e por que as pessoas sobrevivem a desastres, pela editora Globo. Não sei nada sobre a qualidade da tradução, entretanto.)

O esquema dele é um pouco mais parecido com o do livro sobre a cidade perdida: uma jornalista (com apoio da revista Time) sai em busca de relatos de sobreviventes de grandes desastres (11 de setembro, quedas de aviões, incêndios, naufrágios) para descobrir o que há em comum entre eles.

Assim como no caso do primeiro livro que mencionei, que evita a armadilha da mistura com temas religiosos, este evita a armadilha da mistura com auto-ajuda – a autora não tenta lhe dizer o que você deve fazer para estar mais apto a sobreviver em desastres, apenas pesquisa e relata o que aconteceu com estes sobreviventes.

Como ela teve oportunidade de tratar com cientistas que estudam este tema, há também um bom pano de fundo teórico, lidando com nossos comportamentos em relação ao risco, as razões pelas quais algumas pessoas reagem rapidamente e outras ficam paradas, e o que os profissionais das crises (forças especiais, bombeiros, projetistas de segurança, etc.) mais frequentemente encontram como obstáculo comportamental à sobrevivência.

A narrativa é ágil e a leitura é leve, mesmo se tratando de um tema tão amplo. E mesmo não sendo um livro de entretenimento, ele prende a atenção e apresenta um fecho adequado. Recomendo a quem tem interesse de conhecer um pouco mais sobre este lado menos mapeado do comportamento humano.

Agora é a vez de vocês

Compartilhei minha opinião sobre os 5 livros que li nas últimas 4 semanas, e agora tenho uma expectativa: que vocês também comentem algumas leituras recentes, para orientar as minhas próximas.

E boa leitura!

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