Pareto: Organize o guarda-roupa com um método cientÃfico
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Tudo indica que o inverno está mesmo acabando (nas regiões do Brasil em que existem estações do ano, claro), levando a uma necessidade comum: reorganizar o guarda-roupa, colocando mais à mão as roupas de calor e dando um destino menos exposto às roupas reservadas às estações frias.
É uma tarefa chata, mas também uma oportunidade para revisar as peças que tendem a se acumular por anos a fio mesmo que você não as use mais, para redescobrir peças que estão em plena condição de uso mas haviam se escondido por baixo de outras, para identificar necessidades de manutenção (um botão aqui, uma lavação ali, um pouco de sol acolá), e para exercitar sua responsabilidade social, doando as peças que você não vai mais usar mas ainda estão em condições de uso.
A realidade, afinal de contas, é que aquela blusa que no seu armário só serve para ficar no caminho enquanto você procura as que de fato usa provavelmente será muito útil nas mãos de alguém que não tenha as mesmas opções que você.
Com as dicas a seguir, você poderá reservar 2h na sua agenda desta semana para, com algumas caixas e cabides de reserva à mão, reorganizar seu guarda-roupa para a primavera!
Pareto e a organização de guarda-roupas
Este aspecto socialmente responsável, bem como a perspectiva do resultado positivo para a sua organização e a possibilidade de inventariar as peças não permitem escapar da realidade: a tarefa de esvaziar o roupeiro e tornar a enchê-lo de maneira organizada é bem chata.
Mas se você aplicar um pouco de método, a tarefa pode terminar antes, e algumas decisões difÃceis (guardo ou não guardo? dôo ou não dôo? Posso usar na rua ou só pra lavar o carro?) podem ficar um pouco mais fáceis.

A minha maneira de avaliar peças é derivada do PrincÃpio de Pareto, que diz que nos agrupamentos há poucos itens essenciais: arredondando, 20% dos itens são responsáveis por 80% dos efeitos. A conclusão prática é que – se Pareto estava certo, e há muitas décadas ele vem acertando bastante ツ – você provavelmente usa cerca de 20% das suas roupas durante cerca de 80% do tempo.
Alerta: Se você não tem interesse pelos fundamentos, pode pular diretamente até o próximo subtÃtulo ツ
Também conhecido como a regra dos 80/20, e de forma mais genérica, o PrincÃpio de Pareto mencionado acima diz que para uma série de eventos comuns, observa-se que 80% dos efeitos são gerados por 20% das causas. Ele foi identificado e proposto por Juran (saiba mais em “Os papas da qualidade“), e batizado em homenagem a Vilfredo Pareto (1848-1923), economista italiano que originalmente observou o fenômeno.

Este princÃpio é usado na armazenagem industrial (para indicar quais “poucos itens vitais” devem ser guardados nas prateleiras mais baixas e mais perto da porta do depósito, por exemplo), e serve igualmente para a armazenagem no seu guarda-roupa, evitando que as “muitas triviais” fiquem no caminho das “poucas vitais”.
Esta aplicação prática se baseia em uma ferramenta denominada “Curva ABC”, em que os produtos são separados conforme o número de operações que geram, em 3 classes: a “classe A” abriga os 20% responsáveis pelo maior número de movimentações, a “classe B” trata os próximos 20%, e a “classe C” inclui todos os 60% restantes, que usualmente são inexpressivos individualmente quando comparados a qualquer um da classe A (mas têm valor como conjunto, como destacou recentemente o livro “A Cauda Longa“).
Classificando as roupas
Contar ou estimar o número de vezes que você usa cada peça de roupa em cada cenário não seria prático, portanto recorremos a uma alternativa subjetiva: após separar as suas roupas em categorias (por exemplo, calças, blusas e casacos, ou “de sair”, “de trabalhar” e “de casa”, etc.), passe a pegar cada peça da pilha e dar uma nota de 0 a 10 para a sua expectativa e interesse de voltar a usá-la.
Todas as que receberem nota 9 e 10 podem ir direto para o armário e receber locais privilegiados: as prateleiras ao alcance dos olhos e braços, os melhores cabides, etc.

As que receberem nota 6, 7 e 8 devem ser acumuladas fora do armário, e ao final do procedimento serão distribuÃdas nos melhores espaços que sobrarem quando acabarem as peças com notas 9 e 10.
Aà chega a vez das peças com notas 4 e 5, que serão armazenadas nos cantos que sobrarem. Quem sabe você as coloca em sacolas plásticas? É pouco provável que você as use com frequência, e se elas ainda estiverem na sacola quando você arrumar de novo, será um indÃcio para revisar para baixo a nota delas ツ
E as peças com nota 3, 2 e 1? É aà que entra a responsabilidade social: lave-as, coloque em uma caixa e doe-as a uma pessoa ou instituição que vá dar a elas muito mais valor do que você! Mas não exagere: as peças com nota 0, sem condição de uso, devem ser recicladas, e não doadas desta mesma forma.
Casos especiais
Algumas categorias merecem atenção especial, além da simples classificação por notas. Vamos a elas:
Roupas que não servem mais: se podem voltar a servir, podem merecer nota 4 ou 5, e ficarem armazenadas em um canto remoto. Se a chance de voltarem a servir se aproxima muito de zero, pratique o desapego e dê logo a nota 3, encaminhando para doação!
Roupas úteis mas que exigem ocasião especial: independente da nota que der a elas, armazene-as com cuidado especial. Quem sabe um cabide com capa plástica, estilo lavanderia? Se estiverem sem uso há muito tempo, veja se não está na hora de uma lavação preventiva!
Peças que precisam de conserto: puÃdas, com elástico gasto, manchadas, desbotadas, descosturadas, esticadas? Aqui a decisão é entre nota 0 (que só leva à reciclagem, no caso das roupas sem nenhuma condição de uso), o envio imediato ao conserto ou a doação. Guardar “para consertar depois” é ficção!
O velho truque do cabide invertido
Se você usa cabides e quiser facilitar a próxima reorganização, use o velho truque dos cabides invertidos: ao recolocar as peças no guarda-roupa, ponha todas com o cabide invertido, com o gancho apontando para o lado que você normalmente não usa.

Quando você usar uma peça, ao recolocá-la no cabideiro, use a direção normal do cabide. Ao final da estação, as peças que ainda estiverem com o cabide invertido serão as que você não usou nenhuma vez, e bastará decidir o que fazer com elas!
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19 Sep, 2011, por Augusto Campos
Técnicas
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Hugo comentou:
em September 19 2011 @ 12:22
Como sempre um ótimo artigo, embora já tenhas minhas táticas fajutas de arrumação de armário. Mas o que realmente impressionou e virou sonho de consumo, foi a foto do “closet” que ilustra a matéria…
Cassio de Andrade comentou:
em September 30 2011 @ 11:11
Excelente dicas preciso mesmo dar uma organizada e essas dicas vão ajudar muito e acredite que vou estabelecer uma regra de 3 anos para roupas.
meu guarda roupas tem roupas de quando eu estava no ensino fundamental sim ainda serve (digamos que eu ja era grande nesse periodo, digo alto quando digo grande), e ja tenho roupas com 6 anos e realmente as uso bem quase nuca vlw a dica como sempre o blog esta melhor a cada post
Abraço e tudo de bom
Maria do Carmo comentou:
em December 1 2011 @ 20:36
O que eu queria mesmo é este closet…
Luciana comentou:
em December 8 2011 @ 11:08
Haja “TOC” seu e da empregada para conseguir fazer, todo dia, o processo do “cabide invertido”. O conceito é otimo. A prática improvável.
Luciana comentou:
em December 8 2011 @ 11:09
O site é otimo, os textos fantásticos! Mas, haja “TOC” seu e da empregada para conseguir fazer, todo dia, o processo do “cabide invertido”. O conceito é otimo. A prática improvável.
augusto comentou:
em December 8 2011 @ 13:21
Luciana, a técnica funciona justamente porque não precisa de TOC nenhum, exceto na arrumação trimestral ou semestral, quando os cabides são colocados na forma invertida. No dia a dia, os cabides são sempre colocados na forma normal, sem precisar de qualquer decisão consciente adicional.
Andre Such comentou:
em December 22 2011 @ 12:10
As dicas são boas, mas meu problema de organização não vai ser resolvido por essas regras, pra mim o que resolve é ter uma boa secretária para me auxiliar!