Adaptador para as novas tomadas brasileiras: como eu me virei

O novo padrão de tomadas brasileiro (muito bem explicado aqui) criou a tomada-jabuticaba que, assim como dizem da popular fruta, só existe no Brasil.

Apesar das garantias do INMETRO (que na sua FAQ afirma que “Com a ampla divulgação do padrão brasileiro, [esta mudança] vai acontecer de forma tranqüila como a esperada”) de que “essa mudança vai ocorrer de forma muito tranqüila, sem causar nenhum transtorno para os consumidores, para a indústria eletroeletrônica ou da construção civil”, bastante gente está pagando o preço na fase de transição.


Tomada e plug com o terceiro pino

O caso que parece mais problemático é o dos novos plugues com terceiro pino para aterramento, que oficialmente exigem uma tomada do novo modelo, mesmo que o local não conte com instalação aterrada. Como já aconteceu com mais de um amigo meu, agora quem compra uma geladeira, um microondas ou outro aparelho similar chega em casa e provavelmente descobrirá que não tem uma tomada para ligá-lo, precisando recorrer a um eletricista ou técnico habilitado para fazer a conversão.

A idéia de aumentar o incentivo ao aterramento elétrico é positiva, mas fica em aberto descobrir se a mudança do padrão de tomadas é uma forma eficaz de fazê-lo. No momento, o que parece a muitos clientes é que os fabricantes estão lhes dizendo: “EU já cumpri a norma, agora você que se vire pra arranjar uma tomada”.

Adaptadores para as novas tomadas: a lenda

No ano passado, antes de a nova norma proibir a fabricação de aparelhos com as tomadas antigas, vários veículos de imprensa divulgaram que não seria permitida a fabricação e venda de adaptadores para usar os novos plugs nas tomadas antigas.

Mas aparentemente não é bem assim: até mesmo a FAQ do INMETRO esclarece que “o Inmetro ciente da utilização de adaptadores, elaborou o Regulamento de Avaliação da Conformidade – RAC, que tornará compulsória a certificação desses produtos”. Ou seja: proibido não é, mas tem que obter o carimbo do Inmetro antes de colocar no mercado.


Adaptador de tomada para aparelhos novos com 3 pinos

Isso explica a existência no comércio – embora nada fácil de encontrar hoje (eu vi um no site do Ponto Frio) – de adaptadores como o da foto acima, que permitem colocar os aparelhos novos (com a nova tomada de 3 pinos) nas tomadas aterradas antigas, ou mesmo (com o uso não-recomendado de um segundo adaptador) em uma tomada antiga de 2 furos.

O caso dos notebooks

Quando se fala em geladeiras, microondas e outros eletrodomésticos, a idéia de revisar a instalação elétrica residencial, certificar-se da existência de aterramento de qualidade, e trocar a tomada da cozinha pode até fazer bastante sentido, nestas circunstâncias adversas de transição.

Mas o caso dos notebooks, que já começam a chegar ao mercado com o plug de 3 pinos da nova tomada (atendendo ao cronograma da norma) é diferente: eles são transitórios por natureza, e precisam funcionar desde hoje na tomada do aeroporto, da sala de espera, do escritório do cliente, em todos os cômodos da casa, no escritório, na biblioteca da universidade, no home office, etc.

É razoável imaginar que, cedo ou tarde, todos estes lugares irão se adaptar à nova norma NBR 14136. Mas para quem precisa de mobilidade hoje, e tem em suas mãos um notebook com a nova tomada, esta razoável expectativa simplesmente não é suficiente.

Muitos profissionais móveis já andam com um kit de adaptadores (tomada chata, tomada com terra, sem terra, etc.) para funcionar onde for necessário. A diferença no momento é que não está fácil encontrar no mercado os adaptadores necessários para garantir a compatibilidade do novo plug em relação às tomadas legadas.

Como eu fiz o meu adaptador para as novas tomadas brasileiras

De posse de um reluzente netbook com um adaptador AC cujo conector do cabo de força tem um formato proprietário, e cujo plug exigia uma nova tomada de 3 pinos, eu fiz 3 coisas:

1) lamentei que o novo padrão brasileiro não tinha compatibilidade reversa e que a transição tenha que ser às minhas custas desse jeito;
2) procurei em lojas de material elétrico da região um adaptador “oficial”, sem sucesso;
3) decidi colocar logo as mãos à obra enquanto uma solução definitiva e aprovada não chegava ao meu alcance.

Para mim o problema é bem simples: meu netbook precisa funcionar nas tomadas que estiverem à disposição, sejam elas com pinos redondos ou chatos, do novo modelo ou do velho, aterradas ou não. Quem dera todos os locais contassem com aterramento de boa qualidade e tomadas adequadas, mas infelizmente a realidade é outra…


Meu adaptador caseiro

A norma tem uma justificativa importante: evitar que as pessoas levem choques e tornar mais segura a operação dos equipamentos. Não recomendo que você construa seu próprio adaptador, pois o risco de causar dano a pessoas, aos equipamentos e até mesmo às instalações elétricas é bastante real. O único procedimento seguro e correto para quem deseja levar consigo um adaptador desses é aguardar que haja no comércio adaptadores de boa qualidade, certificados pelo INMETRO.

Mas no meu caso, tendo tido treinamento de eletricidade na adolescência, dispondo dos materiais adequados, e estando revoltado com esta transição às minhas custas, acabei seguindo um caminho diferente, que você não deve imitar: produzi meu próprio adaptador para uso interno.

E apesar de ser algo tão fora da norma da ABNT, não foi nada difícil. Bastou reunir:

  1. Um conector fêmea, 3 pinos, do novo modelo, comprado no supermercado da esquina
  2. Um plug macho de 2 pinos (modelo novo ou antigo, tanto faz – os de 2 pinos são compatíveis, exceto no caso de não caberem no encaixe de uma tomada nova), comprado no supermercado da esquina
  3. 10 cm de fio elétrico paralelo apropriado à tensão, potência e uso pretendido
  4. Uma chave philips para abrir o conector e o plug
  5. Um estilete para desencapar 6,2mm de cada uma das extremidades do fio paralelo.
  6. Um multímetro para testar tudo no final.

A instalação das tomadas em si não é diferente das dos modelos antigos, e qualquer profissional habilitado e ciente dos riscos envolvidos sabe fazer. O cuidado necessário em preservar o isolamento, prender bem todas as extremidades e caprichar na fixação também é o usual, e é necessário estar consciente que agir assim abre mão de todos os benefícios que o aterramento poderia trazer.


Meu adaptador pronto para o uso

Para mim a montagem em si (incluindo o teste com multímetro) demorou menos de 5 minutos, e desde então o meu adaptador está permanentemente plugado na extremidade do cabo da fonte de alimentação do netbook, funcionando em todo lugar que eu o leve.

Mas você não deve me imitar

O exposto acima é uma descrição do que eu fiz, e não um guia do que você deve fazer. Fuja das gambiarras!


O manuseio da eletricidade é perigoso para você, para os outros e para os equipamentos

O único curso de ação seguro e recomendado, na ausência da possibilidade de procurar um profissional habilitado para revisar as instalações elétricas dos locais em que você usa seu aparelho, é adquirir um adaptador certificado pelo INMETRO.

E é o que eu também farei, assim que conseguir encontrar um – por um preço não-exorbitante – no comércio local!

, por Augusto Campos
Técnicas
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132 Comentários até agora

  1. Na prática a teoria é outra. comentou:

    em October 14 2011 @ 10:20

    Na prática a teoria é outra.

    Por causa de um aparelho, o que deveria ser uma aquisição simples torna-se um transtorno e está claríssimo que foi o governo que impôs mais este problema.

    Na troca do gas, as empresas e o governo agendavam com prazo adequado e gratuitamente faziam a conversão. Gratuitamente não, pois pago impostos compulsoriamente toda vez que compro algo, seja para o ônibus, para o pão, água, energia etc.

    Você marca a visita de alguns eletricistas que olham sua casa, móveis, equipamentos e o (às vezes) difícil acesso às tomadas. Avaliam tudo de cima a baixo, inclusive sua cara e aí fazem o preço.

    Penso: o custo para duas tomadas que preciso com urgência está alto pois acho R$ 50,00 muito, fazer o serviço na casa toda reduz o custo unitário mas é uma obra, que só ocorrerá se for bem programada por questões financeiras e de tempo.

    Apesar do apartamento antigo tudo está funcionando, nunca houve problemas, sou cuidadoso e revisei tudo há três anos. Mexer para quê? Arriscar um novo equipamento é mais prático ou mais barato que novamente mexer na fiação.

  2. lUIS cAROS bRAGA comentou:

    em October 19 2011 @ 13:46

    Senhores. me esclareçam por favor.

    Comprei um expremedor de laranja a dois meses. ele simplesmente parou de funcionar e cheirou queimado e esquentou ate o pino de encaixe da peça que expreme a fruta.

    o caso e o seguinte, quando comprei vi que o pino pra ligar à tomada tinha 3 pinos e na epoca fiz exatamente a sugestao dada neste site. alguem me responda.(A RETIRADA DO TERCEIRO PINO CAUSA A QUEIMA OU DEFEITO DO APRELHO).?

    Luis Carlos
    Bauru/sp

  3. O autor não retirou o pino comentou:

    em October 20 2011 @ 02:21

    O site nem de perto sugere a retirada do terceiro pino, pelo contrário, o autor se deu ao trabalho de fazer um adaptador para não danificar sua tomada original e relata que vem utilizando-a sem comprometer o equipamento.

    A retirada do terceiro pino sem conecttá-lo a eletricidade não causa queima do aparelho, apenas a descaracterização da tomada (plugue) original.

    Se você tirar o terceiro pino de forma inadequada (deixando algum resquício de metal em curto por um descuido), poderá danificar o aparelho.

    Outra coisa, pode perder a garantia do equipamento se por conta própria alterar as características originais do mesmo.

  4. A. Kelper comentou:

    em November 14 2011 @ 12:09

    Pessoal,
    A situaçao nos faz lembrar daquele personagem de Chico City que dizia “A ignorança eh que astravanca o pogresso”. Ora, todo mundo devia “adorar” aqueles plugs de computador com 2 pinos chatos e um redondo, não é? Ou pelo menos, nunca se viu tamanha celeuma porque tal plug não se encaixava nas nossas tomadas. Os americanos simplesmente possuiam uma norma que trazia mais segurança para o usuario e os equipamentos deles tinham aquele plug que se encaixava nas tomadas deles. Mas a gente sempre deu nosso jeitinho. Agora o Brasil resolveu dotar suas tomadas da mesma segurança dada pelas americanas, inserindo o pino terra. Como nossas instalaçoes nao o possuiam, foi necessario criar um novo padrao e uma lei (a Lei do Fio Terra). E para mudar, tinha que usar um pouco de força, senao, nada vai para a frente. Entao, os novos aparelhos ja veem com o novo plugue. Se os usuarios quiserem ter mais segurança, terao que adaptar suas instalaçoes; se nao quiserem, fica como estah e trocam os plugues do aparelho recem comprado, compram adaptador, montam um adaptador… em suma, ha diversas alternativas. O que nao podia era dar mais segurança com aquele tipo. Resumindo, para fazer omelete tem que quebrar alguns ovos…

  5. ana comentou:

    em November 21 2011 @ 11:46

    é claro que isso é um acordo sem vergonha para tirar dinheiro nosso…gostaria de uma simples resposta,meu monitor é novo dentro da “lei”,troquei meu filtro de linha,3 furos e 6 tomadas,e agora,o plug do monitor fica frouxo dentro das novas regras dos 3 furos, Adaptador? para mim é o mesmo que GAMBIARRA,o moldem da Net é tomada antiga,mais um adaptador?
    Detalhe,para cada adaptador perco uma tomada pois são grandes para o espaço…alguem tem uma sugestão?

  6. Paulo Cesar Costa comentou:

    em November 23 2011 @ 01:33

    O problema reside principalmente no custo da traquitana e na inadaptabilidade ao existente e a impossibilidade de manter com segurança o existente. Tomadas que tivessem os pinos parcialmente isolado e um terceiro pino para terra teriam o mesmo efeito, poderiam se encaixar na tomada universal e causariam menor transtorno. Uma tomada dupla americana custa lá US$ 0,63 Isso, centavos. e é dupla , o espelho outro tanto, aqui R$ 15,00 ou seja 7 vezes mais por uma simples mais base e espelho. Lá também as comptra-se fio duplo com fase e neutro em cores diferentes e uma malha externa que é acoplada no borne de aterramento. Isso vai direto a um dijuntor, ou seja cada tomada tem um dijuntor e não como aqui que vamos gambiarrando sequencialmente. Pudera , lá as casas são de madeira.
    Voce também não encontra variações, pois como são um grande mercado tudo está dentro de um único padrão.
    O novo padrão peca a meu ver em dois aspectos.
    1- Dois padrões de tomada 10A e 20A sendo que o pino da de 10A encaixa na femea de 20A. Se houvesse somente a de 20 estariamos caminhando no sentido da segurança.
    O segundo é o Custo verdadeiramente absurdo e terem cancelado as linhas anteriores, obrigando a quem quiser migrar e manter a aparencia trocar tudo o que representa numa casa média um custo muito elevado.
    casas antigas com eletrodutos metalicos tornam inútil o terceiro pino pois é necessária obra de proporções consideráveis e troca de toda a fiação o que dependendo do estado dos eletrodutos.
    Se existe tanta preocupação com a nossa segurança poderiam começar retirando os impostos por um periodo de 5 anos para diminuir o custo da migração. Criar itens de tomada dentro do novo padrão para es linhas que foram descontinuadas.

    E um padrão popular a baixo custo, simples em aparência que cumpra o seu papel sem onerar.

  7. john wayne comentou:

    em December 22 2011 @ 18:52

    Alguns desses “eletricistas” que comentam aqui precisam voltar pra escola e aprender a escrever.

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