Tendência ao consumismo? Um fluxograma para ajudar a frear o impulso da compra
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Quem compra mais do que pode pagar geralmente acaba se arrependendo, ou aproveita seus recursos bem menos do que poderia se programasse melhor o uso do seu orçamento.

E quando a pessoa junta isso ao hábito de comprar o que não precisa, às vezes triplica a frustração, porque:
- lembra tarde demais que este excesso vai pesar no orçamento;
- o produto não era necessário; e
- a compra não vai resolver a carência ou necessidade que gerou o impulso.
Quando se trata de uma compulsão, pode ser realmente difÃcil de controlar sem ajuda profissional. Mas se o comportamento for controlável, e mesmo assim você frequentemente se perceber insatisfeito por ter comprado o que não precisava, com o dinheiro (ou crédito) que não podia gastar com isso, você pode estar precisando colocar em prática algum processo de decisão de compra que o ajude a… tornar efetivo o bom senso – afinal, você já sabe que tem a tendência a comprar mal, só precisa dar um jeito de lembrar disso a cada nova compra.

Antes de prosseguir, é bom definir algumas premissas:
- Só pode funcionar se você quiser – e isso não significa que basta querer. Mas se você não quiser mudar o seu hábito, as técnicas não funcionarão. Como na maioria dos métodos de reforma de algum comportamento compulsivo, os passos iniciais envolvem admitir que se tem um problema e assumir que é possÃvel mudá-lo.
- Os nÃveis variam de acordo com as circunstâncias – para algumas pessoas, as compras excessivas que chegam a pesar no orçamento são de preciosos objetos de luxo, para outras são de calçados e bolsas, outras gastam demais com artes e tecnologia, e há quem nem possa comprar os itens de primeira necessidade e tenha o sonho de um dia poder dispor de um orçamento a ponto de poder se preocupar com a possibilidade de gastá-lo mal… Não é porque outras pessoas estão em situações diferenciadas que o seu próprio problema pessoal muda.
- Nem toda compra por impulso é má: o que é sempre ruim é desenvolver o hábito de comprar por impulso e sem controle. Mas a compra por impulso eventual (preferencialmente rara), bem dentro da margem de segurança do seu orçamento, e associada a um produto que modifique para melhor a sua vida pode ser um pecadilho bastante aceitável. Este artigo não tenta formar pessoas que só compram racionalmente – o objetivo está muito mais próximo da idéia de tentar dar a todos que disponham de algum orçamento a condição de eventualmente poder fazer uma compra por impulso se preocupando menos com a possibilidade de o orçamento estourar, e ainda ter uma sobra orçamentária para aplicar melhor.
- Definir as compras “necessárias” é com você – este texto não faz juÃzo sobre a qualidade dos seus gastos e investimentos. O supérfluo de um pode ser o essencial do seu vizinho, e é difÃcil assumir uma regra geral sobre quais são os gastos que são “válidos” e quais não são. Vamos apresentar a seguir algumas perguntas que podem ajudar a filtrar os gastos, mas a resposta depende de você, e não precisa ser igual à do seu vizinho.
O processo de avaliação prévia de uma compra
Como vimos acima, na premissa 1, estamos aqui tratando do que se convenciona chamar de bom senso – conceitos que deveriam ser óbvios e facilmente visÃveis, mas que a mente de muitas pessoas parece suspender ou bloquear quando se depara com determinadas possibilidades de compra – por impulso ou por hábito.
![tfts credit card with padlock.jpg - fonte: Shop Safely Online this Christmas [A Guide to Being Security Savvy] » TFTS – Technology, Gadgets & Curiosities (http://nexus404.com/Blog/2008/12/04/in focus shop safely online this christmas a guide to being security savvy/)](http://img.efetividade.net/img/xtra/tfts-credit-card-with-padlock.jpg)
Definir o óbvio ou o que o bom senso dita é complicado, até mesmo porque não se trata de conceitos objetivos – “o óbvio” daqui de casa pode ser diferente do “óbvio” da sua famÃlia. Mesmo assim, April Dykman, do blog de finanças pessoais Get Rich Slowly, tentou mesmo assim, e chegou a um processo baseado em 3 conceitos principais que devem ser avaliados a cada compra.
E é este processo que vamos descrever agora, começando pelos 3 conceitos essenciais definidos, que devem ser considerados subjetivamente para as finalidades deste método:
- A “necessidade da compra”: Quando uma compra ou contratação de serviço não é de primeira necessidade (ver premissa 4, acima), ela pode mesmo assim ser justificada, seja pelo nÃvel de benefÃcio que irá causar, por um problema que irá evitar, pela elevação do nÃvel de conforto, ou pelos critérios que fizerem sentido no seu contexto. Classificar necessidades é complicado, mas um conceito geral bastante conhecido, se você quiser saber mais, é o da hierarqui das necessidades, de Maslow.
- A “possibilidade de pagar”: Cada pessoa tem sua própria realidade de disponibilidades e créditos. Se para uma pessoa a necessidade de consultar antes o extrato do banco surge na hora de comprar uma camisa nova, outra liga para o assistente financeiro só na hora de comprar um jet ski ou um imóvel, e várias outras têm dúvida se vão conseguir manter o armário de comida bem suprido até o fim da semana.
- A existência de alternativas: Procurar por produtos alternativos ou substitutos, mais econômicos e com qualidade aceitável (no sentido de “adequação ao uso” – veja mais em “O que é qualidade“), é um exercÃcio de pesquisa de mercado que ajuda a fazer melhores compras, mas também permite que você ganhe tempo suficiente para perceber se está mesmo fazendo uma compra necessária e dentro das suas condições de pagar.
Claro que cada pessoa pode ter seus critérios adicionais de compra (avaliando o produto também por sua eficiência energética, defesa do meio ambiente, tratamento ético das pessoas em sua cadeia produtiva, liberdade do conhecimento, etc.), e eles devem ser considerados em conjunto com estes, como complemento ou mesmo como preliminar, dependendo do caso.
Colocando o processo para funcionar
Adaptei o fluxograma abaixo a partir da obra da April; ele demonstra uma sequência comum de encadeamento dos 3 conceitos acima, na forma de um conjunto de critérios que pode permitir que você se responda:
- Se deve comprar ou não o produto
- Se concluir por não comprar, se deve ou não considerar a compra de um substituto
-
Vamos ao fluxograma (adaptado a partir do original da April Dykman, do blog de finanças pessoais Get Rich Slowly):

O pessoal da área de TI que já trabalhou com fluxogramas de programas de computador provavelmente notará que ele foi desenhado ao arrepio de algumas das boas práticas desta arte, mas espero que tenha sido suficiente para garantir o entendimento ;-)
Note que a questão inicial é se você está em condições de se comprometer a pagar – ou seja: se tem disponibilidades ou crédito acessÃvel para realizar uma compra deste tipo. Os conceitos de “caro” e “barato” são relativos, mas mesmo nas compras “baratas” é necessário fazer esta pergunta, porque elas são perigosas: tendem a se avolumar sem que você perceba o tamanho do rasgo que farão no seu bolso. E se você não tiver disponibilidade e nem crédito acessÃveis, nem adianta prosseguir com o processo decisório neste momento, pois a decisão final vai ser clara – quando a situação mudar, reavalie.

Estabelecido que há condições de fazer um pagamento, chega a hora de avaliar a necessidade da compra. Preciso fazer esta aquisição? O conceito de necessidade, nessa hora, pode ser subjetivo ou até difuso, mas a resposta no que diz respeito ao momento corrente é objetiva: sim ou não. Vale fazer uma análise mais profunda antes de chegar ao sim, entretanto – pense nas razões que justificam a compra. Preciso só porque eu estou com vontade? Ou há alguma razão mais concreta? E se a resposta for negativa, o processo também se encerra por aqui.
Mas se a conclusão for que vale a pena comprar, ainda temos um terceiro conjunto de filtros (apresentados em amarelo no fluxograma) que acabam sendo os que poderão lhe dar o tempo necessário para perceber que se trata de um impulso sem fundamento: é a pesquisa por compras alternativas, que pode se traduzir em buscar o mesmo produto vindo de outro fornecedor, procurar um similar ou mesmo um substituto, que pode se dar em 3 avaliações diferentes:
- Existe uma alternativa mais barata?
- Se sim, ela tem o mesmo nÃvel de qualidade? (no sentido de “adequação ao uso”)
- Caso não tenha, a diferença de qualidade é importante para esta compra?
As decisões a que este fluxograma simplificado conduz são simples: completar a compra, não comprar, ou considerar (com o mesmo fluxograma, é claro), a compra de um produto substituto. E a idéia do seu uso é bastante simples: provocar uma reflexão consciente antes de cada compra, forçando a análise de cada um dos pontos que o bom senso indicar para “validar” a compra, e que você notou que vem colocando de lado. Isso deve ser feito até que o hábito seja corrigido, e a reflexão se torne natural novamente.
Claro que a análise acima é a minha, e pode diferir bastante da que foi publicada pela propositora inicial do fluxograma que originou esta nossa versão tropicalizada, que pode ser encontrada em “Should You Buy It? A Flowchart for Evaluating Potential Purchases“.
Conhecer um processo decisório não é substituto para sua atitude
Mesmo que você ache muito interessante, imprima quatro cópias da imagem do fluxograma e cole uma na capa do bloco de cheques, a outra no cartão de crédito, a terceira no chaveiro e a outra na testa, não vai ter efeito se você não estiver realmente disposto a mudar os seus hábitos de consumo.

E tornar mais racionais e eficientes os hábitos de consumo costuma ser bom, a não ser quando feito de forma compulsiva, quando é bastante possÃvel que a partir de um certo momento o esforço adicional deixe de ser compensado pelos ganhos.
Portanto, se você for adotar uma polÃtica pessoal de analisar previamente todas as decisões de compra baseando-se no fluxo acima, ou em algum similar que considere seus próprios critérios adicionais, cuidado para não exagerar – nem na intensidade, e nem na duração. Este é um exercÃcio que deve ser mantido apenas até o hábito do consumo ser modificado da maneira que você preferir, e eventualmente revisitado quando necessário.
E quando você perceber que seus impulsos não o estão mais levando a sistematicamente lamentar compras impensadas, que tal dar um passo além e redirecionar os recursos antes desperdiçados, passando a investi-los no seu futuro ou mesmo criar o seu Fundo de Reserva pessoal, para encarar a vida com mais opções?

Outra alternativa interessante pode ser reservar uma pequena parte do que você deixar de gastar com compras impensadas para praticar alguns pequenos e silenciosos atos de compartilhamento com aquelas pessoas mencionadas lá no alto, cujo sonho seria ter, para suas despesas mais essenciais, uma pequena parcela do orçamento que você deixa de gastar com supérfluos quando passa a prestar mais atenção ;-)
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Anderson Fortes comentou:
em October 14 2009 @
Gostei do fluxograma, muito bem pensado isso, esses passos do flusograma são realmente verdadeiros…é bom as pessoas que tem impulso por compras, imprimirem e andarem consigo o fluxograma, assim elas se comprarem algo, saberão considerar o melhor produto ou o mais barato com a mesma qualidade.
Eu mesmo queria muito comprar um livro que “é meio raro”, pois não encontrava em livrarias comuns, somente pela internet e tbm e uns 2 ou 3 sites, mais tinha ainda uma lista de 2 livros pra ler antes dele, ou seja, nao era necessário a compra naquele momento e o livro é um tanto quanto caro, esssa semana retrasada um site estava realizando pomoção de 10 anos no ar, e abaixou assustadoramente o preço das coisas, inclusive do meu livro, mesmo ainda ele estando na fila de leitura, acabei comprando, pois paguei 70% menos do real valor.
Então o segredo é ter paciencia e ponderar o momento certo pra comprar.
Roberto Figueiredo comentou:
em October 14 2009 @
belo post. Quando o bolso coça pra gastr eu passo logo uma pomada pra coceiras!
Desentupidora comentou:
em October 14 2009 @
Ótimo fluxograma, ótimo blog, ótimo texto…
Posts diários é o que há!
continue assim!
Fluxograma do Anti-Consumismo | U.P Utilidade Pública comentou:
em October 14 2009 @
[...] Portanto, caso você se interesse em saber como diminuir suas despesas e não se render ao consumismo, leia tudo clicando aqui. [...]
Compradora Compulsiva comentou:
em October 15 2009 @
Boa noite! Ótimo post.
Sou uma compradora compulsiva e já estou há 3 anos lutando para me livrar desse vÃcio.
É muito dificil admitir esse ‘fracasso’ e principalmente olhar pro passado e ver que apesar de ter recebido quase 50 mil reais num ano não tenho nada de ‘palpável’.
Sou mulher e pode ser que esse mal nos ataque mais. Não sei dizer.
Necessidade? Não sei de que.
Na minha casa aprendi que dinheiro é poder e quem paga manda… talvez por isso que queira sempre ‘exibir’ meu poder de compra.
É horrÃvel. É humilhante ver que chega num ponto do mês que não se tem dinheiro nem para comprar o que comer… em troca de nada.
Já tive que pedir a algumas lojas que aceitassem o que eu comprei de volta; já joguei fora o que comprei pra que ninguém visse; escondo o que compro; escondo meu contra cheque e o valor real do meu salário: é tão ruim quanto qualquer outro vÃcio. A sorte é que não afeta quem está ao redor – não diretamente.
É uma luta: é necessário sair de casa sem o cartão de débito, não se pode ter cartão de crédito e deixei uma conta sem pagar só pro meu nome ir parar no SPC e SERASA para eu não ter crédito.
Usarei o fluxograma. Tudo que puder ajudar é bem vindo.
Faça mais posts assim!
augusto comentou:
em October 15 2009 @
São depoimentos como este da Compradora Compulsiva que me estimulam a continuar escrevendo sobre aperfeiçoamento pessoal, dentre os demais temas aqui do Efetividade.net.
Mudar a situação continua dependendo dela, é claro – e não sou ingênuo a ponto de pensar que a ferramenta que apresentei será a responsável por resolver o problema dela. Mas saber que dei a ela o estÃmulo a tentar mais uma vez já é o suficiente para me dar a sensação de ter atingido o meu próprio objetivo.
Luiz comentou:
em October 15 2009 @
Concordo com o Anderson Fortes:
“Então o segredo é ter paciencia e ponderar o momento certo pra comprar.”
É complicado. É uma batalha interna. A vontade contra a necessidade.
As vezes eu passo por estas situações. Geralmente minha justificativa é: “eu gastaria este dinheiro em outra bobagem”, “faz tempo que não como”, ou “estou merecendo, pois trabalho tanto e quero meu prêmio pessoal”.
Algumas destas justificativas minhas que mostrei até são aceitaveis, de vez em quando. O problema é quando elas se tornam cotidianas. A gente afrouxa o cinto e as justificativas começam a chegar, aos montes. Aà já fica mais difÃcil para controlar.
Cartão de crédito também ajuda a gastarmos mais. Vamos parcelando 50 reais aqui, 10 ali, 30 lá… quando vê, no outro mês a soma é grande. Ficamos sem dinheiro. A preocupação com as contas da casa aumenta…
Então, para o cartão de crédito, eu adotei a seguinte regra: uso ele quando estou sem dinheiro, e há alguma promoção que não dure o tempo necessário para que eu receba novamente e tenha dinheiro para pagar com desconto. Então, vale a pena, acredito eu, pois vou comprar com desconto, e se não há o cartão, eu perderia a oportunidade.
Aà tem aquela de “poupar para as promoções”. Estou trabalhando nisso aqui em casa, também.
Ótimo assunto Augusto. Esta é uma realidade da qual fazemos parte, ou, conhecemos alguém amigo que faça.
Ótimas dicas. Servem até mesmo para quem se controla, pois, algum dia, podemos cometer deslizes.
Mas, acredito que não podemos cometer excessos na hora de controlar. Demais faz mal, e de menos, também.
Luiz comentou:
em October 15 2009 @
Obs.: “De mais…”.
Seiti comentou:
em October 15 2009 @
Meu problema é com o já denominado ‘gadget lust’. O “bom” é que sempre são bem caros, e para comprar importado só à vista. Isto cria uma bela barreira e ajuda a refrear o instinto inicial de comprar o que é novidade.
Então, se é importante não ceder na primeira oportunidade de comprar algo inútil, erga esta barreira. Como de algum modo (um pouco drástico) fez a Compradora acima, ao jogar seu próprio nome no SPC.
Ande com pouco dinheiro, quebre ou dê seus cartões para alguém de confiança.
Um tempo para refletir geralmente é o que se precisa para se avaliar a compra (e surgir algo melhor, recomeçando o ciclo). Claro que é MUITO mais fácil dizer que fazer. =P
Feedback aos leitores: respostas, propostas, *novas perguntas* e um mapa mental « Efetividade.net comentou:
em October 16 2009 @
[...] Tendência ao consumismo? Um fluxograma para ajudar a frear o impulso da compra [...]
Hélio comentou:
em October 16 2009 @
Boa Augusto,
Tenho um método que eu gosto de usar e é bastante simples, li em algum lugar da internet (acho que no lifehacker).
É o teste do estranho.
Pense em 2 pessoas que você não conheça em que uma delas te oferece o valor do produto em dinheiro e uma outra que te oferece o próprio produto.
Aà dependendo da escolha, você já sabe o que prefere.
Abraços!
Rapidinha efetiva #005: brindes, feriado, kit apagão, cama-baú e os problemas do consumismo desenfreado « Efetividade.net comentou:
em November 20 2009 @
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