Promovido no emprego? Evite o mal da incompetência súbita
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Você já acompanhou uma situação em que um profissional, recém-promovido no emprego, descobre que não está pronto para o desafio a que foi alçado? E não acha que pode ser muito pior quando o próprio profissional não percebe isso, a autoridade que o alçou não reconhece, mas a equipe inteira logo descobre e precisa se adaptar ao tenente novo em pleno calor do combate?

Parabéns, você foi promovido, e não é opcional
Ao longo da graduação em Administração, muitas vezes recorri aos textos de Peter Drucker para explicar ou justificar o comportamento que observava em organizações, e a visão dele sobre a súbita incompetência que acomete profissionais promovidos por mérito próprio é uma visão mais sisuda (e talvez mais palatável) do bem-humorado (mas suficientemente sério) Princípio de Peter, que já mencionamos de passagem no texto sobre a Lei de Parkinson, e que diz: “Em uma hierarquia, todo empregado tende a ser promovido até atingir seu nível de incompetência”.

Peter Drucker chama este mesmo efeito de “Incompetência Súbita”, e ainda qualifica: “o maior desperdício de recursos em todas as organizações que já vi é o da promoção mal-sucedida”.
É claro que as pessoas que acabaram de ser promovidas em honra a vários anos de bom desempenho em uma outra função não se tornam incapazes de repente. O que acontece é que elas continuam tentando, em seu novo papel, fazer o que as tornou bem-sucedidas no papel anterior a ponto de levá-las à promoção – e muito frequentemente isso não basta, ou não é apropriado, ao novo papel.

O mesmo Drucker oferece o remédio, caso o mal seja diagnosticado a tempo: a prescrição é esquecer o papel anterior, e concentrar-se em descobrir e praticar o que é necessário na nova condição. Isso só não pode dar certo se você não tiver como desenvolver a tempo os talentos e requisitos do novo papel – mas nem sempre é o caso, felizmente.
A metáfora do vestibular
Podemos, portanto, sintetizar em uma frase a recomendação ao profissional que acaba de ser promovido: nunca esqueça que o que levou você ao novo posto não é o que o fará ser efetivo nele.
Ou metaforicamente: o que você estudou para o vestibular da nova vaga é pré-requisito para tudo, mas raramente voltará a cair nas provas depois que você já tiver sido aprovado para ela.
O conceito de Efetividade adotado por aqui casa muito bem com as observações de Peter Drucker: para evitar a incompetência súbita, não basta continuar fazendo com sucesso (e eficácia) o que você já fazia: é necessário também identificar as coisas certas que devem ser feitas para melhorar a situação existente, na direção do objetivo traçado.
Retornando ao Princípio de Peter
O Princípio de Peter foi formulado originalmente em um livro humorístico do final da década de 1960, embora quase universalmente fosse reconhecido como uma descrição válida da realidade de muitas carreiras.

Vítima do Princípio de Peter: subiu mais do que devia
E hoje, via Marrcandré, fiquei sabendo que a hipótese descrita no Princípio foi testada em um modelo matemático (o PDF do relato, com 10 páginas, está disponível para consulta).
E, no modelo, os pesquisadores (que talvez concorram ao IgNobel, pela improbabilidade da hipótese demonstrada) concluíram que o hábito de promover para uma função de outra natureza as pessoas que mais se destacam nas atividades que exercem, embora fundamentado no que é reconhecido popularmente como bom senso, tende mesmo a espalhar a incompetência por toda a organização.
E trata-se de algo tão pernicioso, que o mesmo modelo demonstrou que gera resultados ainda piores do que duas outras seleções arbitrárias (e que dificilmente vemos na prática): (1) promover sempre a pessoa menos competente e (2) alternar promoções do mais competente e do menos competente.
Claro que na vida real vemos diversas outras situações menos adversas, incluindo aquelas que são características de sistemas abertos, tais como:
- obter talentos externos para não ter de mover verticalmente alguém que se destacou pelas competências técnicas em uma determinada função.
- deslocar horizontalmente quem demonstrou não ter as competências necessárias para desempenhar uma determinada função.
- demissões e headhunting
- etc., etc.
Mas modelos matemáticos são assim mesmo, e a análise da conclusão exposta no PDF mencionado acima me fez refletir um pouco mais sobre a importância de uma escolha criteriosa na hora de promover para outras funções os destaques de uma equipe: se o reconhecimento possível na empresa é apenas esse, talvez seja a hora de repensar critérios, fazendo como tantas empresas (especialmente as de pesquisa) que permitem uma longa escalada técnica em que a pessoa não precisa mudar a natureza de suas atividades para progredir na carreira.
E para quem foi promovido recentemente, ou está em vias de, vale refletir em dobro sobre o que o levou à promoção, e o que se exigirá de você no novo posto.









Marco André Lopes Mendes comentou:
em July 6 2009 @
O crédito do artigo que eu passei deve ir pro Ricardo Bánffy (http://www.dieblinkenlights.com/). Ele passou pelo twitter (http://twitter.com/rbanffy) hoje e eu te encaminhei.
Vou ler o livro de novo, levando-o mais a sério. Sempre fiquei na dúvida se ele estava falando muito sério ou se era um grande humorista. ;-)
gui comentou:
em July 6 2009 @
carreira em Y ta ae por causa disso né
Enoch Filho comentou:
em July 7 2009 @
Promoção é coisa séria mesmo. a gente acha que é um prêmio e às vezes esquece que aumentam a cobrança, expectativas e responsabilidades.
Nesse mundo moderno há uma pressão para ser bom todos os dias. É preciso ter cuidado, pois, como disse a Rosana Hermann, muito provavelmente “você vai ter todo o conjunto de sua vida e obra julgado pela pior coisa que você fizer“!
Rodrigo Paulino comentou:
em July 8 2009 @
Essa situação ocorre não só quando se é promovido, mas também quando se é contratado num novo emprego numa função mais avançada que a anterior – sinto essa sensação atualmente.
Belo post!
thiagonline comentou:
em July 9 2009 @
Realmente uma situação de grande arbitrio no meio profissional, mas que como todo problema, tem que ser ‘contornado ou resolvido’ de forma honesta.
Elaine de S.Santos comentou:
em July 9 2009 @
Gostei muito do artigo e concordo com o que foi dito, só faltou um comentário: quando as empresas promovem por nepotismo ou por coleguismo, na empresa em que trabalho há pessoas em cargos importantes porque são esposas, amantes, filhos(parentes), amigos de alguém importante nos altos escalões e por isso eles são promovidos, alguns não tem a menor capacidade para o cargo seja ela acadêmica ou profissional mas por serem quem são, administram, ou melhor mal administram e os liderados são obrigados a aturar a incompetência que não é súbita mas constante dos seus superiores. Na empresa que eu trabalho mesmo tendo pessoas qualificadas dentro da empresa, buscam fora dela profissionais para atuar dentro dela, porque se você é bom naquilo que faz, nunca terá a chance de subir porque o chefe diz: não vou perder a minha ótima secretária pra você ganhar uma sub-Diretora de Escola ou outro cargo melhor que apareça, impedindo assim a sua promoção, agindo por motivos egoístas e não benéficos e práticos para a empresa. Só que somos incentivados a estudar e melhorar academicamente nossos currículos, porém os funcionários pensam: Pra quê tanto empenho? Pra continuar ganhando o que ganho(que é pouco!) e sendo a cada dia mais cobrado?
Érika Barradas comentou:
em July 9 2009 @
Peter Drucker já dizia que devem ser contratados “os melhores dos melhores”, acredito eu que justamente para não favorecer a precoce Incompetência Súbita dentro da organização.
Parabéns pelo post. Muito bom.
ksq comentou:
em July 9 2009 @
concordo plenamente mas aqui vai uma frase para os que não são competentes:
“QUEM NÃO TEM COMPETENCIA TEM QUE PUXAR SACO”!
Andréia comentou:
em July 9 2009 @
Gostei bastante do artigo. Não atuo na iniciativa privada, sou servidora pública, mas isto também acontece no meio dos concursos.
Muitas pessoas buscam determinados concursos apenas pela remuneração e não pensam na responsabilidade que é exercer aquele cargo, a exemplo da magistratura ou ser membro do Ministério Público.
É como foi dito ao Homem-Aranha, quanto maior o poder, maior a responsabilidade.Temos de ter isso em mente sempre…a incompetência súbita está muito presente no serviço público, podem acreditar.
Nucho comentou:
em July 9 2009 @
Gostei imenso do artigo e ele fala o que aconteçe na vida real. sou de Moçambique (Maputo) e por onde trabalhei, reparei muito isso, se bem que já aconteceu comigo, mas essa fase durou pouco, adaptei-me e consegui! Agora, receio ser promovido novamente! Hi, hi, hi…
augusto comentou:
em July 9 2009 @
Andreia, bem lembrado: a situação dos concursos públicos é mesmo análoga. Nem sempre as qualidades que levam o candidato a ser aprovado são as mesmas que o levarão a ser um bom servidor público.
Marcelo comentou:
em July 9 2009 @
Essa situação ocorre,em prática, não por incopentência, mas sim quando o puxa saco é promovido e não alguém por mérito, desde que não exista uma mudança brusca de funções.
Pansuda comentou:
em July 9 2009 @
Eu ja passei por isso sim. Mas não sei se no meu caso chamaria de incompetência súbita… trabalhei durante 2 anos e meio numa nova função. Quando iniciei foi um desafio pra mim não estava segura da minha competência para o novo cargo mais impressionantemente as pessoas estavam satisfeitas e maravilhadas com o meu trabalho incluindo o meu patrão. No fim quando eu ja me sentia segura e dona do saber, fui, para minha surpresa dimitida por ter cometido um errozinho que eu acredito que comparado com os cometidos no inicio não tinha tanta gravidade. Incompetência tardia existe? Do tipo esgotou todas as boas ideias?
Jader comentou:
em July 9 2009 @
Concordo com a seguinte afirmação:
“a importância de uma escolha criteriosa na hora de promover para outras funções os destaques de uma equipe: se o reconhecimento possível na empresa é apenas esse, talvez seja a hora de repensar critérios, fazendo como tantas empresas (especialmente as de pesquisa) que permitem uma longa escalada técnica em que a pessoa não precisa mudar a natureza de suas atividades para progredir na carreira”. Augusto Campos
acrescentaria:
Promover para outras funções os destaques de uma equipe:
1) se há reconhecimento passível na empresa;
2)Adotar, motivar os critérios válidos na realidade;
3)Permitir uma longa escalada técnica em que a pessoa não precisa mudar a natureza de suas atividades para progredir na carreira;
Luis carlos comentou:
em July 9 2009 @
Bom dia a todos!!,
REALMENTE, ACONTECE COM MUITA FREQUENCIA NAS GRANDES EMPRESAS, MAS CABE A NOS PROFISSIONAIS TERMOS SABEDORIA, PARA AJUDARMOS CASO ISSO SE TORNE PRESENTE EM NOSSO MEIO, POIS A ORGANIZAÇAO SEMPRE DEPENDERA DE BONS RESULTADOS.
Yone Abelaira comentou:
em July 9 2009 @
Um ótimo livro sobre o tema é “Todo Mundo É Incompetente, Inclusive Você” que afirma que todos nós temos o nosso limite de competência e exemplifica com vários casos. Eu recomendo.
july comentou:
em July 9 2009 @
Eu trabalho em um banco publico e lá já aconteceu de tudo: promoção por concurso interno, ou por destaque na função, enfim, mas o interessante é que eles procuram promover o funcionário em outra agência. Acho isso legal no sentido de não ter o risco da equipe não admitir a sua promoção (aquele colega de trabalho seu, que queria mas não conseguiu a promoção, não aceitar então a subordinação), e acredito que isso atrapalha e muito no desempenho do profissional promovido. Enfim, gostei do post, mas não fica só aí a discussão da incompetência súbita.
Maria comentou:
em July 9 2009 @
A única coisa que sei é que tenho de arranjar um novo emprego já,neste momento, porque meu chefe atual não só teve uma incompetência súbita há uns 20 anos (e que persiste), como possui uma “inteligência oblíqua”,e está me enlouquecendo.
Sou advogada aqui em Curitiba, ok?
Ah!Pode ser em função inferior a que ocupo, tá? (apesar de achar difícil ter uma na advocacia).
Rachel comentou:
em July 9 2009 @
Nossa… esse tema tem tudo a ver com a minha atual fase…
vou aproveitar o feriado para rever meus conceitos e atitudes…
pq msm sem ter sido promovida, a troca de empresa me faz ter uma atitude totalmente diferente da q eu tinha e me dava mto bem na empresa antiga.
e como eu qro crescer, não posso deixar q pequenas coisas tirem td o meu merito e q ofusquem a minha competência.
Obrigada pelo artigo!
Gill comentou:
em July 9 2009 @
A Raquel está no caminho certo. Peter F.Drucker também falou que o profissional competente em qualquer atividade ou nivel hierarquico é aquele que tem versatilidade para multi funções e sabe se adaptar a novas situações de vida ou de trabalho, que é bem informado e que tem talento ao lidar com pessoas na fábrica ou na alta diretoria e que seja orientado para resultados, estas características além da qualificação técnica de uma área específica dentro da organização. Percebe-se que nenhum destes aspectos não técnicos do perfil do profissional competente, onde quer que estiver atuando, é ensinado academicamente. Mas eles podem ser aprendidos e principalmente, podem ser identificados por um RH (capaz) no profissional sendo cogitado para a promoção, assim beneficiando a empresa e individuo com a escolha certa da pessoa certa para o cargo alvo.
Joao Frajncisco Junqueira comentou:
em July 9 2009 @
Promoçao, gera sempre problemas iniciais… é como vc entra em jogo de repente, com o corpo frio… ou mesmo qd està jogando futebol, e alguém, manda vc parar q necessita de voce no basquete, entende?!! Porém, eu fui diretor empresario, a pessoa deve continuar seu trabalho e ir encaixando o novo de acordo com a necessidade e qd nao é possivel, a direçao deve deixar alguém ensinando o compito ao novo promovido, fim a q ele seja capaz de fazer sozinho… isso é questao de coordenaçao da direçao, ninguém é tao capaz de fazer qualquer coisa ssim sem mais nem menos… precisa saber do detalhes do computador, codigos, a quem telefonar etc e tal… essa conversa dessa pesqusa nao existe… mas qd chega a ao maximo, ao Top, nao deve ficar imaginando pra cima, ele é o ultimo, deve retornar aos abaixo de sua escala… acontece q qd chega ao Top, sò pensa em si, puxa sardinha sò pra si (Sarnei por ex.) esquecendo dos abaixo… é ali q acontece os maioeres roubos, prq quem atropelou a todos pra chegar ali, vai cobiçar sò pra si mesmo… qt a incapacidade, depende de quanto foi preparado para aquilo, pra ser capaz, e o incapaz é aquele que nao consegue aprender e se adaptar… versatilidade nao é para qualquer um…entendeu, entendeu, se nao entendeu, entendesse… e basta…
Luiz comentou:
em July 9 2009 @
Eu acabei de passar por isso. Fui promovido, pois já não estava satisfeito na função anterior. Infelizmente o meu posto antigo não foi ocupado de forma satisfatória, o que gerou uma queda no faturamento da empresa. Fiquei muito chateado, visto que a promoção foi uma solicitação minha, que foi prontamente atendida. A questão é que fiquei com o peso da responsabilidade em meus ombros, pois tive que voltar para a função antiga (temporariamente), durante um mês, com um trabalho focado, recuperei mais de 50% do faturamento total que havia caido. O problema é que as cobranças aumentaram ainda mais e no fim de tudo, me desmotivei completamente, fiz um acordo financeiro com a empresa e resolvi sair. Saí por dois motivos: Exaustão referente às cobranças e também por não deixar que minha falta de motivação contagiasse os demais da equipe. As portas na empresa continuam abertas, mas acho que não teria mais coragem de retornar.
Bloc comentou:
em July 13 2009 @
Augusto… esse blog é excelente…. todo o conteúdo é bom e sempre fico ansioso por novidades…. portanto, aqui vai o meu apelo:
Atualizações mais frequentes… please!!!! =)
augusto comentou:
em July 14 2009 @
Eu também gostaria de atualizar mais frequentemente, acredite ;-) Mas não sou blogueiro profissional, então preciso conciliar com as outras demandas da minha vida. Mas pode ter certeza de que continuarei atualizando o Efetividade com o maior prazer, ainda que sem esperança de voltar ao ritmo antigo de 5 posts por semana ;-)
tatiane comentou:
em August 19 2009 @
Uma boa reportagem!