Opinião: Professor não é Babá
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Indicação de Silvania Santos:
Gosto de uma música do Raul que diz assim: "Eu perdi o meu medo, o meu medo, o meu medo da chuva". Ela poderia ser usada como fundo musical de uma cena pouco comum: quando o educador tem a coragem de dizer "Não! Eu não compactuo com esse modo de educar e por isso eu me demito".
Ao longo dessa última década, assisti colegas professores adoecendo de ansiedade e para mim essa é uma pequena mostra de como a profissão que eu escolhi e amo representa um potencial risco ao mal do século: a depressão.
O psicanalista César Ibrahim Mussi me ensinou recentemente que a função do educador é apresentar o aluno à condição de desamparo, em outras palavras: professor não é aquele que mima. César defende que a árdua tarefa de dizer não e remeter ao aluno à incerteza é fundamental para preparar o sujeito para a vida. Se queremos "DES-ENVOLVER" o nosso educando, é preciso remover a proteção, o estado de "conforto" e remeter o aprendiz a um novo patamar onde ele busca ativamente o conhecimento ao invés de esperar por migalhas de informações como um pobre pássaro depenado que fica passivamente esperando, de boca aberta, em seu confortável ninho.
É preciso coragem para lutar contra a pulsão de morte configurada na tendência à paralisia tÃpica das instituições de pseudo-ensino que, por medo de perder seus alunos, transformam seus mestres num bandos de babás. Os pais precisam de uma boa dose de astúcia para identificar e fugir das escolas que prometem demais: a NÃO garantia é pressuposto da educação.
Por isso não dá para acreditar nas propostas que se vinculam ao temor do desamparo e não estabelecem responsabilidades ao educando. Tenho pena dos alunos mimados que não aprenderam a enfrentar a frustração e sucumbem ao medo na hora de enfrentar os desafios da vida. Esses que passam ano após ano sem aprender porque não precisaram se comprometer e assumir uma posição ativa na escola.
Seus mestres, por medo, não enfrentam os problemas da falta de respeito e de compromisso. Mais preocupados com o mÃsero salário no final do mês, não apenas aceitam, mas com permissividade movem o moinho do despotismo. Dignidade para o educador é admitir a sua própria miséria e condicionar a sua gestão à uma constante luta contra a inércia: não dá para aceitar aluno dormindo, brincando, brigando, exigindo prova com consulta…
Des-envolver é um poderoso exercÃcio para enfrentar a própria frustração que contagia os pares e os educandos. Isso me faz lembrar de outra música: Todos Juntos. Lembra dela?
Referência: http://aeducadora.blogspot.com/2008/11/sabe-aquela-msica-do-raul-eu-perdi-o.html
O Efetividade.net registra seus agradecimentos a Silvania Santos pelo envio deste material.
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16 Dec, 2008, por Augusto Campos
Carreira, Indicação
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Silvania comentou:
em December 16 2008 @ 19:14
Fiquei radiante quando soube da publicação de um de meus textos no Efetividade.net, que para mim (e para muitos) é o melhor blog nacional sobre desenvolvimento pessoal e lifehacking. Obrigada por prestigiar e difundir o blog “A Educadora” – um espaço para discutir a educação formal e não-formal.
Bruno comentou:
em December 16 2008 @ 20:33
Texto interessante, comcordo com quase todo ele, entretando: Discordo se educar for sinônimo de por dúvidas na mente do educando e mandá-lo pesquisar (sob a máscara: pense, raciocine, “estou para te ensinar a pensar”), isso é entressante especialmente quando o educando não sabe por onde inicar a pesquisa (sem direção), porém quando a dúvida é usada como estÃlo ou “abridor de mente” para tornar o educando mais receptivo ao ensino, parabéns.
“Seus mestres, por medo, não enfrentam os problemas da falta de respeito e de compromisso. Mais preocupados com o mÃsero salário no final do mês, não apenas aceitam, mas com permissividade movem o moinho do despotismo.”
Talvez isso demonstre uma observação superficial da realidade, realidade diferente da que vejo[1] ou foi escrito para enfeitar o texto.
Conheço educadores[2] que se estressam ou passam por depressão e estão insatisfeitos no “trabalho”.
Lembro-me de uma educadora descrevendo, com alegria, como havia um ambiente favorável à educação. O professor não se preocupava com alunos desobedientes ou baderneiros; havia um profissional que passeava de sala em sala e emcaminhava os mesmos à direção que reportavam aos pais, que por sua vez tomavam providências (hoje o professor tá errado ou a escola não presta).
Se o educando não pode ser punido não limites para a baterna, desrespeito e ofenças. Muitos pais fogem às suas responsabilidades.
1- Colégios estaduais em Salvador, BA
2- Educações do ensino público e privado; pela inversão de responsabilidade com os pais não tendo meios, estrutura ou autoridade para assumÃ-la.
__________________
Parabéns pelo texto, professor deve ser educador voltado ao conhecimento, aos pais a responsabilidade pelo caráter e postura.
Não sou educador; observo essa área pois acho de grande importância. É base.
Cristiano Vieira comentou:
em December 16 2008 @ 21:15
Pois a chuva voltando da terra traz coisas do ar… Mas infelizmente a chuva está cada vez mais escassa e o chão árido tem feito com que a sede de conveniência dominem nossas escolas.
No mundo do tudo posso pois pago meus impostos, pago o colégio e pago não sei mais o que, os pais estão querendo se eximir do dever de ser pais. É como se, faço esse menino e dou pro mundo criar, e depois vou reclamar do governo por meu filho não ter conseguido aprender.
Infelizmente para ser pai/mãe não basta querer ter um filho, mas também aceitar as responsabilidades inerentes desse atributo maravilhoso mas árduo!
Philemon comentou:
em December 17 2008 @ 00:35
Não sou professor. Mas não deixo de observar, com base em relatos e notÃcias veiculadas na mÃdia, que a relação entre professores e alunos está se deteriorando a cada dia. Como se não bastassem a vil remuneração, a falta de reconhecimento e o não aprimoramento oferecido aos professores, ainda temos que conviver com a impotência do corpo docente, diante da petulância dos alunos. Estes, sem o menor respeito, estão trazendo para sala de aula a violência corriqueira das ruas. É um efeito abominável.
Em muitas escolas está em voga aquela máxima: “os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem.”
É a escola retrogressiva?
Mundo Drive comentou:
em December 17 2008 @ 16:30
Ser professor e padecer….( ao paraÃso!!!!)
http://mundodrive.blogspot.com
Patola comentou:
em December 22 2008 @ 07:19
Fora essa passagem aqui:
não dá para aceitar aluno dormindo, brincando, brigando, exigindo prova com consulta…
Não identifiquei nenhum outro exemplo concreto do que você está querendo dizer. Sinto, mas seu discurso ficou abstrato demais, ficou bastante difÃcil saber o quê exatamente (e de que modos, em que contextos, etc.) você está advogando ou acusando. É preciso mais exemplos, mais casos, mais ilustrações pra estabelecer uma definição boa – e eu dizer com propriedade se apóio seu texto ou não, se discordo ou concordo com ele.
Darlan comentou:
em December 23 2008 @ 13:36
Dormir em sala de aula é uma falta de consideração com o professor e até com os colegas. Entretanto, alguns professores se recusam a aprimorar seu modo de ensino, despresando técnicas que poderiam atrair mais a atenção dos alunos.
rá-tim-bum comentou:
em December 26 2008 @ 21:45
Esse professor da imagem não é aquele ator que em outro filme interpretava uma mulher de idade?
Eu acho que esse cara tem no mÃnimo a pá virada para ter conseguido fazer tão bem aquele papel.