Gerenciamento de projetos: cuidado com a Lei de Parkinson!
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Você já ouviu falar na lei que afirma que as tarefas se expandem para ocupar todo o tempo disponÃvel?
Parte considerável das disciplinas do gerenciamento de projetos está relacionada ao planejamento e controle do uso de recursos caros e escassos, tais como tempo e pessoas. Os profissionais da área hoje dedicam bastante atenção e estudo às práticas do PMI (sintetizadas no PMBOK e em outras publicações do instituto), às metodologias do PRINCE2 e a outras técnicas em voga.

Mas a questão do gerenciamento de recursos escassos é um dos aspectos essenciais da Administração, e muito já se escreveu sobre ela. A maioria das obras tem aquele tom acadêmico que estamos acostumados a esperar de livros acadêmicos, mas de vez em quando surge uma alternativa à sisudez, às vezes sem a mesma profundidade e embasamento, mas certamente facilitando a motivação para a leitura e para a reflexão, como veremos a seguir.
Nem sempre é preciso ser sisudo para provocar reflexões sérias
Foi assim com o PrincÃpio de Dilbert, que na década de 1990 fez muita gente pensar sobre gestão de pessoas, e que é em si uma especialização do PrincÃpio de Peter, surgido em um livro da década de 1960, de autoria de Dr. Laurence J. Peter. Você já deve ter ouvido falar neste princÃpio, que afirma: “Em uma hierarquia, todo empregado tende a ser promovido até atingir seu nÃvel de incompetência” – e de fato isso acontece em muitas empresas, por exemplo naquelas que adotam a prática de identificar excelentes técnicos ou vendedores e os promovem a cargos de gerência, para os quais à s vezes não estão preparados. Às vezes funciona bem, e em outras vezes tende a ser profundamente disfuncional, a ponto de os empregados tentarem reduzir seu desempenho para evitar a transferência forçada para outra carreira.
E assim é também com a Lei de Parkinson, proposta originalmente por um ensaio de Cyril Northcote Parkinson, publicado pela The Economist em 1955. Ela é definida assim: “o trabalho se expande até preencher o tempo disponÃvel”. E a experiência prática pode levar a dezenas de exemplos de tarefas que poderiam ser feitas em 2 horas, mas como havia 8 horas disponÃveis, ela se expandiu, ganhou novos nÃveis de complexidade, precisou de mais ferramentas, mais equipe, e eventualmente deixou de ser entregue no prazo justamente como conseqüência destes acréscimos.
Infelizmente esta lei não é reversÃvel: nem sempre um trabalho poderá ser completado de forma mais rápida só porque menos tempo foi atribuÃdo a ele. O foco original de Parkinson era o crescimento das burocracias (não apenas as governamentais), algo que na época (muitos anos antes de os anos 90 chegarem com a reengenharia e a ênfase na terceirização) ocorria de forma constante e independente da demanda pelos serviços da corporação – efeito que ele explicava por intermédio de sua lei.
As pessoas que conhecem e combatem a Lei de Parkinson são aquelas que todo mundo quer ter em sua equipe, pois resolvem rapidamente os problemas – o que faz com que elas tenham cada vez mais problemas para resolver, e em geral acabam tendo de enfrentar os efeitos do PrincÃpio de Peter!
Em gerenciamento de projetos (ou mesmo em projetos pessoais), uma conseqüência negativa da Lei de Parkinson (e da procrastinação) é que raramente uma tarefa ficará pronta antes da sua data planejada. Claro que isso não precisa ser assim, e na verdade o ideal é que o prazo de cada atividade seja estabelecido e cumprido de forma exata (caso contrário, há uma tendência a desperdÃcio de custos e de potencial humano alocado ao projeto), mas a prevenção contra o PrincÃpio de Peter (via mecanismos de motivação ou mesmo via controles do uso do tempo e recursos) deve ser levada em conta!
Mais Parkinson
Tive a sorte de ter professores de graduação inspirados, o que me levou a ler o livro de C. Northcote Parkinson ainda a tempo de aproveitar suas dicas até mesmo na própria faculdade – acabando com a tendência de estudar mais para as provas só porque tinha mais tempo disponÃvel, ou ampliar o escopo de uma pesquisa como conseqüência de ela ter ficado pronta antes da hora.
Não sei dizer onde você pode encontrar o livro (o exemplar que eu li talvez ainda esteja na biblioteca da ESAG, em Florianópolis), mas eu recomendo a leitura, até mesmo para conhecer as outras leis propostas por Parkinson, tais como:
- O trabalho se expande até preencher o tempo disponÃvel
- Os gastos se expandem até alcançar o faturamento
- Expansão significa complexidade, e complexidade significa declÃnio (esta tem base nas leis da termodinâmica)
- O número de pessoas em qualquer grupo de trabalho tende a aumentar, independente da quantidade de trabalho a ser feito.
- O adiamento é a pior forma de negação
E existe ainda a lei da Senhora Parkinson, que deixo como fechamento do artigo para inspirar os gerentes de projeto na audiência: “O calor produzido pela pressão se expande até preencher toda a mente disponÃvel, da qual ele pode ser transferido apenas para uma mente mais fresca”.









Caloni.com.br » Blog Archive » Cronogramas comentou:
em October 29 2007 @
[...] sobre esse fenômeno, que já tinha nome e dono registrados antes de eu pensar neles: se chama Lei de Parkinson e reza que “as tarefas se expandem para ocupar todo o tempo disponÃvel”. Vale a pena a [...]
Roberto Cohen comentou:
em October 29 2007 @
Acho que é PARKINSON, C. NORTHCOTE, conforme expresso na primeira citação. Mas a segunda, logo abaixo do tÃtulo MAIS PARKISON está com QU.
Abraços e parabéns pela matéria
Cohen
augusto comentou:
em October 29 2007 @
Tem razão, Roberto. Já vou corrigir. Obrigado!
Jeveaux comentou:
em October 29 2007 @
Excelente post Augusto, parabéns. E o livro é obrigatório para gerentes de projeto, foi legal ler seu post pois consegui encontrar o livro nas minhas bagunças. Sugiro a quem quiser um exemplar procurar num sebo qualquer, as edições de +-64 até +-78 custam menos de r$10 e se chama a Lei de Parkinson mesmo.
O Primo comentou:
em October 30 2007 @
O PMBOK cita também o “halo effect” (efeito de ‘halo’) – a idéia de que, por exemplo, promover aquele super-mega-boga-programador pra gerência é uma boa idéia, porque, se ele é bom programador, vai ser bom gerente…
José Ricardo comentou:
em November 3 2007 @
Parabéns pelo post!
Qual o nome do livro do C. Northcote Parkinson?
Blog Tips #3 comentou:
em November 6 2007 @
[...] diária, o blog Efetividade.net apresenta excelentes artigos sobre produtividade pessoal. Indico o artigo sobre a Lei de Parkinson que trata sobre o gerenciamento de recursos na Gestão de [...]
A Lei de Parkinson « Efetividade.net comentou:
em September 5 2008 @
[...] também nosso artigo anterior: Gerenciamento de projetos: cuidado com a Lei de Parkinson! Leia também: Acordar mais cedo: como criar o hábito 7 dicas para apresentações impecáveis [...]
Promovido no emprego? Evite o mal da incompetência súbita « Efetividade.net comentou:
em July 6 2009 @
[...] talvez mais palatável) do bem-humorado (mas suficientemente sério) PrincÃpio de Peter, que já mencionamos de passagem no texto sobre a Lei de Parkinson, e que diz: “Em uma hierarquia, todo empregado tende a ser promovido até atingir seu nÃvel de [...]
Gerenciamento de Projetos: como iniciar uma carreira de sucesso « Efetividade.net comentou:
em September 10 2009 @
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