Valorizando o currÃculo: como conseguir o emprego dos seus sonhos na área de Informática
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Se você for esperto e capaz de realizar atividades relevantes, já tem meio caminho andado para preparar um currÃculo capaz de conseguir a vaga desejada.
Os artigos anteriores sobre currÃculos aqui no Efetividade.net tratavam especificamente dos aspectos técnicos da confecção do currÃculo: como contruir o visual de um bom modelo de currÃculo, o que escrever nele, como se preparar para a entrevista (esta série ainda está em andamento), e outros detalhes sobre o currÃculo enquanto documento.
Mas o profissional efetivo que percebe a tempo a questão da sua empregabilidade sabe que há um aspecto muito mais importante nos currÃculos: ter experiências, aptidões e objetivos para registrar nele.
E é neste sentido que um artigo de Dan Kegel, um desenvolvedor que já trabalhou em locais de prestÃgio como a Activision (nos bons tempos) e o laboratório de propulsão a jato da NASA, e já selecionou muito mais estagiários e funcionários do que eu provavelmente farei durante toda a minha vida, pode ajudar. Ele criou uma lista bastante curta e indo direto ao ponto sobre o que você pode fazer hoje para estar apto a encontrar o emprego de seus sonhos em TI, baseado em sua experiência com recrutamento e seleção.
Mas só por ser curta e direta, não significa que a lista é fácil de preencher – embora também não seja nenhuma lista de Trabalhos de Hércules. Vamos a ela.
Como ser contratado
Em primeiro lugar, por mais especialista que você seja, e por mais brilhante que tenha sido a sua carreira acadêmica, esteja disposto a demonstrar que você sabe o básico. Se o seu entrevistador pedir para que você construa um algoritmo, um programa que conte de 1 até 10 na tela, um script que renomeie com um prefixo todos os arquivos de um diretório ou um SELECT que retorne os primeiros 10 registros de uma tabela qualquer, saiba que não é nada incomum: muitos recém-egressos do mundo acadêmico não sabem ou não lembram dos conceitos mais triviais do mundo real, e ao pedir que os candidatos demonstrem habilidades tão simples, o entrevistador pode determinar rapidamente se está lidando com um destes (que pode ser muito valioso em determinadas áreas especÃficas, mas terá uma curva de aprendizagem pela frente em outras).
Os entrevistadores geralmente estão em busca de 2 caracterÃsticas essenciais: pessoas espertas e capazes de realizações. É difÃcil descobrir se a pessoa é esperta, se ela “se vira”. Mas a entrevista em geral tenta determinar isso. Claro que não basta ser esperto, e é por isso que o empregador procura no seu currÃculo: projetos completados, dificuldades ultrapassadas, criações concretas e evidência de brilho.
Portanto, pessoas que já tenham realizado coisas interessantes levam vantagem. Possuir experiência prévia que seja claramente aplicável à vaga que você está disputando é um trunfo muito difÃcil de ser superado por outros candidatos que não o possuam.
Assim, é muito difÃcil ser contratado para uma atividade que você nunca fez antes. Se a vaga é para desenvolver um sistema de comércio exterior em Java com Oracle, e você tem mestrado em inteligência artificial e ganhou prêmios internacionais por sistemas feitos em Delphi, você provavelmente entrará na fila atrás do cidadão que sabe de Java apenas o que aprendeu nas cadeiras introdutórias da faculdade, mas tem especialização em comércio exterior, e também da menina que nunca lidou com comércio exterior, mas já liderou o desenvolvimento de um sistema de controle de fluxo de caixa em Java com MySQL.
Como usar isto a seu favor
Agora que você já sabe o que os empregadores procuram, use isto a seu favor enquanto é tempo. Escolha a área em que você pretende um dia atuar (por exemplo, administração de redes, ou desenvolvimento de aplicativos), e trace um panorama de quais as experiências que serão necessárias para um bom candidato nestas áreas.
Aà é só usar seu coeficiente de viração própria para procurar obter estas experiências antes de chegar ao mercado de trabalho. Já contratei um desenvolvedor que obteve sua experiência em Java desenvolvendo em casa um sistema de controle para o estacionamento no qual trabalhava para pagar a universidade. Mas ele não se limitou a criar um “sisteminha”: caprichou na portabilidade em relação a diversos SGBDs, usou conceitos de usabilidade de interface humana, criou documentação para desenvolvedores e usuários. Ou seja: ele sabia que estava construindo sua própria vitrine mesmo trabalhando em um singelo estacionamento, e quando terminou a faculdade estava em melhores condições de empregabilidade do que diversos de seus colegas que haviam estagiado em empresas bem maiores.
Por outro lado, todos os anos recebo candidatos a vagas de desenvolvedor recém-formados, cuja única experiência com tecnologias do “mundo real”, como construção de consultas SQL ou desenvolvimento de sistemas nas linguagens mais populares, ocorreu no ambiente acadêmico, com os exercÃcios que o professor passava. Em uma situação assim, tendo de escolher um aluno nota 10 mas que nunca participou de um desenvolvimento de sistema, e o rapaz do estacionamento acima (mesmo supondo que a média de notas dele fosse 7,5), qual você acha que teria mais chances para uma vaga na área de desenvolvimento de sistemas hoje?
E você não precisa trabalhar em um estacionamento para se dar bem. Se você quer ser desenvolvedor, que tal contribuir com algum projeto de código aberto, a ponto de ter seu nome mencionado nos créditos do mesmo? Se quer administrar redes, que tal passar um semestre indo uma vez por semana como voluntário em uma escola pública, mantendo em operação a colcha de retalhos de equipamentos doados que elas muitas vezes têm, e dando um jeito de conectá-las em rede local e à Internet usando um gateway configurado integralmente por você? Se quer trabalhar com bancos de dados, que tal desenvolver algum website interativo que envolva funções de cadastramento e consultas diversas, e mantê-lo em operação cuidando não apenas do software em si, mas também dos backups e outros aspectos operacionais?
O resumo da ópera é usar o tempo a seu favor, aproveitando as oportunidades de agregar experiências interessantes ao seu currÃculo – sem deixar de enriquecê-lo das formas tradicionais, como a participação em palestras relevantes ou a escrita de artigos. Em qualquer vaga de emprego interessante, você certamente vai estar um passo à frente do que aquela sua colega que vai em todo seminário e palestra e memorizou todos os conceitos que o professor ensinou, mas nunca construiu nada.
Para saber mais: How To Get Hired — What CS Students Need to Know, por Dan Kegel.
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28 Jan, 2007, por Augusto Campos
Carreira, CurrÃculo, Emprego, Uncategorized
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Magazine RS comentou:
em January 22 2012 @ 02:07
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