Efetividade.net http://www.efetividade.net Agenda em dia e caixa de entrada vazia! Ferramentas, dicas e técnicas, com ou sem Palm. Mais produtividade com pouco esforço. Eficiência e eficácia não bastam: como ser bem mais efetivo e administrar melhor o seu tempo aplicando dicas e truques simples. Fri, 03 Jul 2009 13:23:38 +0000 http://wordpress.org/?v=2.7 en hourly 1 Teletrabalho no Brasil: o exemplo da Gol (e quando chegará a nossa vez?) http://www.efetividade.net/2009/07/03/teletrabalho-no-brasil-o-exemplo-da-gol/ http://www.efetividade.net/2009/07/03/teletrabalho-no-brasil-o-exemplo-da-gol/#comments Fri, 03 Jul 2009 13:20:42 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1619 Trabalho em casa, na forma de dicas para os home offices de profissionais independentes e autônomos, é assunto frequente por aqui. Incidentalmente, os contos do vigário relacionados a oportunidades de trabalho em casa também atraem bastante atenção dos leitores, que comentam sobre isso literalmente aos milhares.

Mas uma outra modalidade de trabalho em casa começa a chegar em números maiores ao Brasil: é o teletrabalho de funcionários de grandes empresas. Consta que já há mais de 10 milhões de teletrabalhadores no Brasil, mas nosso exemplo de hoje é bem modesto: é o da Gol, que já tem 50 atendentes de telemarketing (o número deve crescer até o final do ano) trabalhando diretamente a partir de suas casas, reduzindo custos e investimentos para a empresa, oferecendo oportunidades diferenciadas aos empregados, e servindo de exemplo para outras empresas que relutam em fazer o mesmo - seja em tarefas operacionais, técnicas ou administrativas.

Claro que trata-se de uma tarefa com bom número de desafios, incluindo os de ordem jurídica, tecnológica, de gestão e outros. Mas minha visão é de que o resultado final compensa o esforço, e trata-se de uma evolução natural de um mercado de trabalho que precisa se adaptar às dificuldades das grandes metrópoles (incluindo os cada vez maiores tempos de deslocamento), às questões ambientais e à natureza cada vez mais complexa das relações de trabalho e consumo.

Mudança de comportamento

Além das questões jurídicas e administrativas, há também um problema psicológico: muitas vezes é difícil para o gestor abrir mão de manter sob os seus olhos a força de trabalho. O diretor teme permitir que o trabalhador trabalhe fora do alcance de visão de um supervisor, e sem as restrições ambientais de um escritório corporativo. Mudar este paradigma é complicado, e geralmente precisa acontecer na forma de programas-piloto em pequena escala que demonstrem os ganhos potenciais do desenvolvimento desta alternativa.

Segundo Wilson Maciel Ramos, vice-presidente de planejamento e TI da Gol, em declaração à revista Info Corporate, é a redução de custos a principal vantagem de permitir o trabalho dos seus atendentes em casa. Mas há também uma oportunidade de inclusão social. Ele declara:

“Há uma força de trabalho disponível que tem dificuldade de se deslocar de casa para o escritório, como mães que precisam ficar com os filhos e portadores de deficiência física. Com esse sistema, podemos oferecer oportunidade de emprego a essas pessoas”

No caso da Gol, os funcionários que trabalham a partir de suas casas integram a equipe de atendimento via chat, serviço pelo qual os clientes podem remarcar suas passagens, e tirar as dúvidas sobre assuntos diversos, como bagagens, vacinas, documentos e tantos mais.

Controle estrito

Para satisfazer à demanda dos gestores por controlar as atividades dos funcionários de uma forma que vai além das metas de atendimento e de tempo de resposta, o sistema tem restrições adicionais, mesmo rodando no computador pessoal de cada atendente.

A primeira delas é a da redução das distrações digitais: o software é projetado para não permitir que o atendente use outro programa simultaneamente.

Mas o sistema vai além: para evitar que o atendente coloque outra pessoa trabalhando em seu lugar e vá dar uma voltinha, o sistema tem um leitor de impressões digitais e exige que a identificação biométrica do funcionário a cada meia hora.

E na sua empresa?

As demandas de controle e restrição dependem de diversos fatores, como a atividade que será desempenhada remotamente, o relacionamento do profissional com a organização, e até mesmo o ramo de atuação da empresa.

Mas os desafios jurídicos, tecnológicos e de gestão valem quase igualmente para todas as empresas interessadas neste tipo de expediente. Além disso, há as mudanças de riscos - por exemplo, ao invés de se preocupar com os impactos de uma greve de ônibus (como a que nos assolou em Florianópolis nos últimos 3 dias) sobre a força de trabalho, passa a ser necessário pensar em como lidar com um apagão da Internet residencial, como o efeito que vem atingindo os usuários do Speedy nos últimos meses.

Há algum tempo escrevi sobre um estudo sobre os efeitos positivos do teletrabalho e, como eu trabalho em casa (como atividade complementar), faz tempo que entendi que é necessário manter o foco em permanecer produtivo mesmo em um ambiente que às vezes induz à distração.

Mas é uma tendência sobre a qual vale a pena ficar atento e, quando possível, experimentar e aplicar (ou imprimir um case e esquecer na mesa do seu diretor…). Se houver uma experiência (ou mesmo uma intenção) de teletrabalho em andamento na sua empresa, compartilhe conosco nos comentários!

Leia também:

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http://www.efetividade.net/2009/07/03/teletrabalho-no-brasil-o-exemplo-da-gol/feed/
Zumbis de celular: pesquisa demonstra que não sou só eu que me irrito com essa espécie http://www.efetividade.net/2009/06/29/zumbis-de-celular-pesquisa-demonstra-que-nao-sou-so-eu-que-me-irrito-com-essa-especie/ http://www.efetividade.net/2009/06/29/zumbis-de-celular-pesquisa-demonstra-que-nao-sou-so-eu-que-me-irrito-com-essa-especie/#comments Mon, 29 Jun 2009 12:55:59 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1612 Como sou (mas não por larga margem) um integrante da última geração da espécie humana que viveu parte de sua vida nos tempos pré-telefone celular, ainda lembro do conselho que era dado antigamente: não ser descortês com as pessoas que estão conosco em um dado momento só porque o telefone tocou - e isso se dizia porque naquela época já havia quem deixasse os demais presentes esperando e saía correndo para atender ao telefone tocando, e aí ficava dedicado a ele, sem nem mesmo avaliar se o assunto tratado justificava a ausência de consideração aos circunstantes, fossem amigos, clientes, colegas de trabalho ou de quaisquer outras categorias dos relacionamentos humanos: sociais, afetivos, familiares, profissionais, etc.

Mas os tempos mudaram bastante. Há alguns meses li (e não guardei a referência) uma crônica brasileira sobre os zumbis de celular, estas pessoas (de todos os sexos, faixas etárias e situações sociais) que desligam o cérebro ao empunhar o celular durante atividades cotidianas, como andar pela calçada, aguardar na fila do supermercado ou - muito pior - dirigir um carro. Eles colocam a si mesmos - e aos demais - em risco grave de acidentes, demoram mais que o necessário para desocupar espaços de uso coletivo, atrapalham as filas, as calçadas, a circulação dentro dos ônibus, completamente alheios a tudo - e sempre acham que são apenas alguns instantinhos enquanto terminam de enviar só mas uma mensagem.

Isso quando não fazem pior: apresentam em voz insuficientemente baixa seus assuntos pessoais que o público ao redor não estava interessado em conhecer, discutem em voz alta (e naqueles fones bluetooth que eles parecem acreditar que os isolam do ambiente) seus estressantes assuntos profissionais, deixam tocar até o fim, sem atender, seus ringtones insuportáveis ou - horror dos horrores - ouvem no alto-falante portátil distorcido as suas músicas preferidas, tanto em espaços confinados quanto nos amplos.

Como este comportamento nos outros me irrita, eu naturalmente me policio para evitá-lo em mim mesmo - não gosto nem mesmo de atender ao celular na presença de mais pessoas em ambientes públicos, embora às vezes seja inevitável. Quem dera essa repulsa fosse contagiosa - afinal, parece que o número de zumbis de celular só aumenta, e é preciso encontrar logo um antídoto ou terapia.

Mas a divulgação de uma pesquisa nos EUA sobre os efeitos do uso mal-educado de celulares (também abordada pelos vizinhos do Zumo) mostra que ao menos não estou sozinho: a maior parte dos entrevistados se irrita com variados comportamentos de seus semelhantes ao celular.

E os abusos de lá são parecidos com os daqui: 80% dos pesquisados já testemunharam alguém fazendo algo como deixar um caixa do supermercado esperando até a conclusão da conversa, usar notebook em banheiro público, digitar ao volante, na igreja, em funeral ou em consultório médico. Isso sem falar nos telefones que tocam no teatro, cinema, tribunal e outras reuniões em que o toque em si já não é bem-vindo - e o ato de falar ao telefone, em si, é uma ofensa ao público em geral e aos participantes envolvidos.

Na liderança da irritação está o mais arriscado dos maus hábitos: com 72% dos entrevistados aparece a digitação ou leitura de mensagens em dispositivos móveis enquanto os usuários estão ao volante.

Que tal repensar os seus hábitos de uso de dispositivos móveis, considerando se eles são desagradáveis para as pessoas ao seu redor? Muito de nossa imagem e potencial de boa convivência em grupo depende deste tipo de atitude que tantas vezes não percebemos, e cuja melhoria às vezes está ao nosso alcance, bastando parar para repensar.

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http://www.efetividade.net/2009/06/29/zumbis-de-celular-pesquisa-demonstra-que-nao-sou-so-eu-que-me-irrito-com-essa-especie/feed/
Wireless: maior alcance para sua rede sem fio com um repetidor wi-fi http://www.efetividade.net/2009/06/24/wireless-maior-alcance-para-sua-rede-sem-fio-com-um-repetidor-wi-fi/ http://www.efetividade.net/2009/06/24/wireless-maior-alcance-para-sua-rede-sem-fio-com-um-repetidor-wi-fi/#comments Wed, 24 Jun 2009 14:56:43 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1605 Redes wireless são uma realidade cada vez mais presente nas casas e escritórios, conforme se popularizam os notebooks, netbooks, smartphones e outras tecnologias de mobilidade digital.

No caso ideal (mas que frequentemente ocorre), configurar a rede sem fio é simples: pluga-se o roteador wireless na tomada e no modem de acesso da banda larga já existente, segue-se um procedimento simples de mudança de senha e outras configurações essenciais de segurança, e tudo funciona. Quando há alguma dificuldade para seguir as instruções essenciais de configuração, chama-se aquele afilhado ou amigo mais geek, e ele termina de resolver tudo antes de o cafezinho ficar pronto.

Mas há casos que passam bem longe do ideal, e aí as soluções começam a ficar menos simples. Um deles é o da insuficiência de cobertura: às vezes o sinal da rede wireless chega muito fraco (ou simplesmente não chega) a algum cômodo que você gostaria de atender.

Já tratamos do assunto anteriormente, com soluções relativamente simples e baratas, como substituir a antena do roteador por uma mais potente (R$ 30), ou mesmo tentar direcionar o sinal para o cômodo que estiver sem cobertura.


Repetidor sem fio (e access point) TP-Link TL-WA501-G

Já usei com pleno sucesso ambos os métodos, mas recentemente me mudei para um apartamento em que a configuração dos corredores e paredes impede a eficácia plena de ambos, e não foi possível encontrar uma forma de levar o sinal de um único access point a todos os ambientes. Foi assim que resolvi recorrer a uma solução mais tecnologicamente ortodoxa: um repetidor Wi-Fi.

Repetidores wireless dedicados domésticos não são muito fáceis de encontrar, mas vários modelos de roteadores sem fio e pontos de acesso incluem esta função adicional (procure pelo modo repeater na descrição da caixinha). Eu escolhi um modelo da TP-Link (o TL-WA501-G) que custou R$ 170,00 em uma loja aqui em Floripa, e que já veio com o selo de homologação da ANATEL.


Diagrama da minha rede sem fio com repetidor - os equipamentos são de fornecedores diferentes (Linksys, D-Link e TP-Link), sem problemas de compatibilidade

O funcionamento de um repetidor Wi-Fi é bem diferente do que eu imaginava. Ao invés de se conectar via IP como um “subordinado” ao roteador principal pré-existente e repassar a ele os dados que recebe, o repetidor faz algo aparentemente mais simples: assume a mesma configuração do roteador original (canal, ESSID, chave de acesso, método de criptografia), e repete (com a potência da sua antena, bem mais forte que a dos nossos notebooks) a ele tudo o que captar.

A vantagem deste modo de operação, em relação à configuração IP hierárquica que eu supunha, é que os notebooks da rede nem ficam sabendo que estão falando com um repetidor: você pode andar por todos os cômodos da casa, e sua conexão será preservada continuamente, sem necessidade de ajustes. A desvantagem é para quem precisa de desempenho na conexão interna (o que não é tão comum): como todas as transmissões na área do repetidor serão duplicadas, a velocidade máxima possível cai. É possível colocar múltiplos repetidores (para cobrir um condomínio, por exemplo), mas o desempenho total cai ainda mais (o que pode ser um problema menor se a velocidade do acesso banda larga for bem inferior à da rede sem fio).

A configuração do meu repetidor sem fio TP-Link era claramente voltada a quem deseja usá-lo como um access point comum (e neste sentido era bastante simples), mas colocá-lo no modo wireless universal repeater exigiu bons 30 minutos de pesquisa e alguma ginástica que foi além do que o manual preconizava, incluindo conectar-se a ele via cabo de rede no conector de uplink e (repetidamente) configurar o laptop com o endereço IP 192.168.1.2 para poder permanecer conectado ao longo dos vários reboots necessários a configurar a criptografia, as chaves, e o endereço MAC do roteador principal - nesta ordem). Talvez dessa vez o seu amigo geek chegue a tomar o cafezinho antes de completar o procedimento!

Mas depois de configurado, tudo passou a ser simples. Bastou levá-lo ao cômodo em que não havia cobertura, e colocá-lo na tomada (não há necessidade de cabos de rede, naturalmente). Como a antena dele é mais potente e mais sensível, ele não teve nenhum problema para se conectar ao roteador principal, e o nível de sinal captado pelo notebook, que variava entre 15% e 25%, passou instantaneamente a 90% - e vem funcionando bem desde então, com as mesmas velocidades de conexão à Internet que já eram obtidas nos demais cômodos.

Naturalmente não posso me oferecer como suporte técnico para a configuração da sua casa ou escritório. O que posso fazer é confirmar que para mim a solução funcionou, e que a configuração não foi difícil a ponto de comprometer o processo. E que, desde que ativei o repetidor, o acesso sem fio funciona em todos os cômodos sem problema nenhum de cobertura, e sem necessidade de mexer em nada na configuração dos notebooks e smartphones da família ;-)

Leia também:

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http://www.efetividade.net/2009/06/24/wireless-maior-alcance-para-sua-rede-sem-fio-com-um-repetidor-wi-fi/feed/
Organização de documentos em casa: nova Lei pode acabar com nossas montanhas de recibos http://www.efetividade.net/2009/06/23/organizacao-de-documentos-em-casa-nova-lei-pode-acabar-com-nossas-montanhas-de-recibos/ http://www.efetividade.net/2009/06/23/organizacao-de-documentos-em-casa-nova-lei-pode-acabar-com-nossas-montanhas-de-recibos/#comments Tue, 23 Jun 2009 10:08:43 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1600 Organizar os comprovantes de pagamento e quitação dos serviços (públicos e privados) que pagamos mensalmente é um desafio que já abordamos anteriormente no artigo “Organize seus documentos e papéis em casa“. E este desafio aumenta de complexidade quando consideramos que, para preservar nossos próprios interesses frente a estas prestadoras de serviços, atendendo a recomendações dos órgãos de defesa do consumidor, o correto é guardar estes comprovantes por 5 anos. Haja espaço para tantas pastas, caixas e envelopes de boletos e recibos!

Dependendo da situação, o armazenamento eletrônico e a digitalização de documentos podem ser soluções para reduzir o volume, só que trazem consigo seus próprios problemas.

Mas agora a situação pode estar quase mudando: está chegando ao fim a tramitação de um projeto de Lei federal (similar ao que já foi aprovado em alguns estados como SP, e tramita em outros como Alagoas) que obriga as prestadoras de serviços públicos e particulares, tais como:

  • água e esgoto,
  • eletricidade,
  • telefonia,
  • escolas,
  • cartões de crédito,
  • condomínios e
  • planos de saúde,

entre outras, a fornecer no início de cada ano, a quem estiver quite com seus pagamentos, uma declaração de quitação dos débitos do ano anterior, que teria o mesmo efeito que o conjunto dos comprovantes ordinários de pagamento daquele ano - ou seja: para a proteção contra nova cobrança indevida, e para outras necessidades comuns (como a comprovação de quitação que os inquilinos precisam apresentar a imobiliárias, por exemplo), bastará guardar os comprovantes mensais do ano corrente, juntamente com os últimos 5 comprovantes anuais de cada prestador ou serviço - o que ainda é bastante papel, mas reduz consideravelmente o volume.

E a preocupação com a cobrança repetida (e indevida, naturalmente) não é fantasiosa. Da cobertura do jornal gaúcho Zero Hora:

De acordo com o Procon, os campeões de cobranças de contas já pagas em São Paulo são os setores de telefonia e energia.

– A cobrança duplicada é algo que acontece com muita frequência. Somos totalmente favoráveis a esse projeto, mas sugiro que as pessoas tenham cautela. Os documentos antigos só devem ser jogados fora quando o certificado de quitação chegar – alerta Roberto Pfeiffer, diretor executivo do Procon.

A mesma Zero Hora resume a situação do projeto de Lei:

Um projeto de lei federal, aprovado pelo Senado nesta semana, exige que as prestadoras de serviços públicos e privados emitam e enviem para o consumidor uma declaração de quitação de débito no começo de cada ano.

O projeto de lei, de autoria do senador Almeida Lima (PMDB-SE), passou por todo o rito legislativo do Congresso, mas ainda precisa ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se isso acontecer, as empresas têm até maio de 2010 para enviar os comprovantes em todo o território nacional.

No vídeo acima você pode assistir à matéria do Jornal Nacional a respeito, veiculada antes da aprovação pelo Senado, da qual destaco um trecho interessante:

Não é que a papelada vai desaparecer de casa de uma hora para outra. Pela proposta, os comprovantes da conta de luz, por exemplo, de um ano inteiro vão ser substituídos por um só. É a declaração de quitação anual. E as prestadoras de serviço terão que mandar para os clientes que pagaram tudo certinho.

“A regra diz o seguinte: até maio, a prestadora de serviço tem que entregar a declaração relativa ao período de janeiro a dezembro do ano anterior”, explica Marcos Diegues, gerente jurídico do Idec.

Com quase 40 quilos de documentos arquivados, a representante comercial Márcia Storto torce para que a lei seja aprovada. “Vou ter espaço para guardar coisas mais úteis”.

Ainda é cedo para comemorar, mas como o espaço é escasso, certamente vou gostar de ter mais 80cm de prateleiras disponíveis, e não vou me importar de triturar anos de papelada no início do ano que vem, para poder em seguida doá-los para reciclagem.

Mas os links abaixo continuam válidos para os demais documentos que precisam continuar sendo arquivados ;-)

Leia também:

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http://www.efetividade.net/2009/06/23/organizacao-de-documentos-em-casa-nova-lei-pode-acabar-com-nossas-montanhas-de-recibos/feed/
Produtividade pessoal: 10 dicas para fazer a vida caber nas 24 horas de cada dia http://www.efetividade.net/2009/06/21/produtividade-pessoal-10-dicas-para-fazer-a-vida-caber-nas-24-horas-de-cada-dia/ http://www.efetividade.net/2009/06/21/produtividade-pessoal-10-dicas-para-fazer-a-vida-caber-nas-24-horas-de-cada-dia/#comments Sun, 21 Jun 2009 10:17:58 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1596 Manter há 3 anos o site Efetividade.net me ofereceu uma perspectiva sobre diversas das propostas e métodos de produtividade pessoal, e principalmente sobre os equívocos que as pessoas cometem ao buscar tornar mais eficientes as suas atividades ou o uso do seu tempo.

Embora seja cético sobre métodos prontos para alcançar a produtividade reduzindo o stress, isso não me impede de ter também as minhas sugestões para quem quer repensar suas atividades e buscar um caminho que permita aumentar o rendimento sem perder de vista seus valores pessoais.

Recentemente o site paulista Guia da Semana me convidou a compilar uma lista de dicas para fazer render o dia dos profissionais, e eu não me fiz de rogado, sintetizando minha visão a respeito nas 10 dicas abaixo, que eles publicaram do jeito que preferiram, e que eu agora divido também com vocês, acrescentando uma coleção de links para mais detalhes.

Antes de prosseguir, um alerta: na minha opinião, para quem vê a busca da produtividade pessoal como uma faceta importante da sua vida, e não apenas uma ferramenta de uso ocasional para atingir outros fins, as 3 últimas dicas são as mais importantes. Pessoalmente, entretanto, não vejo nada de errado em tratar esta disciplina como uma ferramenta ocasional, se a vida estiver suficientemente equilibrada desta forma.

10 dicas para fazer o seu dia caber em 24 horas

  1. Organize os bastidores. Para ter um bom desempenho na sua atividade, você precisa saber que as ferramentas e informações estão disponíveis, atualizadas, e serão encontradas com facilidade no momento certo. Gastar tempo e esforço procurando onde está o arquivo certo, a versão assinada daquele documento, ou o telefone daquele fornecedor importante, além de prejudicar diretamente a eficiência, também é uma fonte inesgotável de distrações e interrupções – quando você perceber, já estará se dedicando a outra tarefa sem concluir a primeira, e todas as prioridades vão para o espaço. Pastas, arquivos, gavetas e ferramentas de trabalho devem ser organizadas racionalmente e mantidas em condições de uso. (mais em “7 dicas para o escritório doméstico ideal - das cadeiras ao cartão de visitas!“)
     

  2. Diga mais ‘não’. Diga sim só quando puder ou for necessário, e focalize seus esforços em poder fazê-lo para tudo que lhe agregar valor, e em alcançar uma posição em que você possa escolher melhor as suas respostas. Em todos os demais casos, saiba quando dizer ‘não’ de forma consistente, e economize o stress gerado (em você e em quem você fatalmente deixaria na mão) por atividades que estão além do seu alcance, do seu cronograma, do seu interesse ou mesmo da sua capacidade atual. (mais em “Seja positivo: aprenda a dizer não!“).
     

  3. Agende direito. Na tentativa de fazer caber mais atividades no dia, muitas pessoas abandonam a perspectiva da efetividade, e acabam agendando o impossível. Lembre-se de todas as vezes que você teve de lidar com algum médico que agenda consultas de 15 minutos por paciente (e aí nunca cumpre o horário marcado, lota a sala de espera de pacientes mal-humorados, e ainda por cima atende todo mundo com pressa), ou com algum técnico de manutenção de TV a cabo que agenda atendimento a 10 clientes por dia, sem considerar tempos de deslocamento – e aí sempre acaba deixando alguém na mão (e também atende todo mundo com pressa). Agende-se considerando a realidade: tempo de preparação, deslocamento, providências posteriores e a possibilidade de realizar um serviço com qualidade, além da eficiência e produtividade. Não deixe seus clientes e parceiros esperando, não fure compromissos regularmente, e reserve tempo para fazer tudo sem atropelos. (mais em “Agenda: como marcar compromissos e reuniões com efetividade” e “Reunião mais produtiva: como preparar, executar e encerrar com efetividade“).
     

  4. Simplifique. Ao não definir claramente a razão da busca da produtividade pessoal, você corre o risco de ceder à tentação de agregar novos compromissos e atividades à sua vida, sem considerar se eles realmente aproximam você de suas necessidades e objetivos pessoais, ou se são apenas um ganho ilusório. O ideal é concentrar-se no que é indispensável e no que agrega valor. É difícil perceber esse problema em nós mesmos, pois sempre parece, a princípio, que tudo o que fazemos é essencial. Mas olhe ao seu redor, e pense no número de pessoas que você conhece que vive estressado e insatisfeito por tentar, de forma não sustentável, fazer mais coisas do que é capaz. (mais em “Para refletir: Engenheiro japonês morre por trabalhar demais“).
     

  5. Considere a vida como um todo. Embora nosso dia seja artificialmente dividido em fatias – a hora da faculdade, a hora do trabalho, a hora da janta em família, etc. –, considerá-lo como se fosse realmente dividido em fases estanques aprofunda os problemas que deveríamos evitar. Use bem os limites da sua flexibilidade, e considere todas as dimensões da sua vida antes de tratar da alocação do tempo. Caso contrário, você rapidamente cairá na armadilha de tentar misturar as fases – pensando no artigo do seu MBA enquanto está no trabalho, preparando reuniões e apresentações na hora do jantar com a família, e depois matando aula da pós para compensar. Você tem 24 horas no seu dia, e precisa usá-las bem para cuidar de todas as facetas da sua vida. (mais em “Liderança e motivação: quer ser levado mais a sério?“)
     

  6. Foco e concentração. Muitas vezes nós acabamos criando armadilhas para a nossa própria produtividade, ao rejeitar instrumentos simples, como listas de pendências, contatos e agenda de compromissos. Mantemos informações apenas na nossa cabeça, e elas acabam ficando no caminho quando precisamos nos concentrar no que estamos realizando a cada momento. O planejamento e preparação inadequados causam distrações desnecessárias e difíceis de evitar, porque ocorrem dentro de nós mesmos, sem causa externa que possa ser combatida. Ter – e usar! - um sistema confiável de registro de pendências, compromissos, contatos e referências é a forma de solucionar este efeito, e não depende de tecnologia: embora existam sistemas sofisticados muito bons, os métodos baseados em papel e caneta continuam populares. (mais em “GTD: Conheça um método eficaz de organização e produtividade pessoal que pode melhorar sua motivação e seus resultados“, “Ganhe produtividade sabendo lidar com as interrupções no trabalho” e “Pilhas não incluídas: A simplicidade como alternativa para a produtividade pessoal“).
     

  7. Conheça os métodos. Não há falta de métodos de organização e produtividade pessoal, cada um com seu enfoque. Na livraria da sua esquina você encontrará vários. Nenhum deles resolverá sua vida sozinho (embora alguns deles adotem uma perspectiva de “auto-ajuda” que pode lhe afirmar o contrário), mas conhecê-los ajudará você a formar sua própria idéia sobre como lidar com a sua situação específica. Recomendo os autores: David Allen, Christian Barbosa e Stephen Covey.
     

  8. Encontre seu próprio caminho. Adotar integralmente algum dos métodos de produtividade pessoal prontos do mercado editorial raramente dura, embora a experiência em si possa ser positiva. Não somos feitos em moldes, e cada pessoa tem suas próprias necessidades e aptidões. Reconheça a sua situação, e lembre-se sempre que o que você quer não é uma técnica, e sim uma solução para o seu problema específico (leia de novo a dica 4!). Mudar de atitude é difícil, é só funciona a longo prazo se a motivação for baseada nas suas necessidades e nos seus valores, de forma a construir uma nova rotina que seja adotada de forma autêntica e genuína. (mais em “Colocando a vida em ordem com as dicas de… Bruce Lee“).
     

  9. Saiba a razão do seu interesse em produtividade. É comum ver pessoas que buscam técnicas de produtividade pessoal sem definir claramente a razão e aí, mesmo quando bem-sucedidas, acabam simplesmente tendo um pouco mais tempo livre para preencher arbitrariamente com mais obrigações, e permanecem tão estressadas quanto antes, sem ganhar nada de positivo para si com isso. É importante saber o que se deseja alcançar com o ganho que a produtividade trará, e aí orientar os esforços na direção certa. E aprofunde a análise: raramente “para poder trabalhar mais”, “para ganhar tempo” ou “para ganhar melhor” são respostas suficientes. (mais em “Você usa bem o tempo que o seu ganho de produtividade libera?” e “Burnout: Lidando com o esgotamento pessoal no ambiente de trabalho“).
     

  10. Não erre o foco. Ganhar produtividade pessoal não deve ser um objetivo, e sim um caminho. Quem gosta de ler sobre o assunto, se informar, testar todos os métodos e comparar os autores geralmente já é produtivo o suficiente, ou não está tentando ser. Para quem quer ganhar produtividade e eficiência, o fundamental é analisar sua situação, informar-se suficientemente a respeito, e aí encontrar rapidamente uma técnica que funcione bem, e segui-la, para aí voltar a se concentrar em seus próprios objetivos pessoais, evitando desenvolver uma obsessão pela busca da máxima produtividade possível – a não ser que seja por gosto pessoal, que é o caso em que deixa de ser necessário haver justificativas baseadas em resultados.

Alguns dos artigos que já escrevi sobre o tema estão compilados na seleção “Escritório: como organizar” que, ao contrário do que o título indica, também tratam diretamente da produtividade pessoal, como lidar melhor com interrupções, como arquivar bem os documentos pessoais e vários outros temas correlatos.

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http://www.efetividade.net/2009/06/21/produtividade-pessoal-10-dicas-para-fazer-a-vida-caber-nas-24-horas-de-cada-dia/feed/
Efetividade ao contrário: como o esforço das vítimas contribui para o sucesso dos contos do vigário http://www.efetividade.net/2009/06/17/contos-do-vigario-tipos-comuns-e-como-as-vitimas-se-esforcam-para-facilitar-a-vida-dos-golpistas/ http://www.efetividade.net/2009/06/17/contos-do-vigario-tipos-comuns-e-como-as-vitimas-se-esforcam-para-facilitar-a-vida-dos-golpistas/#comments Wed, 17 Jun 2009 10:21:39 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1589 A credulidade humana no que se refere aos contos do vigário parece não ter limite, e há bastante tempo é campo de estudo que observo com interesse, por ser quase o oposto do conceito de efetividade: o esforço da vítima contribui para o sucesso do golpista, contra ela.

Os 2.000 comentários dos leitores em um artigo anterior meu sobre o golpe do “trabalho em casa” demonstram claramente isso: algumas pessoas chegam a se exaltar quando são alertadas de que não deveriam depositar dinheiro na conta de quem diz que tem uma oportunidade para elas ganharem dinheiro a partir de casa, mas só darão detalhes se ela pagar uma graninha adiantada.

No ramo dos chamados “contos do vigário”, o que se percebe é que raramente a credulidade atua sozinha: eles funcionam tão bem porque conseguem quase sempre (há exceções!) aliá-la à exploração de alguma vulnerabilidade ou fraqueza moral, e em muitas vezes a vítima cai porque se deixa seduzir pela aparente oportunidade de:

  • levar vantagem sobre alguém desinformado,
  • receber uma recompensa desproporcional,
  • ganhar um prêmio a que não fez jus,
  • comprar um objeto mais barato que seu valor de mercado,
  • obter retorno impossível sobre um investimento,
  • pegar um empréstimo a juros impossivelmente baixos,
  • ganhar salário sem trabalhar,
  • comprar algo que tem todas as características de produto de furto ou outro crime,

e similares.

É estelionato

De modo geral, os contos do vigário são incluídos na categoria dos estelionatos, cuja definição inclui os 4 ingredientes básicos: “obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento”. Alguns deles são associados a outros crimes, ou servem como veículo para que outro crime seja praticado.

A própria origem da expressão “conto do vigário” é controversa, mas o uso original em Portugal se assemelha bastante ao que hoje ocorre nas ruas brasileiras: uma pessoa desconhecida se apresentava em vilas do interior, dizendo ser emissária do vigário da paróquia, e trazendo o que parecia ser objeto de grande valor, que pedia a algum incauto que guardasse até que este “emissário” pudesse um dia retornar para buscar. Movido pelo interesse em ajudar, ou pela possibilidade de que o emissário jamais retornasse, a pessoa aceitava ficar de posse destes objetos valiosos, e dava ao emissário um pequeno valor como garantia.

É até desnecessário dizer o final: o emissário desaparecia com o valor da garantia, e a pessoa que ficou com o objeto logo descobria que ele havia sido roubado de algum vizinho, ou que era falso, e ficava no prejuízo.

Os tipos comuns

Há alguns anos foi bastante divulgada por aqui a prisão de um grupo que aplicava o “golpe da guilhotina”, oferecendo a incautos uma máquina (a tal “guilhotina”) que aparentemente fazia cópias perfeitas de cédulas de R$ 50. A pessoa testava, se convencia e comprava, achando que rapidamente compensaria o investimento. Os golpistas operaram por bastante tempo, pois quando suas vítimas descobriam que tinham caído no golpe, dificilmente recorriam à polícia, por se verem como cúmplices de um crime.

O mesmo ocorre com o “golpe da carga roubada”, em que um comerciante topa comprar para revender, 2 ou 3 vezes, produtos sem nota e a custo extremamente baixo - típicos de cargas roubadas. Depois de algumas vezes, o “fornecedor” se aproxima e “abre o jogo”, confessando que trata-se mesmo de carga roubada, atividade na qual ele seria especializado e realiza sem maiores riscos, e convidando o comerciante a lhe antecipar algum dinheiro para financiar um próximo roubo, o que garantiria a ele preços ainda mais baixos, de mercadorias de maior qualidade, que seriam roubadas. O final é previsível: o “ladrão de cargas” some com o dinheiro, e a vítima vê-se constrangida em relatar o acontecido, devido à natureza de sua participação.

Mas nem todos os golpes são assim, e em geral a vítima fica apenas com o prejuízo e com a vergonha (pela credulidade ou ganância), e não com a qualificação de cúmplice.

Se você está lendo este texto, provavelmente acredita que não cairia em nenhum destes golpes. Mas eu conheço bastante gente inteligente e bem informada que já caiu, porque as construções costumam ser bem pensadas, e a operacionalização é magistral.

Veja alguns exemplos comuns:

  • Golpe do bilhete premiado: As décadas passam, e mesmo assim todas as semanas várias pessoas caem nesse golpe, muitas vezes aplicado na saída dos bancos. O golpista finge ser uma pessoa ingênua do interior, perdida na cidade tentando encontrar uma lotérica, e apressada para não perder o último ônibus para sua roça. Ao pedir ajuda à vítima (que foi vista saindo do banco após sacar algum dinheiro), mostra o “bilhete premiado” falso e um recorte de jornal com o resultado. A vítima, bem intencionada a princípio, se oferece para indicar o caminho ou acompanhar o caipira ingênuo à casa lotérica. Após um ou 2 minutos (para dar tempo de a vítima pensar no prêmio), o “caipira” lembra da sua pressa para não perder o último ônibus, e - já que não vai ter tempo de sacá-lo - oferece o bilhete à vítima, em troca do adiantamento de uma pequena parcela do prêmio. A vítima, que tem o dinheiro em mãos ou está próxima do terminal de saques, pensa estar levando vantagem, e se dá mal.
     

  • Golpe da venda do notebook ou aparelho de som: Este também é comum, e a vítima cai ao topar (sem explicitar) comprar um produto com alta probabilidade de ser roubado, ou com a intenção de contrabandeá-lo. O golpista oferece um aparelho de CD de carro, ou um DVD, ou mesmo um notebook, a preço baixíssimo, e sem caixa, manual, fonte de alimentação, etc. - com todas as características de um produto roubado, portanto. A vítima topa, regateia o valor, e paga. O golpista se oferece para colocar o produto em uma caixa, para que a vítima não seja vista pela rua carregando aquele aparelho. Quando ela chega em casa, descobre que a caixa contém uma pedra ou tijolo.
     

  • Golpe do empréstimo ou consórcio: O golpista publica em jornais, ou via cartazes, uma oportunidade de empréstimos a juros baixíssimos, que ele intermediaria (de forma claramente ilegal, mas nunca mencionada) junto a alguma instituição pública ou financeira. A vítima, interessada, entra em contato, informa alguns dados a seu respeito, e dentro de alguns dias recebe um telefonema avisando que o empréstimo já foi liberado, bastando pagar as taxas da instituição, e ele será depositado - “a comissão só será debitada após o depósito”. Como são “só as taxas”, e o valor é pequeno se comparado ao do empréstimo, a vítima topa fazer o pagamento, via depósito. Durante todo o procedimento, o contato foi só por telefone. Depois do depósito ser realizado, já era: na hora de investigar, vai ser descoberto que os telefones usados eram roubados, e a conta do depósito foi aberta com documentos falsos. A variação baseada em consórcios tende a ser pior, porque a vítima acaba fazendo vários pagamentos parcelados, perfazendo uma quantia maior. Às vezes chega a haver uma “sede”, e as diversas vítimas só descobrem o golpe quando, um certo dia, encontram a sede fechada e abandonada. Variação: Cheque roubado ou sem fundos: eventualmente é feito um depósito “do empréstimo”, com cheque sem fundos, na conta da vítima, que assim chega a consultar o extrato e verificar que o depósito foi mesmo efetuado, embora esteja bloqueado por 24 ou 48 horas, como é usual. E assim ela acredita ainda mais na solidez da negociação…
     

  • Golpe do seguro: O golpista oferece - por telefone, anúncio ou visita - um seguro (de casa, automóvel, vida, etc.) em condições bem mais interessantes do que as usuais. A vítima se interessa e aceita, preenchendo todos os formulários oficiais, e pagando a primeira parcela - os boletos das demais chegarão via correio, juntamente com a apólice. Naturalmente, o falso securitário some com o dinheiro da primeira parcela, e o seguro jamais é feito (e às vezes a vítima descobre isso só quando bate o carro e tenta usar o seguro recém-contratado…). Seguro se faz com profissional habilitado, em instituição conhecida, e se for pago a algum agente, é com cheque cruzado e nominal à seguradora!
     

  • Golpe do consórcio premiado de automóvel: O golpista anuncia, no interior do estado, a venda de um consórcio já contemplado, na capital. A vítima telefona e se interessa, ao saber que haverá “desconto no pagamento da entrada”, e que as parcelas restantes do pagamento são poucas, ou são bem baixas. Recebe por fax uma nota fiscal (falsificada) do veículo, e as instruções para ir retirá-lo na capital. Para “segurar o negócio”, basta que ela deposite desde já uma parte substancial da entrada. E depois que ela depositar… jamais ouvirá falar do veículo, do vendedor ou do seu dinheiro novamente. Usualmente o telefone é roubado e a conta bancária é aberta com documentos falsos.
     

  • Golpe do cheque achado: Este eu realmente não entendo como pode funcionar - mas é comum. Os golpistas agem em dupla. Após perceber que alguém saiu do banco tendo sacado dinheiro, um deles vai à frente desta vítima, e o outro segue logo atrás. O da frente deixa cair um envelope contendo um cheque de alto valor, e a vítima, ao perceber, pega o envelope e entrega, de boa fé, ao golpista que deixou cair. O outro golpista vem logo atrás, e diz que viu o mesmo acontecimento. O golpista da frente abre o envelope, mostra o cheque e diz que está tão grato que dará uma polpuda recompensa a ambos, bastando que o acompanhem ao seu escritório. Um dos dois convence a vítima a entregar sua bolsa, “como garantia” (de que?) ou para sua própria proteção durante o trajeto. O segundo golpista desaparece (com o dinheiro que já retirou da bolsa da vítima) durante o trajeto, e a vítima, caso chegue até o escritório, descobrirá que a recompensa é bem menor que a quantia que ele havia sacado, e concluirá (erradamente) que foi roubada apenas pelo segundo participante, que desapareceu no caminho. Quando descobrir que se trata de um golpe comum, será tarde para localizar o outro participante também.
     

  • Golpe da bênção - pai-de-santo, pastor ou frade: O golpista, informado sobre algum problema pessoal ou familiar da vítima, forja um encontro casual na rua, e finge ter poderes sobrenaturais, falando à vítimas detalhes sobre o problema, e sobre possibilidades de “solução espiritual”. Seguem até local apropriado para rituais, e lá a vítima é iludida com mais informações (pesquisadas previamente) sobre o problema, ou sobre a sua vida pessoal. Marcam novo encontro para daqui a 3 dias, para trazer dinheiro ou objetos de valor para serem benzidos ou algo assim. A “bênção” envolve colocar os objetos em um pacote que deve ser mantido fechado (em poder da vítima) por 7 dias e 7 noites. Quando a vítima chegar a abrir o pacote, descobrirá que lá dentro só há pedras ou papel de jornal, e que o verdadeiro pacote está em poder do golpista, que já estará bem longe.
     

  • Golpe do falso funcionário de banco: o falso funcionário, com uniforme e até crachá, circula pela agência, organizando a fila e dando informações. Quando encontra uma vítima, oferece-se para agilizar um depósito, preechendo a ficha e levando-a, juntamente com o dinheiro, diretamente ao setor interno da agência. Ou ao menos é nisso que a vítima acredita. Quando ela desconfia da demora, o falso funcionário já estará muito longe. Em uma variação, ele aborda pessoas que já fizeram um saque, e informa que houve problema com as notas - precisam ser recontadas, ou há suspeita de que há 2 ou 3 notas falsas incluídas no bolo. Ele se oferece para rapidamente providenciar a contagem, ou a troca. E jamais retorna…
     

  • Golpe da falsa entrevista de emprego: a vítima responde a um anúncio de emprego, é chamada para uma entrevista, e aprovada com louvor: seu perfil é excelente, a disponibilidade tem que ser imediata, e lhe são apontadas diversas qualidades que ninguém antes havia percebido nela. Novas instruções serão dadas por telefone. No dia seguinte, vem o telefonema: para possibilitar a contratação, será necessário traçar um perfil psicológico especial, na clínica XYZ. “É simples e rápido, só uma formalidade”, garantem. Chegando na clínica, a pessoa descobre que terá que desembolsar um valor considerável para fazer o tal perfil. Poucos topam. Os que topam, depois serão informados que a vaga já foi preenchida, mas que ela pode ficar tranquila, pois o seu perfil é excelente e já está arquivado no banco de talentos para a próxima vaga - que nunca surgirá, pois nem a primeira delas existia - a intenção é apenas coletar os pagamentos pelo tal perfil.
     

  • Golpe da oportunidade de trabalho em casa: Neste golpe, é anunciada uma oportunidade de trabalho em casa (usualmente descrita como sendo “de mala direta”, “de envelopamento” ou “de digitação”), mas o interessado tem que desembolsar uma pequena quantia para saber os detalhes. Quando ele paga, descobre que na verdade terá que pagar mais uma quantia, pouco maior, para receber a proposta detalhada. Se pagar, receberá a proposta, que explica que para ganhar o tal dinheiro em casa, deverá anunciar (via mala direta, envelopamento de ofertas ou digitação de cartazes, tudo por sua própria conta e risco) esta mesma proposta, coletando este primeiro pequeno pagamento inicial dos interessados curiosos (como ele também já foi um dia), e aí redirecionando-os para que façam o segundo pagamento ao agenciador, como ele também já fez. Leia também: “Trabalho em casa: como encontrar um emprego e escapar das armadilhas“.
     

Alguns órgãos de segurança, como este batalhão de Polícia Militar, mantêm listas de golpes frequentes e instruções para evitá-los. De modo geral, a dica é desconfiar da ajuda de estranhos para tudo que envolver valores, e ficar atento a ofertas boas demais - quando a esmola é muita, o santo deveria sempre desconfiar!

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http://www.efetividade.net/2009/06/17/contos-do-vigario-tipos-comuns-e-como-as-vitimas-se-esforcam-para-facilitar-a-vida-dos-golpistas/feed/
Home office: fazendo caber em apartamentos pequenos http://www.efetividade.net/2009/06/15/home-office-fazendo-caber-em-apartamentos-pequenos/ http://www.efetividade.net/2009/06/15/home-office-fazendo-caber-em-apartamentos-pequenos/#comments Mon, 15 Jun 2009 10:38:47 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1583 Manter seu escritório doméstico em um apartamento pequeno pode ser um desafio. E se eu não posso lhe oferecer uma fórmula geral para fazer caber, ao menos posso lhe dar algumas idéias interessantes, com base no que outras pessoas já conseguiram ;-)

Durante anos eu mantive o meu escritório doméstico em um cantinho da sala do apartamento. Hoje me sinto praticamente em Shangri-Lá, com o conforto luxuoso de um cômodo inteiro (embora seja o menor da casa) dedicado a esta finalidade, mas continuo interessado e acompanhando de perto as novidades na organização de espaços para fazer com que o escritório doméstico caiba em um cantinho e mesmo assim seja um instrumento de efetividade.

Afinal, em um canto do apartamento dá para fazer caber até mesmo uma configuração como a do Mandrake, mostrada na foto acima ;-)

A foto acima me parece um pouco mais “pé-no-chão”, aproveitando bem um canto de sala, mas fugindo de um problema comum a configurações em cantos: o conjunto de nichos e escaninhos oferece bastante espaço para fazer caber a papelada e as ferramentas. Para preservar a estética, já que fica tudo exposto (e fácil de alcançar), foi usado o Velho Truque das Caixas Organizadores de Uma Cor Só(©). Trata-se do home office de Fazal Khan.

O escritório acima se baseia no mesmo princípio (estante de cubos ao lado de uma escrivaninha) mas, além da estética bem mais refinada, acrescenta um elemento interessante que você pode considerar no seu projeto: uma das colunas de nichos tem portas transparentes, que preservam do pó (e da fauna doméstica) o que você guardar lá dentro, sem prejudicar a visibilidade. Um amigo meu adotou esta prática para todas as estantes da biblioteca dele, e não se arrepende: segundo ele, o benefício supera em muito o custo, mesmo tendo de abrir e fechar portas sempre que quer ter acesso a algo.

O modelo acima, do Afterthetone, entrou na lista por duas razões. A primeira é que ele foi improvisado a partir de peças existentes na casa: o tampo superior, que sustenta o monitor, era originalmente uma prateleira, e está suspenso sobre dois arquivos. A segunda é que ele libera bastante espaço quando não está em uso, porque o tampo inferior (teclados e escrivaninha) dobra para baixo, ficando paralelo e rente à parede, graças a duas dobradiças presas junto a ela. Se o seu home office fica em um espaço compartilhado por outras atividades ou familiares, algo assim pode ganhar vários pontos extras.

Completando a lista, temos a escrivaninha dentro do armário. O exemplo acima é para quem trabalha em pé, e resume o espaço do seu escritório doméstico ao que coube dentro de um roupeiro. Mas dependendo do móvel que você for adaptar, pode ser possível montar uma escrivaninha para trabalhar sentado, na altura comum. E a idéia nem é nova: meu avô tinha uma dessas como mesa auxiliar no escritório dele, desde décadas atrás.

Você tem um escritório diminuto em casa e ele funciona bem? Tente tirar uma foto dele, disponibilizar na Internet, e aí colocar a URL dela, e uma breve descrição, nos comentários desta notícia, para ajudar a inspirar os demais leitores que têm a mesma necessidade. E leia também o Lifehacker, fonte de todas as referências acima!

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Pilhas não incluídas: A simplicidade como alternativa para a produtividade pessoal http://www.efetividade.net/2009/06/08/pilhas-nao-incluidas-a-simplicidade-como-alternativa-para-a-produtividade-pessoal/ http://www.efetividade.net/2009/06/08/pilhas-nao-incluidas-a-simplicidade-como-alternativa-para-a-produtividade-pessoal/#comments Mon, 08 Jun 2009 09:32:57 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1574 A produtividade pessoal é uma meta comum a todos nós, neste caótico século XXI em que o número de agendamentos, pendências, anotações e contatos parece explodir.

O número de opções de ferramentas também se multiplica, desde as heranças desktop da década de 1990, com suas milhares de opções, extensibilidade via scripts e linguagens variadas, e uma variedade de relatórios e consultas raramente adotadas, até as apostas da computação em nuvem, geralmente marcadas pela escassez de opções e pela ênfase na colaboração e na interconectividade.

Fui convidado a escrever um breve artigo de apenas uma página (leia também: “Como escrever melhor - em 5000 caracteres ou menos“) publicado na edição 38 da PC Magazine Brasil, e não tive dúvida: apesar de ser uma revista de TI, defendi (com todo o apoio do editor) meu ponto de vista sobre alternativas menos tecnológicas para o suporte à organização pessoal, e agora o compartilho também com vocês, em uma versão atualizada.

Eu testei, então funciona para você.” Quem já adotou uma ferramenta de produtividade pessoal e se adaptou bem a ela tende a indicá-la a amigos e conhecidos, cheio de razão e da certeza de que aquela é a definitiva, a que funciona e a que (de fato, e finalmente) resolve os problemas. Mas em geral só tem razão em parte: a sua experiência comprova apenas que a ferramenta funciona bem para si, e não necessariamente vai servir para o colega, o chefe e o cunhado.

Mas para quem já tentou dezenas de alternativas tecnológicas e ainda não encontrou uma que de fato ajude a chegar na hora nos compromissos, a encontrar o telefone daquele contato essencial, ou a não esquecer de comprar a resistência nova pro chuveiro, ofereço um questionamento: será que o problema não está no excesso de tecnologia?

Os fanáticos por produtividade pessoal têm um ponto de encontro internacional no site Lifehacker.com, e ao longo de algumas semanas promoveram uma série de votações sobre quais as melhores ferramentas para uma série de funções, e no quadrilátero básico da produtividade pessoal (pendências, contatos, agendamentos e anotações) a alternativa mais citada não deixa dúvidas: não tem PC nem smartphone, quem entende do riscado não troca o papel e a caneta por nenhuma das (ótimas) alternativas digitais existentes, ao menos para essas funções. A única exceção são os agendamentos, em que o Google Calendar brilhou mais que as alternativas low-tech.

Claro que mesmo na dupla papel+caneta há variações. Há quem use qualquer pedaço de papel, assim como há defensores ferrenhos das fichas 3×5 vendidas por milheiro na papelaria, ou dos clássicos cadernos Moleskine, ou dos práticos Hipster PDAs, montados com folhas impressas recortadas e presas com um clip de mola. E há os amantes da caneta Bic, assim como há os que só topam escrever se for com caneta-tinteiro Parker 51.

Minha alternativa:: Pessoalmente, faço um mix de papel, caneta e soluções mais tecnológicas - mas se eu ficar sem smartphone e notebook, o dano à produtividade do dia será bem menor do que se perder minhas anotações em papel. E há tempos reconheci que, na minha realidade, eles são imbatíveis no que diz respeito à disponibilidade, e também às dependências e requisitos para funcionamento.

Se você se interessa pela produtividade pessoal, certamente está sujeito a um dia compartilhar comigo minha conclusão pessoal: descobri que para algumas tarefas simples da produtividade pessoal, as ferramentas básicas não precisam de pilhas e nem de conectividade. Mesmo que você não concorde integralmente, convido-o a parar para pensar sobre qual o nível de complexidade tecnológica que você precisa para ser produtivo!

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Home office: projetando com atenção à ergonomia http://www.efetividade.net/2009/06/03/home-office-projetando-com-atencao-a-ergonomia/ http://www.efetividade.net/2009/06/03/home-office-projetando-com-atencao-a-ergonomia/#comments Wed, 03 Jun 2009 10:37:35 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1567 Estou bastante sumido aqui do Efetividade.net ao longo desta semana, pois venho acompanhando bem de perto a montagem da mobília projetada para o novo apartamento após a nossa recente mudança.


O escritório velho, no meu apartamento anterior

Na montagem, assim como no projeto, uma das áreas da casa que mais vem me interessando é o meu escritório doméstico, que amanhã deve estar 95% pronto (vai faltar a cadeira), após um mês de improviso total. No final eu escrevo algo a respeito, com foco em como eu segui minhas dicas para home offices!

Se você estiver para passar pela mesma oportunidade de renovar ou criar o seu home office, o artigo abaixo, enviado pelo Rafael, pode vir bem a calhar. Apresente-o para o profissional encarregado do seu projeto!

O texto a seguir foi enviado por Rafael Perrone (rafaelΘrafaelperrone·com):

“Com a explosão de home offices mundo afora - talvez devido à última crise mundial, talvez devido à grande quantidade de pessoas que aspiram viver como freelancers - o tema se tornou assunto frequente em blogs, como no Efetividade e Lifehacker.

Um dos temas frequentemente abordados são os cuidados que se deve ter em relação ao correto posicionamento dos elementos do escritório: cadeira, mesa, altura do monitor, teclado, etc.

O Antroprojeto, um software para estimativa antropométrica desenvolvido pelo Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Juiz de Fora é excelente neste quesito. Gratuito, ele fornece todas as medidas adequadas para qualquer pessoa, de qualquer altura.

Assim, é possível garantir que seu escritório caseiro está bem dimensionado, evitando dores de cabeça (e punho, dedos, articulações, ombros…) futuras. (…)”

A indicação veio acompanhada desta referência (fazendoacontecer.net), contendo bem mais detalhes.

O Efetividade.net registra seus agradecimentos a Rafael Perrone pelo envio deste material. Se você também deseja indicar material para divulgação no site, use o link “Indicar material“. E, claro, fique à vontade para debater o tema na área de comentários abaixo!

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Você lembra do desenho do Pateta no trânsito? http://www.efetividade.net/2009/05/27/efetividade-no-transito-nao-bloqueie-o-cruzamento/ http://www.efetividade.net/2009/05/27/efetividade-no-transito-nao-bloqueie-o-cruzamento/#comments Wed, 27 May 2009 10:08:35 +0000 augusto http://www.efetividade.net/?p=1551 Mais do que o fundamental respeito às leis de trânsito, todos os dias as cidades brasileiras dependem, para que seu trânsito não engate definitivamente, de uma série de convenções baseadas no senso comum, na cultura e, em cidades especialmente contempladas, na civilidade e cortesia.


Lembra do desenho do Pateta (na verdade era o Sr. Wheeler/Sr. Walker) no trânsito?

Mas trata-se de um equilíbrio delicado, e muitas vezes a presença de pequeno número de motoristas se portando mal é suficiente para tornar o trânsito muito mais tenso (e intenso), esgotando rapidamente a reserva de boa vizinhança dos demais, e instituindo aquele cada-um-por-si que gera os maiores engates - estacionamento em qualquer lugar, tráfego pelo acostamento, mudanças de pista forçadas às custas da segurança alheia e tantos outros exemplos - e cada motorista age como um gato transgressor de Schrödinger, estando ao mesmo tempo em dois estados opostos: se perguntado sobre o comportamento dos demais, acha tudo um absurdo e barbeiragem; chamado a explicar o seu próprio comportamento, sempre acha ter uma justificativa.

É o caso do nosso tema de hoje: o bloqueio do cruzamento, que ocorre quando um motorista, para não “perder a vez” em um sinal amarelo ou aproveitando uma oportunidade de passagem, avança sobre um cruzamento sem ter certeza de que poderá atravessá-lo completamente - e assim bloqueia artificialmente o trânsito da via transversal até que o trânsito à frente dele lhe permita, finalmente, avançar.

Este tipo de comportamento ocorre mais em algumas regiões do que em outras e, ao contrário do que possa parecer, não encontra justificativa na intensidade do trânsito, segundo análise de engenheiros de tráfego: em algumas cidades de alto tráfego, há questões culturais e medidas efetivas do poder público que conseguem desestimular e prevenir essa barbeiragem tão estressante para todos à volta.

As medidas incluem melhor sincronização dos semáforos, melhorias em geral no fluxo de veículos e, principalmente, a presença da autoridade de trânsito nos cruzamentos, já que o motorista-problema assume que o cumprimento das normas só é realmente obrigatório quando há fiscalização visível. Mas nem todas são plausíveis em todos os locais, e a ausência delas não justifica que cada indivíduo se julgue no direito de bloquear o tráfego das ruas transversais àquela em que estiver transitando.

Para lembrar da necessidade de manter o trecho desbloqueado, muitas cidades passaram a adotar as chamadas “yellow boxes”, faixas amarelas sobre os cruzamentos. Mas a incivilidade é grande a ponto de ver estes lembretes ignorados, e ainda surge o efeito complementar de os motoristas alegarem acreditar que todos os demais cruzamentos sem pintura não precisam ser mantidos abertos.

No meio do caminho tinha um acesso ao hospital

Em um trecho frequentemente engarrafado do caminho que faço todos os dias para vir para casa aqui na capital da pior mobilidade urbana brasileira, há um cruzamento em que uma das mãos dá acesso a um hospital. O poder público até tomou a providência de sinalizá-lo com a pintura na superfície da via, mas é raro passar uma semana sem que eu veja se repetir a triste cena de uma ambulância, com sua urgência peculiar, tendo de aguardar que o trânsito do sentido transversal a ela ande, porque alguns motoristas sem consciência resolveram desconsiderar o empenho.

E o pior: também não passa uma semana sem que eu receba alguma buzinada de algum apressado atrás de mim, querendo que eu avance sobre a mesma faixa amarela, quando eu paro corretamente sem bloquear o acesso do hospital. Foi o que me lembrou do antigo desenho do Pateta, lá no início do artigo, que mostrava a transformação do pedestre em motorista, se despindo de todas as restrições e virtudes ao sentar de frente para o volante.

O argumento legal

Quem explica é Marcelo José de Araújo, advogado e consultor de trânsito em Curitiba, em trecho que reproduzo de seu artigo:

Esse alerta (”Não bloqueie o cruzamento”) decorre de dois dispositivos do Código de Trânsito, que são o Art. 45 que estabelece que mesmo que a indicação luminosa do semáforo seja favorável, o condutor não pode adentrar ao cruzamento diante da possibilidade de ter que parar o veículo, de forma a obstruir o trânsito na via transversal. A infração correspondente estaria prevista no Art. 182, inc. VII, infração média, que proíbe a parada na área de cruzamento de vias, prejudicando a circulação de veículos e pedestres.

Primeiramente vemos que a infração prevista no Art. 182, VII do CTB é mais abrangente que a regra de circulação do Art. 45, pois este nos dá indícios que a infração ocorreria apenas em cruzamentos com sinal luminoso, porém a infração tipificada pode ocorrer em cruzamentos sinalizados ou não, e da mesma forma a regra de circulação nos dá o indicativo de que o bloqueio não pode prejudicar apenas o trânsito de veículos (pois na transversal circulam veículos) enquanto o tipo infracional prevê que o prejuízo pode se dar em desfavor dos pedestres também.

A sugestão

Como em muitos casos de comportamento coletivo, não há garantia de eficácia a partir da melhoria de comportamento de indivíduos isolados. Mas isso não equivale a dizer que só o poder público ou a intervenção do Estado podem resolver o problema: atitude se muda pelo exemplo, e cada motorista que se comporta mal é uma justificativa a mais para que seu vizinho ache que deve fazer o mesmo.

Assumo que ninguém tem interesse no risco de ser multado e acumular pontos na carteira, ainda mais por um motivo tão fútil quanto andar alguns metros a mais: ao invés de parar na extremidade do cruzamento, parar dentro dele.

Não há como cada motorista impedir que os demais se comportem assim, mas o erro alheio não é justificativa para que todo mundo se ache no direito de errar igual. E os prejudicados, como no exemplo da ambulância que eu vejo todas as semanas, não tem culpa da falta de educação e consciência alheia.

Portanto, a medida sugerida é simples: avance sobre o cruzamento só quando tiver certeza suficiente de que poderá completar o trajeto, e mantenha-se consciente de que a barbeiragem alheia não justifica que você cometa intencionalmente as suas também!

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