Carreira: o sucesso não é final, e o fracasso não é fatal - a coragem de continuar é o que importa

A frase do título é atribuída a Winston Churchill, e eu a considero tão inspiradora a ponto de merecer um artigo só para ela.

Imagine a vida de alguém que alcançou o topo: um jogador de futebol com sucesso internacional, ou um músico de uma banda que mudou a cultura do país inteiro. Enquanto eles estão no topo, o público tende a imaginar que eles "chegaram lá", e "lá" permanecerão, pois foram tocados pelo sucesso e a vida deles está feita.

Só que, como acontece ao ganhador do BBB que gasta seu milhão de reais em 1 ano com uma sequência de maus investimentos cujos frutos ele não chega a colher, o sucesso dessas pessoas não é garantia de felicidade, e muito menos de continuidade.

Um exemplo: o jogador com sucesso internacional mencionado acima pode ter o fim do histórico Mané Garrincha, que em 1982 morreu na miséria aos 49 anos, sem deixar dinheiro nem para custear seu próprio enterro.

A miséria não é o único extremo dessa condição: às vezes um pico de sucesso prejudica a perspectiva do próximo passo como não deveria. O músico do meu exemplo acima pode ser o George Harrison que, quando os Beatles acabaram, em 1970, era um jovem de 27 anos cheio de talento mas que precisava se ajustar à realidade de que sua obra futura jamais voltaria a fazer sucesso com tanta intensidade quanto nos 10 anos anteriores.

A coragem de continuar

O guitarrista dos Beatles teve a coragem de continuar a dar vazão à sua arte até encontrar novas motivações e ajustar suas expectativas, e algumas das suas obras mais belas foram posteriores ao período como integrante da banda.

Winston Churchill, que teria dito a frase do título, também é um exemplo. Como questão menor, o líder da Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial é lembrado por discursos memoráveis, proferidos em uma era radiofônica, apesar de ter lutado durante a vida inteira contra seus problemas de dicção, por exemplo.


Quem é atento à História contemporânea associa Churchill à condução da Inglaterra na 2ª Guerra, assumindo o governo bem a tempo de comandar a retirada de Dunquerque, que salvou as forças britânicas sitiadas no continente europeu em 1940, e permanecendo como primeiro-ministro durante a preparação para o Dia D e depois até a vitória, em 1945.

Poucos lembram, entretanto, que na Guerra Mundial anterior ele também estava em posição de comando e teve (e assumiu) grande parte da responsabilidade pelo fracasso na Batalha dos Dardanelos, tentativa fracassada de invasão da Turquia que resultou em mais de 220.000 baixas das forças britânicas e suas aliadas.

Recuperar-se de um fracasso dessas proporções a ponto de passar a ser lembrado por sucessos posteriores é o exemplo que procuro lembrar tanto quando as coisas não estão indo bem, quanto nos períodos de sucesso que despertam a preocupação sobre como fazer com que eles perdurem.

Afinal, para usar outra frase de Churchill, o sucesso também significa estar pronto a ir de falha em falha sem perder o entusiasmo.

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