Técnica Pomodoro: não a recomendo por inteiro, mas ela tem fatias boas a aproveitar

A Técnica Pomodoro de gerenciamento de tempo é tão popular a ponto de quase dispensar apresentação, portanto vou começar deixando claro: eu não simpatizo com ela, e ela não serve para mim. Mas ela tem alguns elementos positivos que eu aproveito, recomendo, e vou destacar a seguir.

Nascida na virada para a década de 1990, essa técnica baseada na seleção prévia das tarefas que serão realizadas no dia, e posterior divisão dos períodos em "fatias" de tamanho fixo (geralmente 25 minutos de ação + 5 minutos de pausa) que serão marcadas por um timer vem encontrando popularidade crescente junto ao público interessado em ferramentas de gerenciamento operacional de seu tempo.

Seu nome simpático deriva do instrumento essencial de sua implementação original: um timer de cozinha, desses que se usa para não deixar a panela queimar ou a bebida congelar no freezer.

O criador da técnica (e autor do seu manual), Francesco Cirillo, usava um timer em formato de tomate (que em italiano se chama pomodoro) para gerenciar suas atividades, e o nome acabou pegando juntamente com a ideia.

Por que eu não aplico a Técnica Pomodoro?

Vejo virtudes na Técnica Pomodoro:

  1. Sou bastante a favor de usar timers para controlar períodos finitos de tempo dedicados a uma tarefa, e já em 2007 eu escrevi sobre meu uso de uma galinha temporal para motivar e controlar a organização doméstica – funcionava bem, e eu continuo usando o mesmo sistema, embora no final de 2012 a galinha temporal original tenha sido destruída por desaceleração súbita e impacto após uma queda do alto da geladeira...
  2. Também sou muito a favor de definir previamente, no início de cada dia ou período, a lista de tarefas ou atividades que serão desempenhadas. De fato, trata-se de um elemento fundamental da forma como eu pratico o método ZTD de produtividade pessoal.
  3. Sou extremamente a favor do valor motivacional de incluir no planejamento as pausas para descanso e inspiração, e a forma como o Pomodoro faz isso, encaixando 5 minutos em cada meia hora, com 10 minutos adicionais a cada 4ª repetição, é muito bem pensada.

Mas a forma como ele processa as tarefas, dividindo previamente o dia de trabalho em fatias arbitrariamente e uniformemente fixadas, me parece adequada mais a pessoas que precisam alternar (ao longo de dias ou semanas) a atenção a um mesmo conjunto pequeno de projetos de média ou longa duração, do que a quem lida com atividades com maior grau de variação e necessidade de adaptação ao longo do dia.

Na minha análise, seu sucesso ou aplicabilidade na forma de sua definição básica dependem ainda de predominância de tarefas que demorem 25 minutos ou mais para completamento (afinal, colocar várias tarefas curtas eum um mesmo ciclo equivale a abrir mão do poder de mudança de contextos que o timer tem...), e da capacidade de evitar ou reduzir as interrupções provocadas externamente.

Por outro lado, quando se trata de uma busca por foco ou sincronização, essa ferramenta de garantia da atenção monotarefa em intervalos previamente fixados tem vantagens claras.

As duas variações que eu aplico

Mesmo com todas as observações acima, eu mantenho um timer de cozinha (de R$ 1,99) bem estridente na minha mesa, e uso várias vezes por dia (mas não com intervalos fixos, nem continuamente).

Os cenários em que eu os uso são basicamente 2:

  1. Quando sei que preciso iniciar uma tarefa em seguida, mas não posso (ou não quero) fazê-lo imediatamente. É o momento ideal de encaixar alguma outra tarefa curta, para me colocar em movimento e motivar a ação que estou adiando, ou de fazer uma breve pausa – e em ambas as situações o timer me impede de continuar adiando indefinidamente, e me lembra que eu tenho algo definido a fazer logo depois.
  2. Quando vou começar uma tarefa, mas sei que não posso me prolongar nela. Às vezes trata-se da necessidade de fazer alguma outra tarefa depois, outras vezes a questão é impedir que eu acabe gastando o dia inteiro em um mesmo projeto que não merece toda essa prioridade. Seja qual for o caso, o timer me lembrará que eu já estou há tempo suficiente na tarefa para a qual planejei a interrupção. E geralmente eu ativo mais um período de 5 minutos, e o dedicao a encerrar de forma ordenada, e não abrupta, o que eu estava fazendo, facilitando a continuidade posterior.

Alguma das situações (e frequentemente as duas) acontecem todos os dias, e o timer entra em cena sempre. Funciona bem, é barato, e recomendo!

Um detalhe: não faltam aplicativos para computador ou celulares que implementam timers bem caprichados. Eu prefiro o timer de cozinha porque ele pode ser acionado sem sair do contexto da tarefa em que eu estava, e especialmente sem navegar pela interface dos aparelhos, devido ao altíssimo poder de distração que eles tem. Considere!

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