Não deixe os feeds RSS virarem um peso na sua vida

Os feeds RSS são uma das maravilhas do final dos anos 90. Uma tecnologia que permite centralizar em uma única interface as atualizações de todos os sites que você lê regularmente, e assim nunca mais perder nenhuma das suas novidades.

O que poderia dar errado, não é mesmo?

Bastante coisa, como cada vez mais usuários anteriormente adeptos plenos (uma minoria, mas certamente bem representada entre os leitores do Efetividade) desta tecnologia vêm percebendo recentemente.

Estes usuários desenvolveram o hábito de acompanhar feeds lá por 2001 (quem sabe 2006?) e desde então a popularização da criação de conteúdo nos formatos agregáveis como feeds fez crescer suas coleções de maneira lenta e gradual, a ponto de hoje serem comuns agregadores pessoais (como o seu Google Reader, por exemplo) assinando várias dezenas de feeds.

O simples fato de a informação crítica para a sua atividade profissional estar na mesma ferramenta de notificação que os tumblrs e blogs dos seus amigos, alguns dos quais replicando automaticamente dezenas de twits por dia, já seria um indicativo de que há algo precisando ser otimizado.

Mas a situação fica crítica de verdade quando esta coleção díspar passa a ser tratada como uma caixa de entrada, com contagens parciais e gerais de itens não lidos e a consequente apelo a acompanhar o fluxo durante o dia inteiro, ou a “zerar” no final do período – algo que funcionava bem em 2001 quando o número de feeds que acompanhávamos era bem menor, mas que é percebido como impraticável por um número crescente de usuários.

Definindo o problema

Excesso de informação não priorizada pode ser um problema tão grave quanto a informação insuficiente, e gerar efeitos parecidos: se o esforço para processar toda a massa de itens não lidos for impraticável no prazo necessário, na hora da verdade você estará tão desinformado quanto se não tivesse assinado aqueles feeds – e possivelmente mais cansado e menos concentrado.

E se em um momento-chave o tumblr das fotos engraçadas de felinos tirar a sua atenção do feed de notícias sobre atualizações críticas de segurança do software que sua empresa usa, no final das contas o mau uso da tecnologia acabará tendo sido bem pior do que não tê-la adotado.

No final de semana o site ars technica publicou o artigo “Why keeping up with RSS is poisonous to productivity, sanity” (“Por que manter-se em dia com o RSS é um veneno para a produtividade, sanidade”), e o título já dá uma dica da natureza do problema descrito: não é uma falha do RSS em si, mas sim a nossa tendência a querer acompanhá-lo integralmente, apesar de nem todos os itens que estão lá merecerem o mesmo grau de atenção.

Posso afirmar que cada vez mais vejo meus amigos comentando “queria ir dormir, mas preciso zerar meus feeds”, ou “hoje o dia foi tão corrido que nem deu de acompanhar meus feeds”. Mesmo que “zerar os feeds” e “acompanhar os feeds”, na hora da pressa, signifique simplesmente apertar a opção “Marcar tudo como lido”, cada vez mais me parece uma necessidade em grande parte artificial, que oferece pouca informação relevante em troca de esforço constante.

E quando se constata o grau em que boa parte das fontes dos feeds repetem umas às outras (idealmente acrescentando algum valor a cada passo), percebe-se que acompanhar regularmente uma quantidade grande de feeds leva a muita leitura repetida ou filtragem manual.

Minha solução

Existem várias soluções possíveis, desde a radical “vou abandonar este dreno de produtividade que não me acrescenta nada” até as várias modalidades de “vou achar um jeito de aproveitar o lado bom do RSS sem deixar ele ser um sapato de chumbo no meu banho de piscina”.

A minha solução é a seguinte: estou aos poucos me livrando do leitor de feeds organizado na forma de uma caixa de entrada (no meu caso, o Google Reader) e migrando para leitores que apresentam estes mesmos feeds na forma de revista ou jornal. No momento estou me fixando no Pulp e no Flipboard, como narrei recentemente, mas existem soluções similares adequadas a cada gosto e plataforma.

Eu uso 2 clientes, no lugar de apenas um, como consequência de escapar da definição de caixa de entrada (que, como sabemos, geralmente deve ser tão unificada quanto possível). Agora os meus feeds de interesse profissional e acadêmico residem no Pulp e os de interesse pessoal (amigos, família, entretenimento, as últimas aplicações do grafeno, comentários sobre os pôneis malditos, etc.) moram no Flipboard.

E a grande mágica da solução está aqui: eu só leio quando tenho tempo disponível e interesse, consciente de que vou sempre receber só as atualizações mais recentes, sem uma marcação indicando quantos itens não lidos eu tenho, ou qualquer indicação que me conduza a querer “zerar” algo. Em menos de 1 minuto consigo olhar todos os feeds que tenho no Pulp e marcar/abrir os 2 ou 3 posts que me interessam de verdade.

Mas esta solução tem 2 complementos: o primeiro é manter a ferramenta original, com suas contagens e notificações, para os feeds que são críticos – aqueles que eu preciso mesmo ler 100% das atualizações, tão rapidamente quanto possível.

A segunda tira proveito do alto grau de repetição entre as fontes de informação da web. O fato de fazer parte do problema não impede que ela seja parte da solução também! No meu caso, eu criei 3 listas no Twitter com os perfis dos sites que acompanho em todos os temas que me interessam para acompanhamento diário, e inseri nos favoritos do navegador links para cada uma das 3.

Aí, quando me dá aquela sensação de que algo muito importante pode estar acontecendo e eu estou perdendo por causa dessa mania de me manter produtivo com menos esforço, eu clico nestes favoritos com a certeza de que, se houver mesmo algo acontecendo, vários sites terão mencionado em seus perfis no Twitter, e aí é só seguir a trilha – mas geralmente nada que justifique uma interrupção no fluxo do meu dia terá acontecido, e eu fecho a aba do navegador em menos de 1 minuto.

Aí está: minha solução permite continuar informado das últimas novidades, acompanhar os sites que eu preciso ler 100% do conteúdo, e ainda oferece uma forma cômoda e com menos pressão de ler o restante do conteúdo disponível via feeds. Que tal?

As soluções do ars technica

A inspiração para o artigo do ars technica mencionado acima ocorreu quando o seu autor percebeu, após ficar sem acesso aos seus feeds RSS por 2 vezes em agosto, ele não ficou menos informado, e ao mesmo tempo teve dias mais eficientes e produtivos.

E ao retornar a ter acesso aos feeds, poucos dias depois, pôde avaliar a quantidade de informação desordenada, despriorizada e repetitiva que estava lá, com contadores pedindo para serem zerados e indicando que ele tinha uma grande pendência.

A partir desta constatação, ele analisa a situação a partir de uma série de números com os quais não tenho certeza que concordo, mas chega a uma conclusão similar a minha: a tecnologia é boa, mas o seu bom uso na forma tradicional tem uma tendência a degringolar e se transformar em mau uso.

Ele também mencionou alguns casos que pesquisou de pessoas que simplesmente abandonaram o hábito de acompanhar feeds, e o que elas fazem para suprir seu interesse por atualizações: acompanhar um número limitado de sites, agregadores sociais, ou soluções similares à minha.

Pessoalmente continuo fã do feed RSS como ferramenta, mas já faz algum tempo que estou me libertando do compromisso gerado por ele. Se você sente que existe este compromisso na sua vida, sugiro avaliá-lo e, se for o caso, reduzi-lo até o grau mínimo possível preservando a funcionalidade que você deseja. Pare de zerar os contadores e tenha tempo para ler mais alguns conteúdos interessantes de verdade ツ

, por Augusto Campos
GTD
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18 Comentários até agora

  1. Marco Sanches comentou:

    em September 6 2011 @ 12:27

    Eu sempre tomei cuidado com a quantidade de canais RSS que assino, pois existem sites concentradores e são esses que acompanho para minimizar repetições de feeds.

    Nunca tive essa coisa de querer zerar a todo custo, porque devido ao numero bastante limitado de fontes a quantidade de feeds não explode a ponto de me desanimar.

    É questão somente de bom senso, não tem nada de extraordinário, mágico, revolucionário, secreto,… ou seja lá o que for.

    Quanto menos, melhor. Sua vida agradece.

  2. Marconi Pires comentou:

    em September 11 2011 @ 10:08

    Motivado pelo artigo e pelos comentários, resolvi capinar meus feeds também. O Google Reader, que me lembro, marca +1000 já teve ter uns dois anos. Esse valor, hoje, deve estar em +10000! Já descartei um monte, passei outro monte pro Delicious, mas ainda sobrou um monte! :-P

    Meta: unread: 10

  3. Leoberto J. Preuss Jr. comentou:

    em September 19 2011 @ 10:42

    Pra quem não tem um iPad (apenas um Windows PC, como eu), sugiro o Readings (www.readingshq.com) que tem a mesma proposta e ainda possui uma valiosa opção: seguir apenas um jornalista/blogueiro ao invés do blog inteiro.

  4. Joe comentou:

    em October 6 2011 @ 14:56

    Pessoal, poderiam listar alguns feeds que vcs assinam? sobre qualquer assunto, menos de tecnologia. (já assino um monte desses…)

  5. Fabrício L. F. comentou:

    em October 21 2011 @ 08:53

    Muito bom Augusto!!
    Pena que os clientes são apenas para MAC né!?! rsrsrs
    Bem, uso e gosto muito do Google Reader… e de um complemento chamado NewsSquares que roda tanto no Firefox quanto no Chrome.

    Vale a pena dar uma olhada =)

    Fica ai a dica!!!

    Abraço a todos!
    [ ]‘s

  6. Filipe Saraiva comentou:

    em November 4 2011 @ 13:53

    Eu procurei alguma alternativa para estes leitores de RSS estilo revistas, e achei um muito bom Augusto, o Feedly – http://www.feedly.com

    Ele funciona como um plugin do Firefox ou Chrome e meio como uma camada ao Google Reader, o que mantém os feeds sincronizados.

    Há versões também para o Android e iOS.

Fique ligado!
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