Comunique-se efetivamente usando melhor suas tabelas e gráficos
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Tabelas com dados numéricos são quase lugar-comum em relatórios e apresentações, seja no meio corporativo, seja na escola e faculdade.
O conteúdo que elas apresentam frequentemente é o próprio núcleo do que vai ser apresentado. Por exemplo:
- as vendas do ano, por filial, trimestre a trimestre
- a evolução da participação no mercado, mês a mês
- o resultado dos testes realizados com cada uma das amostras no laboratório
- a expectativa de retorno de cada uma das alternativas de investimento
- etc., etc., etc.
Mas mesmo quando esta presença é mesmo inescapável, muitas vezes basta um pequeno cuidado na organização visual da tabela para garantir que a tabela incluÃda no seu relatório ou apresentação seja um elemento efetivo para comunicar a sua mensagem, e não seja vista simplesmente como um amontoado de números que está ali para ilustrar a explicação associada e satisfazer algum requisito formal.

Hoje veremos algumas dicas para aproveitar as ferramentas de formatação de dados amplamente disponÃveis no século XXI, para não correr o risco de que seus relatórios tragam tabelas que pareçam uma herança de 4 décadas atrás ;-)
Todos os exemplos a seguir são baseados nos números da edição de 1/7/2011 da pesquisa NetMarketShare sobre a participação dos navegadores web no mercado mundial, e usam um estilo padrão do PowerPoint, embora se apliquem igualmente a tabelas produzidas em qualquer aplicativo.
Fazer o básico demora só 1 minuto a mais
A imagem abaixo mostra o tratamento lamentável dado a tabelas numéricas em muitas apresentações e relatórios:

Uma tabela assim “acontece” quando o autor do relatório ou apresentação se restringe a copiar e colar no editor de texto ou no programa de apresentação a planilha que ele usou ao longo de seus estudos.
Veja os pecados capitais cometidos:
- O tÃtulo não dá nenhuma pista do que a tabela significa
- As letras estão ilegÃveis (porque estão no mesmo tamanho de fonte em que estavam na planilha)
- Os textos estão “sambando” no espaço enorme das células da planilha
Frequentemente os autores param por aà mesmo, mas bastaria um ajuste rápido para garantir um mÃnimo de entendimento e legibilidade bem superior:

Note que bastou inserir um tÃtulo descritivo do conteúdo, deslocando para o rodapé a necessária referência da origem dos dados), e um ajuste simples do tamanho das fontes, para a tabela passar a ter um sentido em si mesma, e um grau de legibilidade bastante superior à original.
As árvores e a floresta
Na tabela acima, apesar do ganho de legibilidade já alcançado, o autor permanece apresentando um conjunto de 50 números, e se o leitor quiser tirar uma conclusão sem recorrer a material adicional, terá que providenciar a sua própria análise, que pode ou não conduzir à conclusão que o autor gostaria de destacar.
Mas a necessidade de apresentar a floresta não impede que a árvore que interessa seja destacada!
Vamos imaginar que aquela tabela está presente porque o autor deseja apontar que no inÃcio do ano o Firefox passou a estar abaixo da faixa dos 22% pela primeira vez em vários anos. Que tal usar um tÃtulo mais objetivo e aproveitar alguns recursos gráficos para apontar este momento especÃfico?

Note a diferença: a coluna do Firefox e a linha do mês em que ocorreu o fato estão em destaque, bem como o cruzamento delas. Apesar de os 50 números permanecerem na tabela, é provável que o leitor olhe diretamente para este que interessa, e depois procure, no tÃtulo, o que ele significa.
Além disso, aproveitei para corrigir mais um problema do layout: o alinhamento à esquerda é ótimo para a planilha, mas a centralização horizontal funciona melhor nesta tabela.
Só que a coluna vermelha ficou feia, né? Vamos dar um jeito:

A versão acima usa um recurso gráfico adicional para indicar a tendência de queda contÃnua. Neste caso, a força do sÃmbolo (uma seta para baixo que vai ficando cada vez mais vermelha) pode ser suficiente para garantir a comunicação mesmo considerando que o sentido vertical nesta tabela indica o tempo, e não a grandeza sendo observada.
Além disso, a versão acima ainda corrige mais um detalhe do layout original: agora o alinhamento vertical dos textos nas células também está centralizado. Agora compare com a tabela inicial e veja quanto estes detalhes fazem diferença!
Destacando as exceções
Se o objetivo do autor fosse destacar que só o Chrome e o Safari cresceram em absolutamente todos os meses mencionados, um dos recursos à sua disposição seria destacar os meses em que os demais navegadores tiveram queda:

Aà está: o tÃtulo e as cores vermelhas dos destaques devem ser suficientes para passar o recado. Mas aqui há algo mais que pode ser acrescido: um dado derivado, na forma de um total de cada coluna, que ajuda a indicar onde há crescimento geral (ainda que possa ser descontÃnuo) e onde há retração:

A linha a mais com o saldo acumulado cobra um preço: a indicação da origem dos dados ficou apertada – talvez seja o caso de rever a altura das demais linhas para que tudo caiba mais harmoniosamente.
Passe a tabela no liquidificador e construa um gráfico
Os 50 números da tabela original já se tornaram bem mais palatáveis com a formatação indicando quais deles devem ser olhados primeiro. Mas para tornar a digestão deles ainda mais fácil, a criação de um gráfico simples pode ser uma solução melhor, seja em substituição ou em complemento à tabela.
Para analisar a evolução de uma série de dados, os gráficos de barras são uma opção comum, e mesmo leitores sem maiores conhecimentos em estatÃstica conseguem compreendê-los com facilidade.
Continuando no exemplo do interesse em destacar que Safari e Chrome tiveram crescimento contÃnuo, eis um gráfico ilustrativo:

Às vezes exibir a série não basta – mas não é difÃcil apontar algum momento interessante no gráfico também:

Às vezes, entretanto, o que queremos é indicar a participação de cada um dos componentes que forma um conjunto. Se quiséssemos ilustrar a participação dos navegadores no mercado mundial, uma solução comum seria um simples gráfico de setores – a popular pizza:

É óbvio, eu sei, mas não poderia deixar de mencionar.
Outros recursos gráficos
Especificamente nestes nossos exemplos, a presença das duas formas acima (o gráfico de colunas indicando a série e a pizza indicando a distribuição atual) simultaneamente no relatório ou apresentação poderia servir bem para ilustrar uma conclusão adicional interessante: que os 2 navegadores com maior participação são os que estão em retração, e que os que estão em rápida ascenção ainda não estão muito perto deles.
Apresentar isto numericamente (de forma direta ou com gráficos estatÃsticos) é mais rico, mas à s vezes tudo o que você precisa é comunicar a conclusão. Neste caso, outro tipo de recurso gráfico está à sua disposição: o diagrama, de forma estruturada ou não. Eis um exemplo que serviria como o slide de abertura de uma apresentação sobre os dados que vimos:

Com um pouco de criatividade, pode-se usar tamanhos, posições, alinhamentoes, proximidades, cores e sÃmbolos para comunicar mais claramente uma mensagem. Por exemplo, para demonstrar que os 2 navegadores baseados no engine WebKit, se somados, já ultrapassaram os 20%, poderÃamos fazer:

Como você faria para indicar que esta soma dos 2 navegadores baseados no WebKit pesquisados está prestes a empatar com o total do Firefox?
Agora é com você
Os exemplos acima não tentam ensinar você como se constrói as tabelas e gráficos mencionados, porque os comandos variam de acordo com a ferramenta escolhida.
A intenção é demonstrar que basta um pouco de atenção a detalhes simples para gerar comunicação muito mais efetiva. Lembre-se disso quando for produzir seu próximo relatório ou apresentação!
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1 Aug, 2011, por Augusto Campos
Apresentações, Comunicação
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Stanley comentou:
em August 1 2011 @ 10:57
Belo post Augusto.
Sou leitor do Efetividade a um bom tempo, porém nunca deixei um comentário, a tal da desculpa do tempo.
Porém é injusto, receber tamanho conhecimento e experiência e não prestigiar com um comentário.
Os assuntos que mais gosto são os relacionados aos métodos (e ferramentas) produtivos, principalmente o GTD (alias, já até tive ferramentite, hoje estou mais controlado, rs).
E como todo leitor do Efetividade, eu também gostaria de uma periodicidade maior, pois os conteúdos são de grandÃssima qualidade. De hoje em diante comentarei sempre. Forte abraço. STR
Rafael comentou:
em August 1 2011 @ 11:06
Post muito interessante, principalmente para pesquisadores em geral que são uma negação na hora de apresentar o seus dados. Tenho um tipo de mapa mental aqui que ajuda a escolher entre diversos tipos de gráficos para apresentar os dados, você pode ve-lo aqui: http://www.flickr.com/photos/mimimau/3203307606/
augusto comentou:
em August 1 2011 @ 11:27
Obrigado por compartilhar o mapa mental, Rafael! Mas acho que a maioria das pessoas que atua fora das áreas cientÃfica/acadêmica poderia viver com uma versão dele que só tratasse de uns 3 ou 4 tipos de representação, hein? ;-)
Obrigado, Stanley! Em 2005 e 2006 eu conseguia publicar 5 posts por semana, mas eram outros tempos, hoje fico feliz quando consigo publicar 2, e resisto bravamente para não adotar um padrão de 1 post por semana ;-)
Rafael comentou:
em August 1 2011 @ 12:32
E ele é pequeno Augusto, tem umas coisas em genética que tu nem sonha! hehe
Creio que ter em mente a mensagem que se deseja passar é o mais importante. No post você usou vários tipos de gráficos e tabelas para mostrar mensagens diferentes usando a mesma informação. E fez toda a diferença.
Marcos Roberto comentou:
em August 1 2011 @ 14:13
Augusto, a cada dia você se supera, destaque para os infograficos, uma area ainda pouco explorada.
Parabens!!!!
Lucas Pasquali comentou:
em August 1 2011 @ 17:08
Como diriam aqui no sul: Baita artigo! Parabéns!
Wolder Alves comentou:
em August 2 2011 @ 06:55
Li todo o post lembrando do meu primeiro semestre no curso de EstatÃstica. Contas e mais contas para desenhar um histograma, pintar todas suas barrinhas, não deixar nada borrada para quando chegar na aula o professor com um sorriso maroto falar: “Achei muito bonito seu gráfico, gostei! Mas tá errado.” #Fail :D
Bons tempos!
Ótimo os programas que agora fazem isso rapidinho, mas detalhes como distância entre uma barra e outra, tÃtulo, fonte etc, tudo é avaliado.
Abandonei o curso no terceiro semestre e agora estou em Engenharia de Produção, mas tenho um respeito enormo pelo curso de EstatÃstica que sofre “preconceito” por ser relativamente fácil de entrar.
Quem tiver tempo e quiser saber mais sobre o assunto recomendo o livro EstatÃstica Fácil. Traz muita informação sobre construção de gráficos etc, numa linguagem simples.
fernando f. comentou:
em August 5 2011 @ 17:01
Artigo muito bom!
É urgentemente necessário que os profissionais de educação, que estão usando cada vez mais slides ao invés de anotações em quadro, aprendam algumas dicas de utilização de slides. A produtividade e efetividade do aprendizado muitas vezes piora com esse novo cenário. Pra usar ppt em aulas TEM QUE SABER USAR… Eu reclamava muito na minha época de copiar matéria do quadro, mas agora com tantas aulas em ppt, eu me questiono se eu não aprendia melhor copiando no caderno… Sugiro até um post com esse tema!
parabéns pelo blog!
Matheus - mais produtivo comentou:
em August 9 2011 @ 10:10
Olá Augusto!
Muito obrigado pelos conselhos!
Ouvi falar que é melhor apresentar gráficos em 2D no lugar de 3D porque assim o cérebro percebe melhor as diferenças entre as informações apresentadas. Qual é a sua opinião sobre isso?
Obrigado!
clayton comentou:
em August 16 2011 @ 10:48
gostaria de saber, qual programa posso usar este tipo de grafico e tabela.
Estou em uma nova função na minha empresa e estes tipos de graficos iriam me facilitar a vida, concerteza.
Obrigado.