Como sair das dívidas

Com gastos extras no fim do ano e com as férias, quem não gerenciar muito bem as despesas vai perceber que há mais contas para pagar do que dinheiro disponível.

E isso é mais comum do que se imagina: 6 em cada 10 famílias brasileiras ouvidas em pesquisa da Confederação Nacional do Comércio têm dívidas. Para piorar, 8% dos entrevistados fecharam janeiro sem ter condições de pagar suas dívidas do mês e já começaram o ano com contas atrasadas.

E agora, o que fazer? Entrar no cheque especial e pagar juros ou pedir um empréstimo?

Nada disso, pelo contrário. A solução é traçar um planejamento de gestão financeira para 2011, incluindo as dívidas já adquiridas e as futuras contas já identificadas, e só então procurar qual a melhor forma de lidar com a situação definida.

Para isso, colocar no papel o seu fluxo de caixa pessoal ou familiar para os próximos meses pode ajudar muito, e é o passo essencial.

Quase uma penitência, mas necessário

Dá trabalho montar um fluxo de caixa pessoal quando se está em débito, e pode ser extremamente custoso, inclusive do ponto de vista psicológico, reunir todas as pendências financeiras, incluindo as prestações e contas de cada cartão de crédito, colocá-las em um calendário anual juntamente com os recebimentos previstos, e calcular o saldo que vai sobrar (ou faltar...) para cada mês. Já acompanhei e apoiei pessoas enquanto faziam essas contas, e sempre foram horas sombrias.

Mas é o passo crucial, e sem ele todo o restante pode ser colocado a perder, inclusive por deixar de perceber a real gravidade da situação e a possível necessidade de recorrer a medidas mais extremas que as usuais.

Outros passos comuns, como já vimos em "Dívidas? Saia delas com Efetividade", são:

  • Eliminar completamente o uso do cheque especial, negociando com o banco uma das várias alternativas com menos juros para substituir os saldos negativos que você já tiver nessa que é uma das formas mais caras de crédito.
     

  • Suspender o cartão de crédito enquanto estiver com débitos nele (e, se possível, abandoná-lo de vez). Esse retângulo de plástico é prático, é cômodo, mas também é caro e conduz ao descontrole. Cuidado especialmente com as compras a prazo no cartão, que às vezes formam uma bola de neve difícil de escapar, por permitir que você se endivide bem além da sua capacidade de gerar os recursos para pagar em um mês futuro - e, se você não estiver atento, só perceberá quando começarem a chegar as faturas inchadas, alguns meses após a compra.
     

  • Reduzir gastos: dependendo de sua situação, isso pode significar cortar os supérfluos (mantendo boa parte do estilo de vida) ou mesmo cortar tudo que não for obrigatório (potencialmente afetando temporariamente a qualidade de vida). Comprar só o que precisa usar, economizar energia, escapar das armadilhas do supermercado, suspender revistas, TV a cabo, Internet rápida. Nenhum gasto é pequeno demais para ser considerado digno de corte - o que importa é o saldo geral. Se possível, desfazer-se do que puder ser convertido em dinheiro a curto prazo (na forma de redução de despesas imediatas, como passar adiante um consórcio ou suspender uma obra, ou de conversão de patrimônio em caixa, como na venda de um terreno - algo que geralmente só faz sentido financeiro em situações extremas).
     

  • Resumindo: procurar formas de economizar, fazendo o dinheiro render mais para poder tapar os buracos no orçamento e ter condições de recuperar a saúde financeira e mental - afinal não são poucos os casos de comportamento depressivo surgidos da pressão do débito.

Ferramentas podem ajudar

Para orientar e auxiliar as famílias no gerenciamento, a internet pode ser uma excelente opção. A verdade é que para gerenciar é preciso medir, e para essa finalidade, há poucos meses, os leitores do Efetividade.net revelaram quais suas ferramentas preferidas de gerenciamento financeiro pessoal - pode ser um bom local para você iniciar suas pesquisas.

Outra solução que chegou recentemente ao meu conhecimento (mas não testei!) é a ferramenta Your Life, que avalia, gratuitamente, a vida financeira e orienta sobre o que deve ser feito para atingir os objetivos traçados. Além das dicas de ações e atitudes, o programa sugere cursos, livros e exercícios práticos.

A razão de eu mencionar o Your Life de forma específica é que o conteúdo utilizado no seu módulo Finanças foi criado em parceria com Gustavo Cerbasi, um dos meus 2 autores brasileiros preferidos sobre o tema das finanças pessoais (o outro é o Conrado Navarro).

Mas fique ligado: a assinatura do Your Life completo tem custo, então avalie bem o retorno, como em qualquer desembolso que você venha a fazer motivado pela busca de sair das dívidas.

Fechando as dicas para vencer ou evitar as dívidas neste ano que ainda está começando, recomendo o artigo "Tendência ao consumismo? Um fluxograma para ajudar a frear o impulso da compra", com várias dicas que podem ajudar você a domar seus débitos e reduzir a tinta vermelha usada para imprimir seus extratos ;-)

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