Archive for September, 2009

“Trabalhos escolares prontos”

Os trabalhos escolares prontos são a “solução fácil” para o problema errado, que surge quando o estudante acredita que está no curso apenas para completá-lo e ser aprovado, e não para aprender ou para se capacitar a enfrentar algum desafio externo.

É uma situação típica também no planejamento organizacional, quando as pessoas encarregadas de executar a estratégia acabam perdendo o foco dos objetivos, e enxergam apenas os indicadores e suas metas departamentais ou individuais, e usam isso para justificar a adoção de “soluções fáceis” que deixam de lado o interesse real, apenas para garantir o batimento da meta – equivalente ao aluno que deixa de lado todas as demais considerações e passa a se preocupar apenas em alcançar a média mínima e a frequência obrigatória.

A oferta é grande porque a procura cresce

Cada vez mais percebo, via imprensa e até mesmo via observação direta (experimente pesquisar por trabalhos escolares prontos no Google…), que a busca por downloads de trabalhos acadêmicos (incluindo TCCs, relatórios de estágio e até monografias prontas!) é um fenômeno crescente. A imprensa mostrou recentemente os detalhes de uma variação muito mais complexa, que é a da monografia ou relatório final escritos sob encomenda, mas o que ocorre todos os dias é uma modalidade bem mais simples: o aluno que recorre ao plágio puro e simples de trabalhos prontos disponíveis para download na Internet.

Mas a causa não é puramente a “malandragem” do aluno

Embora alunos, professores e o sistema acadêmico como um todo tenham sua parcela (em tamanhos variados) de culpa, todos se unem para agir como se o problema fosse puramente “malandragem” dos alunos, e como se as raras “punições exemplares” aplicadas a alunos pegos colando ou plagiando trabalhos alheios fosse uma solução para a questão. A punição é importante, mas sozinha não resolve nada – duvido até mesmo que ela seja eficaz, na maioria dos casos, para evitar que os próprios envolvidos, ou as pessoas mais próximas, repitam o seu “crime” na próxima oportunidade que tiverem.

Só que o problema é bem mais amplo, e em alguns casos começa até mesmo em casa: não sei se estou em algum desvio estatístico ou não, mas conheço várias mães que não apenas fazem boa parte dos trabalhos escolares dos seus filhos que cursam o ensino fundamental (resolvendo a questão imediata das notas e de “passar de ano”, mas não o objetivo real), como ainda por cima o fazem recorrendo ao plágio de trabalhos prontos e de artigos da Wikipédia e outras fontes usuais cujos textos os professores já devem estar carecas de tanto rever – mas aparentemente não rejeitam nem mesmo nos casos de cópia completa, direta e não-atribuída.


A família incentiva, e o avaliador finge não perceber que já viu a essência daquela obra em outro lugar…

E como se o incentivo materno e a tolerância dos professores e avaliadores não fosse suficiente, ainda há uma série de outras causas, incluindo:

  1. Matérias e trabalhos irrelevantes: incluindo também aqueles que são relevantes mas não conseguem fazer com que esta relevância seja percebida pela maioria dos alunos, que acabam cursando a matéria porque faz parte do currículo obrigatório (ou para alcançar seus créditos), ou que são obrigados a fazer trabalhos e pesquisas cuja relação com o objetivo do curso não é clara. O que nos conduz aos…
  2. Trabalhos cujo único objetivo é “dar nota”: são os trabalhos escolhidos pelo seu nível de complexidade (fácil demais, ou suficientemente complexo, à escolha do professor), sobre temas secundários e cuja execução não acrescenta conhecimento valioso ao aluno. Às vezes é assumido pelo professor como sendo simplesmente “para complementar a nota”, e conduz naturalmente à execução descomprometida.
  3. Materiais, cursos e trabalhos sem renovação: Se as aulas, as transparências, os exercícios, os trabalhos e as provas são as mesmas, reaproveitadas semestre após semestre ao longo de anos, concluo que o professor deveria estar consciente de que esta acomodação do agente é quase um convite a que o paciente também se acomode e busque um jeito de reaproveitar as respostas.
  4. Trabalhos cujo nível de complexidade não é proporcional à aprendizagem pretendida: Este é um fenômeno do qual fui vítima constante na pós-graduação que terminei de cursar recentemente. O professor de uma matéria de 12 horas-aula queria que os alunos exercitassem sincronização de cronogramas, mas para isso passava um trabalho relacionado à logística petrolífera brasileira, cuja execução dependia de levantarmos informações reais e atualizadas sobre as plataformas de petróleo, oleodutos, navios petroleiros, monobóias, refinarias, distribuição, varejo e consumo do petróleo e seus derivados no Brasil, para aí projetar alguma solução, ao longo de 10 dias. O convite claro à fraude (neste caso, não pelo plágio, mas pela invenção de dados para usar no lugar dos dados reais) fica mais chato quando se percebe a desnecessidade: o esforço maior acabaria sendo o do levantamento dos dados (não relacionados ao objetivo da cadeira ou do curso), e uma vez tendo os dados em mãos, a aplicação (aí sim relacionada ao objetivo) chegava a ser trivial.
  5. Orientação a indicadores: é o fenômeno já descrito acima, em que escola e família agem como se a nota e a frequência mínima (para “passar de ano”) fossem o objetivo.

Mas o aluno também é agente desta situação

Claro que também há as causas relacionadas ao comportamento dos próprios estudantes, incluindo o despreparo, o mandrionismo e a preguiça pura e simples.

Há pesquisas a respeito (veja detalhes e referência sobre uma delas abaixo), e elas indicam que há mais causas neste lado da equação também, incluindo:

  1. Ignorância: mesmo tendo consciência do que é plágio, e de que é errado, os alunos aprendem pelo exemplo, especialmente nas séries iniciais. As famílias apóiam e até facilitam a cópia, os professores toleram sem nem mesmo criticar, e a questão ética do ato acaba sendo aprendida da maneira errada – a ponto de gerar indignação quando os professores mais exigentes, anos mais tarde, rejeitam trechos copiados sem atribuição.
  2. “Síndrome do estudante”: em Gerenciamento de Projetos, recebe o nome de “Síndrome do Estudante” a tendência natural de deixar a execução das tarefas para o último dia. E quando os estudantes fazem isso, e mesmo assim querem entregar o “seu trabalho” no prazo, o plágio acaba sendo a opção de muitos.
  3. Pressão pela produção: É outra natureza da perda do foco: ao invés de concentrar esforços no aprendizado, a instituição busca ter alunos-estrela (sejam vestibulandos ou doutorandos…), a ponto de pressioná-los a realizar mais do que seria razoável – e aí os caminhos “alternativos” acabam sendo tentados por eles também.
  4. Rebeldia e questionamento: Como resposta a um sistema desestruturado (como os dos exemplos acima, de trabalhos e cursos mal ajustados às necessidades), ou mesmo como a característica atitude questionadora típica de estudantes, o aluno acaba recorrendo à fraude, às vezes racionalizando a situação, como se os erros alheios que ele identifica justificassem os seus próprios.

Um ponto de vista acadêmico e um chamado à ação

Eu conheci hoje, via Prof. @marrcandré esta adaptação do Prof. Palazzo para o texto “Plagiarism detection and prevention: final report on the JISC electronic plagiarism detection project”, de Chester, G. (2001).

Além de me motivar a escrever sobre o tema com minha própria experiência de aluno e com minhas próprias observações, o texto do Prof. Palazzo me pareceu digno de ser divulgado, porque pode fazer com que pais, professores e até mesmo alunos interessados e bem-informados repensem algumas atitudes que nem sempre são questionadas.

No (infelizmente comum) caso das famílias e professores desinteressados na educação dos alunos, e dos alunos desmotivados ou sem condições de receber uma educação com qualidade adequada, pouco há que eu possa propor, embora eventualmente os artigos sobre o desafio de liderar equipes com pessoas desinteressadas e sobre como liderar nos momentos difíceis possam ajudar quando houver alguém disposto a fazer alguma coisa mesmo nas condições mais adversas.

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Apresentações: perdendo o medo do microfone

Até quem é craque em apresentações e pronunciamentos em sala de aula ou em pequenas reuniões às vezes “treme na base” nas primeiras vezes em que um evento maior ou alguma necessidade especial (como a de gravação ou a de transmissão) o obriga a apresentar usando um microfone.

♬ Tudo falha, tudo falhará… ♪

E as razões são variadas, incluindo algumas de ordem prática, como o despreparo dos anfitriões, que vemos ocorrer vezes sem fim, e se traduzem em trapalhadas depois que o evento já começou, o palestrante já está lá na frente e a platéia já está lotada. Não sai som por todas as caixas, a localização delas gera diferenças ou ecos, o deslocamento natural do palestrante gera microfonia, o palestrante não tem retorno do seu áudio, etc.

Estes percalços acontecem sem ser por culpa do palestrante (a não ser que o evento seja promovido por ele mesmo), e poderiam ser prevenidos com uma providência simples: um breve ensaio com teste da infra-estrutura, meia hora antes de o auditório ser aberto.

E o palestrante precavido e experiente sempre marca sua chegada para mais cedo, e insiste para que o teste ocorra em sua presença, e inclua tudo o que sempre falha: recursos audio-visuais, microfones (incluindo o de reserva), mesa de som, caixas de som, telas, projetores, luzes, cortinas, apresentação, vídeos, arquivos, relatórios, acesso à Internet, softwares e tudo o mais que vá ser exibido ao público, com participação direta de toda a equipe que irá operar tudo isso.

Mas o microfone é um caso à parte

Só que o microfone é um caso especial. Telas, projetores, caixas de som e a própria apresentação são recursos importantes mas que ficam ali, no canto deles, longe de você.

Já o microfone… não há como se livrar dele, ele o acompanha, ou ancora você a uma posição fixa. Os erros que podem ocorrer com ele acontecem durante a apresentação, e muitos deles são responsabilidade integral do palestrante, que:

  • fica muito perto, ou muito longe;
  • tosse nele, sopra nele, assobia, grita;
  • larga-o estrondosamente em cima de uma mesa;
  • esquece de ligar ou desligar;
  • aproxima-o de uma caixa de som causando microfonia;
  • se afasta da base do microfone sem fio;
  • tenta, sem conseguir, segurar ao mesmo tempo o microfone, o apontador laser e algum material de apoio;
  • tem uma conversa particular ou vai ao banheiro sem desligar o sem fio de lapela;
  • etc., etc.

E ainda há o fator estranhamento, que pode ser o mais complicado de todos: a maior parte das pessoas desenvolve suas habilidades de apresentador em grupos pequenos, na sala de aula ou em reuniões de trabalho – e nelas podem estar presentes todos os materiais essenciais de apresentação, mas o microfone é a exceção, assim a prática com ele não se desenvolve, e surge apenas na primeira vez em que você tem que se dirigir a uma platéia maior.

Treine com microfone

Há alguns anos eu tive a rara oportunidade de ter um gestor com grande habilidade de comunicação, e que dava atenção a desenvolver estes elementos nos integrantes de sua equipe. Quando surgiu a necessidade de participarmos todos em um evento corporativo em que vários de nós teríamos que nos dirigir, em densas apresentações técnicas, a um auditório lotado de pessoas não-familiarizadas nem mesmo com a terminologia do negócio, ele nos convidou a viajarmos um dia antes para realizar, no próprio local, uma oficina de comunicação, apresentando uns para os outros nosso material repetidas vezes, ouvindo críticas e fazendo ajustes.

Isso foi essencial para ajustarmos e reduzirmos o escopo de nossas apresentações, mas também para que dominássemos suficientemente o equipamento que seria usado, incluindo o sistema de som do local, para que ele de fato nos apoiasse, e não fosse um obstáculo ou um complicador, como tantas vezes acontece.

Um dos pontos que praticamos foi que, a cada repetição de alguma apresentação, todos trocávamos de lugar, sentando na primeira fila, ao fundo, no meio do auditório, à esquerda, à direita, com cortinas abertas, com cortinas fechadas, etc. – e isso permitiu que cada um de nós, na condição de palestrante, acabasse percebendo como melhor usar a sua voz ao microfone naquelas condições, evitando tons muito altos ou muito baixos, e garantindo ser ouvido com qualidade por todo o público.

Claro que fazer isso a cada evento, e para cada auditório, raramente é praticável, e sairia bem caro. Mas estou convicto de que os principais valores da experiência toda foram gerados por 3 fatores:

  1. Apresentar repetidas vezes usando um microfone, para saber a que distância segurá-lo, perder o “medo” do instrumento, passar na prática pelas situações chatas de tossir, espirrar, assobiar, gritar nele, murmurar, ou aproximar-se de uma caixa acústica com ele ligado (para saber o que acontece, e conscientizar-se da necessidade de evitar).
     

  2. Ter uma pessoa interessada ouvindo tudo e fazendo críticas, com foco na comunicação, e não no conteúdo ou na apresentação. Há partes em que você fala alto demais? Rápido demais? Afasta o microfone da boca, sem notar, ao gesticular? Adianta o discurso? Aceite as críticas, e recomece, até aperfeiçoar.
     

  3. Conhecer antecipadamente as condições acústicas reais do auditório: sempre que é possível, eu peço para fazer teste de som, com o responsável pela sonorização falando ao microfone lá na frente, e eu me posicionando ao fundo, no meio e na frente, de ambos os lados, e pedindo ajustes quando necessário. É bem melhor do que ter de ficar perguntando, com a apresentação já iniciada, se o público está ouvindo – e reduz o risco de eles dizerem que não, e ter de rolar todo aquele improviso, com gente mudando de lugar, interrupções pra consertarem alguma caixa de som ou ajustarem algo no amplificador.

 

Só o terceiro destes fatores precisa mesmo ocorrer no local da apresentação. Os 2 primeiros já produzem efeito positivo (embora menor) mesmo se forem realizados por você em um microfone barato ligado ao seu PC ou aparelho de som doméstico, especialmente se o microfone for do mesmo tipo usado no auditório em que você vai se apresentar (de lapela, de pedestal, manual, etc.).

Algumas dicas de microfone para os marinheiros de primeira viagem

Catei nos livros de Reinaldo Polito aqui na minha estante algumas dicas consagradas para quem não tem a prática do microfone, e por isso deve usá-los da maneira mais ortodoxa possível:

  • Não resista ao microfone: Se o ambiente é grande, a platéia é numerosa e há microfone disponível, use-o! Mesmo se sua voz for potente, ela não vai ser distribuída por igual à platéia, e o cansaço pode prejudicar o final do discurso.
     


     

  • Se o microfone for de pedestal (ou de mesa), posicione-o bem, mas ANTES de começar a falar, e resista a ficar ajustando-o depois, causando ruídos e interrupções (a não ser que alguém além de você indique que o som está insuficiente). Se um ensaio não tiver determinado a posição ideal, coloque-o na altura do queixo, e a 10cm de distância da sua boca – e não se esqueça de que ele estará fixo, portanto você deve ficar ancorado próximo a ele.
     

  • Atenção à postura! Nos microfones de pedestal ou de mesa, é ele que precisa se aproximar de você. Jamais se incline, se debruce ou se estique para aproveitar uma posição de microfone previamente ajustada para mais alguém, pois a postura sempre distrairá a atenção do público, e pode causar um efeito negativo à sua imagem.
     

  • Se o microfone for “de mão”, posicione-o onde ensaiou (ou na altura do queixo, a 10cm da boca), mantendo-o sempre no mesmo lugar. Deixe o braço naturalmente caído ao longo do tronco, dobrando para cima apenas o cotovelo, e tenha a consciência de que esta mão não poderá gesticular, nem segurar nenhum material de apoio. Eventualmente o microfone de pedestal ou de mesa permite a sua retirada e uso como se fosse “de mão”, e se não for inapropriado, vale a pena fazer uso deste recurso algumas vezes ao longo da sua apresentação, dando assim mais dinamismo a ela. Mas não exagere, nem quebre o protocolo do seu evento. E não fique o tempo todo passando o microfone de uma mão para outra – indica desconforto, e pode prejudicar sua imagem.
     


     

  • Microfone de lapela e headset: é o mais fácil de se adaptar, pois deixa as duas mãos livres e fica sempre na mesma distância em relação à sua boca. Mas prenda-o bem, e necessariamente ensaie antes, pois a captação deles muitas vezes não é tão boa, gerando a necessidade de escolher bem aposição. Se sua preferência for o headset (“estilo Sandy”, como dizem por aqui), vale a pena ter seu próprio, acompanhado de um kit de cabos, adaptadores e receptor – mas aí necessariamente chegue cedo, pois a ativação junto ao auditório pode exigir algum tempo.
     

  • Garanta o “plano B”: especialmente quando estiver usando algum recurso sem fio, com pilhas ou baterias. Elas acabam nos momentos mais impróprios, e cabe a você insistir para que haja um backup pronto para entrar em uso imediatamente.
     


     

  • Microfone móvel para a platéia: Especialmente nos casos em que a apresentação estiver sendo transmitida ou gravada, é importante ter uma solução de captação das manifestações e perguntas da platéia. Mesmo quando não há gravação, o microfone para perguntas dá ao público a possibilidade de ouvir com clareza as perguntas feitas pelos demais presentes.

Como de hábito, o microfone está aberto (via comentários) para que você acrescente também as suas dicas, sugestões e comentários!

Leia também:

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Comprar netbook ou notebook?

Os ultraportáteis estão cada vez mais presentes no mercado e nas mochilas dos profissionais e estudantes que têm condições de ter acesso a esta tecnologia.


Netbooks: Acer Aspire One e LG Scarlet com modem 3G embutido – à venda no Brasil.

E isto ocorre mesmo considerando o fator preço, que no Brasil (ao menos no mercado oficial) funciona bem diferente do que é mais comum no exterior: com netbooks entre R$ 1400 e R$ 1700, não é difícil encontrar notebooks razoáveis com bem mais recursos por poucos reais a mais, bem como PCs de mesa de boa qualidade e mais baratos.


Netbook Ideapad S10E, da Lenovo

Só que o fator preço (consulte preços de netbooks) não seria mesmo um bom motivo para optar por um netbook, como se ele fosse um “notebook popular”, mais barato. Claro que há quem faça isso, mas os recursos ausentes nos netbooks podem fazer falta a quem os adquire para usar como substituto de um desktop ou notebook convencional.


Netbook Sony Vaio P – um pouco menor, e… um pouco mais caro.

Mas claro que há outros bons motivos para escolher o minimalismo dos ultraportáteis. Minhas atividades me permitem a situação extra-confortável de ter tanto o desktop, quanto o notebook, o netbook e um MID, além de um celular com boa conectividade e teclado completo – e por isso acabei encontrando a fórmula para identificar qual a situação exata em que cada um deles é a melhor ferramenta para meu uso.


Meu MID – Mobile Internet Device

Só que nem sempre vale a pena (ou é possível) ter um de cada, e de vez em quando alguém me pergunta o que deve escolher, e eu não tenho medo de responder com base na minha própria experiência – afinal, pessoalmente não tenho dúvida de que o netbook é uma solução melhor que o notebook em diversas situações, e que ambos superam um desktop “parrudo” nas suas especialidades.

Só que antes de responder, é necessário saber o essencial: qual é o problema que o interessado quer resolver com esta ferramenta?

Esta semana, um colega de trabalho que vai passar um período de férias viajando pela Europa mas precisa manter em andamento algumas de suas atividades on-line que não podem ser resolvidas pelo smartphone (e ele não se sente à vontade para resolver em computadores alheios ou cybers) me trouxe a pergunta, e eu não tive dúvida: para atividades on-line, preservação do espaço na bagagem de mão e redução do peso que precisará ser carregado de um lado para o outro, ele precisa mesmo é de um netbook, com suas dimensões reduzidas, cerca de 1kg (os notebooks costumam pesar quase o triplo…), e toda a conectividade necessária.


Um caríssimo Vaio P, que a Sony não chama de netbook

Mas ele não se convenceu com a minha resposta dada de bate-pronto (eu devia ter demorado mais…), e assim acabou me levando a procurar mais argumentos a favor (e também os contra) a escolha de um netbook.

Vantagens dos netbooks

Vamos começar pelos argumentos a favor dos netbooks:

  • Peso e volume: aqui não há comparação, especialmente se houver previsão de longos períodos a pé (em pavilhões de eventos, por exemplo): os netbooks, com suas telas pequenas, capacidade reduzida e ausência de periféricos como drives de CD, usualmente pesam menos de 1,5Kg (alguns pesam 900g), e os notebooks mais comuns ficam entre 2,5 e 3Kg – e este peso faz toda a diferença nos seus ombros. O tamanho reduzido também faz diferença no espaço que sobra na pasta ou bagagem de mão.

     

  • Custo: para quem compra no mercado formal brasileiro, esta não é uma vantagem tão evidente. Mesmo assim, mesmo os melhores netbooks tendem a não ser tão caros como os notebooks de primeira linha, e este custo mais baixo é adequado a algo que vai ser transportado em bagagem de mão e exposto a condições de trabalho bem menos controladas do que as do seu escritório.
     


    Um HD externo

     

  • Modularidade: esta é uma característica dos PCs em geral, mas brilha nos netbooks, já que eles vêm com ainda menos itens pré-integrados. Assim, o conjunto básico é pequeno e leve (em geral, só o aparelho em si e a sua fonte de alimentação), e você leva consigo apenas o peso extra do que for precisar: mouse externo, modem 3G, disco USB, etc. Em tese, daria até mesmo de levar um drive externo para CDs e DVDs, mas se você precisa deste tipo de recurso, é possível que sua aplicação justifique a escolha por um notebook completo.

     

  • Integração e compartilhamento via Internet: outra característica que os notebooks também podem igualmente aproveitar, mas que fazem ainda mais diferença para os netbooks. Se você prevê que vai operar sempre em áreas com acesso à Internet, e já é usuário de serviços on-line para e-mail, compartilhamento de arquivos, comunicação, agendamento e outros, os recursos do netbook estarão bem mais adequados às suas aplicações, e haverá pouca dificuldade em integrar o que é feito “na rua” e o que é feito no seu computador de mesa. Mas vale a pena andar sempre com um pen drive de boa capacidade e que possa ser apagado sem maior preocupação, para eventualmente trocar dados mais volumosos.

As desvantagens do netbook

Mas não podemos deixar de mencionar também alguns argumentos contrários:

  • Hardware limitado: as limitações de memória, disco e desempenho podem ter impacto considerável na hora de rodar algum software exigente. Se você usa o navegador, um sistema de e-mail, outro de conversação, e ocasionalmente abre um editor de texto ou uma planilha, o netbook tende a suportar bem a carga. Mas dificilmente ele será a escolha certa para realizar tarefas mais intensivas de modelagem 3D, desenvolvimento de software, jogos, produção multimídia e várias outras categorias que exigem mais do hardware.

     

  • Hardware reduzido: para ser mais pequeno, leve e econômico, o netbook típico abre mão de uma série de opções que estamos acostumados a encontrar em notebooks. Alguns exemplos comuns são a ausência de drive de CD/DVD, ou as restrições à instalação de mais memória. Às vezes faltam portas de expansão que você usaria, também. Mas em geral o essencial está presente, incluindo rede sem fio, portas USB e Ethernet, suporte para cadeado, e até os conectores para fone de ouvido, microfone e monitor externo ou projetor. Alguns têm até luxos, como Bluetooth integrado e leitor de cartões de memória.
     


     

  • Conforto espartano: embora seja bem mais confortável que a telinha e o teclado da maioria dos smartphones, as dimensões ainda diminutas dos netbooks também cobram tributos do seu conforto de operação. Os modelos atuais têm telas com resolução de 1024×600 ou superiores, suficientes para mostrar sem cortes a maioria dos sites da web, e teclados que se aproximam das dimensões normais, mas vale a pena dar atenção a estes aspectos na hora da escolha. Em especial, vale a pena verificar se o teclado é modelo ABNT (com cedilha), e se tem a tecla dedicada à barra ‘/’ e ao ponto de interrogação ‘?’ – a ausência delas pode causar problemas de adaptação a quem está acostumado às suas localizações usuais, e é comum ter de optar entre uma e outra – ou tem tecla dedicada para a cedilha, ou tem a barra e interrogação.

     

  • Autonomia da bateria: alguns netbooks têm boa duração, outros não – e quando a bateria acaba rápido demais, todas as vantagens podem ficar prejudicadas. Se você está escolhendo uma máquina para usar na rua, é bom que ela possa operar por algum tempo longe de uma tomada. Os fabricantes e varejistas costumam divulgar dados bem otimistas, mas vale a pena consultar as análises da imprensa especializada, que muitas vezes publicam a duração real verificada em laboratório durante testes em condições reais de operação.

Outras alternativas

Na hora de escolher uma opção, é claro que não podemos descartar a priori outras possibilidades: notebooks e netbooks não são as únicas ferramentas que podem resolver a categoria geral de problemas a que eles se destinam.

Sugiro avaliar também:

  • Papel, caneta e telefone. Às vezes a necessidade de ter um computador conectado sempre à mão não é real. Reavalie a sua!
     


    Navegador do Nokia E71

     

  • O uso de um celular ou smartphone. Alguns, como o Nokia E71 que eu venho usando há algum tempo, oferecem conectividade, tela e teclado suficientes para diversas atividades, incluindo navegação casual na Internet e envio de e-mails (uso o Gmail e o Twitter diariamente nele). Mas escrever textos longos no teclado e telinha dele é impraticável para mim.
  • Contar com lan houses e cyber cafés. É preciso atentar para a questão da segurança, mais ainda do que quando se utiliza computadores emprestados. Mas se houver expectativa de ter acesso a este tipo de ambiente nos momentos em que você for precisar de computador e conectividade, vale investigar.
     


    Internet Tablet N810

     

  • MIDs, UMPCs e Internet Tablets. No meio do caminho entre o smartphone e os netbooks encontramos os MIDs, UMPCs e Internet Tablets, como o Nokia N810 da foto acima. São ainda mais leves, ainda menores, e em geral têm ainda menos recursos – mas podem ser suficientes para o que você precisa, e podem fazer a diferença na mochila de um esportista, por exemplo.
     


    Navegador do Nintendo DS, baseado no Opera

     

  • Videogames portáteis. se você, ou alguém que viaja com você, já tem e leva consigo um videogame como o PSP ou o Nintendo DS, eventualmente eles serão suficientes para acessar os websites que você precisa, e até para responder (sem o conforto de um teclado físico) um eventual e-mail. Investigue! Já li muitos sites enquanto aguardava em salas de embarque com o PSP em mãos…

Concluindo

Suas necessidades e interesses geralmente são únicos, e selecionar a ferramenta certa para atendê-los é uma decisão que só você pode tomar. Se eu vou participar de uma reunião externa que vai envolver poucos deslocamentos, não tenha dúvida de que prefiro ter comigo o meu notebook completo, com sua tela maior e capacidade muito maior – mesmo pesando 3Kg e sendo mais sensível.


Netbook Samsung NC10

Mas para meus deslocamentos maiores, ou para levar na bagagem de mão, o netbook sempre ganha – acompanhado de um mouse externo e de um modem 3G, para conexão em praticamente todos os lugares que costumo visitar.

Com os critérios acima, entretanto, você poderá também fazer a sua escolha informada e objetiva. E se você tiver critérios adicionais a propor, conto com a sua participação nos comentários!

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Atualize já o Wordpress: tem um worm atacando versões não atualizadas

Interrompo a (esparsa) programação normal do Efetividade.net para uma notícia que pode interessar a quem tem seu próprio blog e usa esta popular ferramenta: tem um worm procurando e atacando, de forma automatizada, as instalações não-atualizadas de Wordpress pela Internet afora.

As versões 2.8.3 e 2.8.4 (ambas de agosto) estão seguras contra esta invasão automatizada, cuja descrição detalhada consta abaixo.

As consequências podem ser bastante sérias, incluindo ter o seu blog usado como disseminador de spam e de vírus, direcionados aos seus leitores e usuários, também de forma automatizada.

Portanto, quem não tem um serviço de atualização automática e nem fez nenhuma atualização do Wordpress em agosto ou setembro deve correr para o upgrade, além de considerar as suas alternativas (nada agradáveis) após perceber que houve uma invasão, e dar um jeito de acompanhar o lançamento das futuras atualizações de segurança para evitar este tipo de correria.

Segue nota do James Della Valle na Info:

Um novo verme para o sistema de publicação de blogs Wordpress está atacando instalações antigas no serviço e abrindo as portas para spam com links maliciosos.

Segundo os desenvolvedores, a praga faz o registro de um usuário falso e explora uma falha de segurança corrigida nas versões mais recentes do publicador.

O verme é capaz de ganhar privilégios de administrador e usar um JavaScript para se esconder do usuários. Em alguns casos, apesar das tentativas de se manter oculto, a ele acaba danificando links, mostrando que existe algum problema com o blog.

Assim que estiver “confortável” dentro do servidor, a ameaça começa a introduzir spam com links para malware em todos os posts antigos do blog. Como eles entram como comentários aprovados, não há meio de filtrar as mensagens falsas.

A equipe do Wordpress avisa que todos os seus usuários devem instalar a versão 2.8.4 o quanto antes, para evitar problemas com spam e com a estrutura de links que pode ser prejudicada pela ação do verme. (via info.abril.com.br)

Saiba mais (info.abril.com.br).

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