Archive for May, 2009

Você lembra do desenho do Pateta no trânsito?

Mais do que o fundamental respeito às leis de trânsito, todos os dias as cidades brasileiras dependem, para que seu trânsito não engate definitivamente, de uma série de convenções baseadas no senso comum, na cultura e, em cidades especialmente contempladas, na civilidade e cortesia.


Lembra do desenho do Pateta (na verdade era o Sr. Wheeler/Sr. Walker) no trânsito?

Mas trata-se de um equilíbrio delicado, e muitas vezes a presença de pequeno número de motoristas se portando mal é suficiente para tornar o trânsito muito mais tenso (e intenso), esgotando rapidamente a reserva de boa vizinhança dos demais, e instituindo aquele cada-um-por-si que gera os maiores engates – estacionamento em qualquer lugar, tráfego pelo acostamento, mudanças de pista forçadas às custas da segurança alheia e tantos outros exemplos – e cada motorista age como um gato transgressor de Schrödinger, estando ao mesmo tempo em dois estados opostos: se perguntado sobre o comportamento dos demais, acha tudo um absurdo e barbeiragem; chamado a explicar o seu próprio comportamento, sempre acha ter uma justificativa.

É o caso do nosso tema de hoje: o bloqueio do cruzamento, que ocorre quando um motorista, para não “perder a vez” em um sinal amarelo ou aproveitando uma oportunidade de passagem, avança sobre um cruzamento sem ter certeza de que poderá atravessá-lo completamente – e assim bloqueia artificialmente o trânsito da via transversal até que o trânsito à frente dele lhe permita, finalmente, avançar.

Este tipo de comportamento ocorre mais em algumas regiões do que em outras e, ao contrário do que possa parecer, não encontra justificativa na intensidade do trânsito, segundo análise de engenheiros de tráfego: em algumas cidades de alto tráfego, há questões culturais e medidas efetivas do poder público que conseguem desestimular e prevenir essa barbeiragem tão estressante para todos à volta.

As medidas incluem melhor sincronização dos semáforos, melhorias em geral no fluxo de veículos e, principalmente, a presença da autoridade de trânsito nos cruzamentos, já que o motorista-problema assume que o cumprimento das normas só é realmente obrigatório quando há fiscalização visível. Mas nem todas são plausíveis em todos os locais, e a ausência delas não justifica que cada indivíduo se julgue no direito de bloquear o tráfego das ruas transversais àquela em que estiver transitando.

Para lembrar da necessidade de manter o trecho desbloqueado, muitas cidades passaram a adotar as chamadas “yellow boxes”, faixas amarelas sobre os cruzamentos. Mas a incivilidade é grande a ponto de ver estes lembretes ignorados, e ainda surge o efeito complementar de os motoristas alegarem acreditar que todos os demais cruzamentos sem pintura não precisam ser mantidos abertos.

No meio do caminho tinha um acesso ao hospital

Em um trecho frequentemente engarrafado do caminho que faço todos os dias para vir para casa aqui na capital da pior mobilidade urbana brasileira, há um cruzamento em que uma das mãos dá acesso a um hospital. O poder público até tomou a providência de sinalizá-lo com a pintura na superfície da via, mas é raro passar uma semana sem que eu veja se repetir a triste cena de uma ambulância, com sua urgência peculiar, tendo de aguardar que o trânsito do sentido transversal a ela ande, porque alguns motoristas sem consciência resolveram desconsiderar o empenho.

E o pior: também não passa uma semana sem que eu receba alguma buzinada de algum apressado atrás de mim, querendo que eu avance sobre a mesma faixa amarela, quando eu paro corretamente sem bloquear o acesso do hospital. Foi o que me lembrou do antigo desenho do Pateta, lá no início do artigo, que mostrava a transformação do pedestre em motorista, se despindo de todas as restrições e virtudes ao sentar de frente para o volante.

O argumento legal

Quem explica é Marcelo José de Araújo, advogado e consultor de trânsito em Curitiba, em trecho que reproduzo de seu artigo:

Esse alerta (“Não bloqueie o cruzamento”) decorre de dois dispositivos do Código de Trânsito, que são o Art. 45 que estabelece que mesmo que a indicação luminosa do semáforo seja favorável, o condutor não pode adentrar ao cruzamento diante da possibilidade de ter que parar o veículo, de forma a obstruir o trânsito na via transversal. A infração correspondente estaria prevista no Art. 182, inc. VII, infração média, que proíbe a parada na área de cruzamento de vias, prejudicando a circulação de veículos e pedestres.

Primeiramente vemos que a infração prevista no Art. 182, VII do CTB é mais abrangente que a regra de circulação do Art. 45, pois este nos dá indícios que a infração ocorreria apenas em cruzamentos com sinal luminoso, porém a infração tipificada pode ocorrer em cruzamentos sinalizados ou não, e da mesma forma a regra de circulação nos dá o indicativo de que o bloqueio não pode prejudicar apenas o trânsito de veículos (pois na transversal circulam veículos) enquanto o tipo infracional prevê que o prejuízo pode se dar em desfavor dos pedestres também.

A sugestão

Como em muitos casos de comportamento coletivo, não há garantia de eficácia a partir da melhoria de comportamento de indivíduos isolados. Mas isso não equivale a dizer que só o poder público ou a intervenção do Estado podem resolver o problema: atitude se muda pelo exemplo, e cada motorista que se comporta mal é uma justificativa a mais para que seu vizinho ache que deve fazer o mesmo.

Assumo que ninguém tem interesse no risco de ser multado e acumular pontos na carteira, ainda mais por um motivo tão fútil quanto andar alguns metros a mais: ao invés de parar na extremidade do cruzamento, parar dentro dele.

Não há como cada motorista impedir que os demais se comportem assim, mas o erro alheio não é justificativa para que todo mundo se ache no direito de errar igual. E os prejudicados, como no exemplo da ambulância que eu vejo todas as semanas, não tem culpa da falta de educação e consciência alheia.

Portanto, a medida sugerida é simples: avance sobre o cruzamento só quando tiver certeza suficiente de que poderá completar o trajeto, e mantenha-se consciente de que a barbeiragem alheia não justifica que você cometa intencionalmente as suas também!

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Bibliografia: como fazer referência bibliográfica, com exemplos

Bibliografia é a relação das obras consultadas ou citadas por um autor na criação de determinado texto. Descrevendo assim parece simples, mas quando chega a hora de colocá-la em prática em trabalhos acadêmicos, há uma profusão de normas a seguir, e pode ser um desafio evitar que ela prejudique o que mais importa, que é a qualidade da pesquisa realizada.

Até quem gosta de ler pode se intimidar quando se trata de ler registrando capítulos, páginas, ano e local de publicação, e outros detalhes sobre todo material relevante, por mais que essa necessidade seja justificada.


Alguns exemplos que constam na norma da ABNT

Já havia publicado por aqui anteriormente um artigo sobre normas da ABNT para o TCC e outros elementos de formatação, com base nas minhas próprias necessidades da pós anterior, mas na hora de colocar em prática, sempre se percebe que poderia ser ainda mais fácil.

Entra em cena o meu TCC

A partir da semana passada comecei a me ocupar do TCC da minha pós-graduação em Gerenciamento de Projetos (versando sobre Gerenciamento das Comunicações em Projetos), e mais uma vez tive que recorrer a inúmeras referências sobre as normas que regem a apresentação e formatação de trabalhos acadêmicos.

E para mim o bicho pega na hora de fazer as referências bibliográficas. Anotar e registrar a bibliografia consultada é praticamente uma arte, e ao neófito que busca a melhor maneira de mencionar a sua fonte consultada, parece haver infinitas variações de tonalidades, afinações, nuances, texturas e sombras.

O pulo do gato é não deixar que as sutilezas da norma fiquem no caminho do que mais importa, que é encontrar as fontes certas, consultá-las, entendê-las e empregá-las em seu trabalho! Daí a importância de contar com guias que facilitem o aspecto técnico-operacional da bibliografia.

Guias para facilitar

Diversas universidades publicam seus guias de formatação de referências bibliográficas, baseados na norma da ABNT NBR 6023. E estes guias, com seus exemplos, são exatamente o que o aluno precisa na hora de buscar o download de modelos prontos para o seu Trabalho de Conclusão de Curso, pois cada uma das maneiras mais comuns de citação é apresentada com exemplos reais.

Registro aqui, portanto, para meu uso futuro e para quem mais tiver interesse em saber como fazer a referência bibliográfica ao final do volume de seu trabalho de conclusão ou relatório de estágio, os links e mirrors dos exemplos adicionais que encontrei e me baseei para fazer meu TCC:

Recomendo ainda os dois artigos anteriores:

Com estes guias, dá para descobrir rapidamente como fazer até aquelas referências bibliográficas mais modernas, como as que mencionam sites da web, listas de discussão, vídeos e todas as demais fontes de informação nas novas mídias que hoje são cada vez mais corriqueiras.

E bom TCC!

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SEO: Os erros mais comuns na otimização de sites para mecanismos de busca

Você às vezes percebe que determinados sites privilegiam tanto as tentativas de garantir uma melhor indexação pelos mecanismos de busca, a ponto de deixar em segundo plano a inclusão de material que de fato atraia e mantenha o interesse dos leitores potenciais que tanto buscam atrair?

Eu percebo este fenômeno frequentemente, me esforço para pessoalmente evitá-lo, e há um bom tempo pensava em escrever algo a respeito por aqui.

Mas a oportunidade chegou quando recebi da editora Novatec, há alguns dias, o aviso de lançamento do livro SEM e SEO – Dominando o Marketing de Busca, da Martha Carrer Cruz Gabriel, também autora do “Marketing de Otimização de Buscas na Web”, que resenhei e sorteei por aqui em meados do ano passado.


A autora, Martha Gabriel

Quando a dúvida é técnica, uma boa alternativa é consultar um profissional, certo? Na ocasião do sorteio do livro anterior, iniciei um diálogo com a autora (que é pós-graduada tanto em Comunicação de Marketing quanto em Design Gráfico, mestra em Artes, e várias vezes premiada como produtora web), o que me colocou em posição de, neste novo lançamento, encaminhar a ela duas questões para que respondesse, à luz de sua própria experiência de profissional da área, e também dos conteúdos expostos no seu novo livro sobre o marketing de busca.

Muitas vezes tenho visto “conselhos” relacionados à otimização para sites de busca que não passam pelo essencial, que é oferecer ao público aquilo que ele está de fato procurando – e é assim que surgem sites bem posicionados para palavras-chaves indesejadas, sites que atraem público que não deseja aquilo que está sendo oferecido, e sites em que há severas distorções na proporção entre número de visitantes e objetivos atingidos. A minha condição de Administrador me leva a atribuir isto não a deficiências técnico-operacionais, e sim à falta de elementos básicos de estratégia, perdendo o foco e passando a tomar os indicadores como se fossem a missão, o que tende a levar a um mergulho em parafuso difícil de interromper – mas outros profissionais certamente podem ter pontos de vista divergentes.

Destaco que esta minha crítica não se aplica ao material preparado pela Martha, que alinha suas técnicas a bases sólidas de Marketing e Estratégia. E foi por isso que escolhi fazer a ela a pergunta que eu mesmo costumo me fazer, ao ver sites otimizados para o lado errado, e sobre a qual eu há tempos planejava escrever:

Você poderia compartilhar conosco quais os erros mais comuns que tem visto em tentativas de aplicação de técnicas de otimização para sites de busca? Algumas técnicas comuns se espalham quase como lendas urbanas, embora dêem pouco resultado, ou até mesmo representem risco. Quais as que lhe chamam mais atenção?

A pergunta era ampla, e a autora não se furtou a responder no mesmo estilo. Reproduzo na íntegra:

Na minha opinião, os erros mais comuns em otimização para busca acontecem devido à falta de elaboração de um plano de Marketing de Busca antes de se iniciar qualquer processo. Nesse plano é onde são feitas as análises estratégicas essenciais para o sucesso do processo — como determinação de objetivos, análise de ambiente e concorrência, pesquisa de palavras-chave, etc — além do desenvolvimento do planejamento operacional e de monitoramento para controle de ajustes.

A falta desse planejamento inicial causa erros de otimização do tipo:
a) usar links patrocinados sem objetivos especificados, o que pode gerar um desperdício financeiro grande, sem resultados;
b) otimização orgânica para palavras-chave erradas, sem ter feito as escolhas corretas entre genéricas e específicas;
c) não determinar os indicadores de performance antes de iniciar o processo, não permitindo, assim, análises de ROI adequadas, etc.

Saindo do âmbito mais estratégico de Marketing de Busca e focando especificamente em técnicas de SEO, um dos erros mais comuns que encontro nas consultorias e projetos que fazemos são re-direcionamentos de páginas e domínios feitos de maneira errada (que podem ser confundidos com técnicas negras).

Com relação ao uso de técnicas de otimização de forma errada, acredito que o equívoco mais comum encontrado ainda é pensar que é suficiente colocar um monte de palavras-chave na página sem prestar atenção à relevância do conteúdo e sua linkability com sites apropriados. Isso acaba levando a um keyword stuffing sem resultados efetivos e passível de punição.

Aproveitei a oportunidade e lancei mais uma pergunta-bônus, pensando nos leitores aqui do Efetividade que podem ter interesse em colocar este novo livro em suas estantes: “Qual o aspecto abordado no livro que você considera o mais eficaz, em termos de resultado alcançado diretamente? Ou seja: se o leitor se visse obrigado a escolher apenas um dos temas ou técnicas abordados, qual seria a sua recomendação?

Segue, naturalmente, a resposta:

Isso depende intrinsecamente do nível de conhecimento sobre o assunto que o leitor possui. O livro procura traçar um caminho ao longo dos capítulos que leve uma pessoa a conhecer o processo de busca e desenvolver estratégias eficientes e éticas.

Dessa forma, além das técnicas de SEO propriamente ditas, o livro aborda vários aspectos importantes de um projeto completo de Marketing de Busca (SEM), como, por exemplo, plano de marketing, landing pages, SMM (Social Media Marketing), Behavioral Targeting, etc.

Assim, o aspecto mais importante para o leitor vai depender diretamente das necessidades e objetivos dele. Um leitor iniciante em SEM/SEO precisaria ler todos os capítulos, a partir do primeiro, pois é necessário conhecer todas as etapas do processo antes de se começar um projeto de Marketing de Busca.

Já um leitor experiente no assunto poderia ler diretamente o capítulo de SEO, Landing Pages ou Tendências, por exemplo.

Interessou? Visite o site do livro. Ou consulte alguns de nossos artigos anteriores sobre o tema, ou relacionados:

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Evento de “Personal Planning” em SP – 5 a 7 de junho

A Nair Baranski, que já esteve aqui pelo Efetividade no artigo “O que fazem os profissionais de Personal Planning?“, mandou um aviso sobre um evento que ela está promovendo e talvez possa interessar a alguns de vocês:

Workshop “3 em 1″ – 05 a 07 de junho

Apenas 6 pessoas por turma, final de semana em chácara em condomínio fechado, a 70km de SP, com atividades físicas variadas orientadas por “personal trainer”, com aprendizado da técnica do “Personal Planning” para planejamento de projeto de vida com uma “personal planner”, e ainda re-equilíbrio energético com um terapeuta holístico. É uma integração harmoniosa de CORPO+MENTE+ALMA. Hospedagem, alimentação e hidromassagem inclusos no pacote.

Veja mais informações, preços, instrutores, etc. no site do evento.

Nair Baranski é administradora de empresas, palestrante e “personal planner ”, especialista no método do “Personal Planning” para elaboração de Planejamento de Projeto de Vida, visando ao equilíbrio entre o que ela descreve como as 6 principais áreas de nossa vida (saúde, trabalho, dinheiro, social, amor e alma).

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Como escrever melhor – em 5000 caracteres ou menos

Você é capaz de descrever um conceito ou uma proposta, por escrito, em menos de 1000 palavras?

Todos os meses eu encaro o desafio de produzir minha coluna – que ocupa uma página, diagramada em 600 palavras ou 4000 caracteres – para a edição impressa da Linux Magazine brasileira e, ao longo dos anos, percebi que isso me ajudou a encontrar algumas técnicas para a melhoria dos meus textos do dia-a-dia, como atas, registros de reunião, apresentações e o ocasional artigo.

Elas são genéricas o bastante, bastando que você escolha quais se encaixam nas suas demandas. E o mais interessante é que elas também podem ser apresentadas em menos de 4000 caracteres!

Vamos a elas:

Não se intimide. Colocar suas idéias por escrito pode ser uma tarefa desafiadora, ainda mais quando se quer fazê-lo de forma sintética. Aceite o desafio, pois um texto curto e direto tem muito mais chance de ser lido integralmente, e o processo de escrevê-lo pode ajudar você até mesmo a refinar a sua idéia.

Primeiro sintetize mentalmente. Não saia escrevendo parágrafos a esmo, para depois se ver obrigado a amputá-los, formando um texto desconjuntado. Pare, delimite, pense nos tópicos essenciais do seu tema, coloque-os em ordem de importância, corrija excessos e ausências. Ao fim do processo, você já terá uma boa idéia do que deverá ser escrito, e em que ordem.

Deixe o título e o começo para depois. Em um texto curto, a primeira frase pode ser a mais importante, e não necessariamente precisa seguir a regra de apresentar uma síntese. Existem muitas formas de dar ao leitor uma razão para prosseguir a leitura (o texto que você está lendo, por exemplo, começou com uma pergunta que apresenta um desafio), e é mais fácil escolher a certa quando o corpo do texto já está pronto.

Seja direto. Você não precisa guardar o melhor para o final, e nem abusar de enfeites estilísticos. Bons textos curtos vão direto ao ponto, em palavras simples e vivas, com uma sequência lógica e cadenciada.

Quebre os parágrafos. Nem sempre é adequado recorrer a listas de itens, como eu fiz neste texto, mas vale a pena evitar os parágrafos longos. Em um texto organizado e bem dividido, o leitor tem maior facilidade em captar a importância e o interesse antes mesmo de começar a ler.

Escreva para o seu leitor. Parece óbvio, mas muita gente escreve sempre como se o texto fosse ser lido pelos seus professores, pelos seus desafetos ou, ainda pior, pelo Google. Saiba a quem você está se dirigindo, e use a linguagem adequada, sem jargões, sem técnicas que privilegiam indexadores em detrimento dos leitores de carne e osso, e sem exagerar na inclusão de destaques, piadas internas e espertezas verbais.

Não tente esgotar seu tema. Poucos temas podem ser esgotados em 2 páginas. Ao escrever um texto curto, mantenha o foco nos aspectos essenciais. Se necessário, referencie fontes onde há maior detalhamento, mas sem tentar reproduzi-las.

Busque o equilíbrio. Após escrever a primeira versão, compare o texto com a lista de tópicos essenciais que você identificou antes de começar. Verifique se estão todos presentes, e se você não dedicou espaço demais aos seus preferidos, em vez dos mais importantes.

Leve o leitor a concluir algo. O leitor pode até discordar de você, mas precisa terminar a leitura sabendo qual era a sua intenção – mesmo quando o texto terminar em um questionamento ou convite a reflexão.

Releia, treleia e quadrileia. Em textos curtos, todos os erros ficam mais evidentes. Revise múltiplas vezes, procure por erros de ortografia e estilo, corrija as idéias incompletas e os excessos.

Ao final do processo, você terá um texto curto, direto, fácil de ler e de entender. Acrescente uma boa dose de inspiração, duas pitadas de estilo, e aí é só servir, acompanhado de duas rodelas de empatia!

– E o texto acima tem exatos 3880 caracteres ;-) –

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Pergunta aos leitores: excesso de planejamento financeiro familiar pode ser um obstáculo?

A leitora Carina Cheng enviou uma série de questões abertas que merecem um artigo mas, por sua natureza, achei melhor (com autorização dela, naturalmente) publicar a mensagem que ela enviou, acompanhada da minha resposta expressando um ponto de vista pessoal, e aí abrir a discussão entre todos vocês, leitores interessados.

A mim parece que a questão central está relacionada a um delicado ponto de equilíbrio entre o desejo de garantir a estabilidade familiar a longo prazo e o perigo de transformar a vida de toda a família em um registro contábil. Mas certamente a questão tem nuances mais delicados, por isso apresento a vocês a sequência completa, para posteriormente colher suas opiniões e contribuições nos comentários.

Começou com o e-mail abaixo, enviado pela Carina:

Hoje, numa conversa sobre planejamento financeiro para o futuro, surgiu uma questão que não lembro de ter lido no seu blog, embora seja bastante relacionado ao tema, que é recorrente.

Em muitos lugares lemos sobre o planejamento pessoal quanto a objetivos pessoais e profissionais, a organização de metas e tarefas, wishlists, mas sempre relacionados a nós mesmos e a nossos projetos e desejos. Entretanto, na conversa, chegamos num ponto em que paramos e pensamos sobre o quanto nosso planejamento (no caso em específico o financeiro, mas com certeza outros também) pode afetar não apenas a nós mesmos, mas às pessoas mais íntimas, como pais, filhos e companheiros.

Por exemplo: ao morar já há alguns anos fora da casa dos pais, formada e com emprego relativamente estável, eu poderia (talvez deveria) começar a pensar em direcionar parte do meu orçamento para ajudar meus pais, prestes a se aposentarem, mantendo um padrão de vida. Outro exemplo: começar a fazer o planejamento em conjunto com o respectivo cônjuge para poder pôr em prática planos como comprar um apartamento e ter filhos.

O quanto isso tiraria de nós o poder sobre nossos desejos? Ou, quanto isso teria peso sobre nossos planos? Seria apenas mais uma célula de nossas planilhas? Será que pode existir um lado emocional na racionalidade toda da organização pessoal?

Com certeza a extensão desse assunto é enorme, e as ramificações infinitas, mas gostaria de perguntar seu pensamento a respeito. E talvez, lançar a idéia aos leitores e ver diferentes pontos de vista quanto a isso, pois devem ser muito diversos e construtivos! :)

Eu respondi a ela, confirmando que acredito nas suposições que ela lançou. Sou fã do planejamento estratégico pessoal, mas quando ele dá um passo além e vira planejamento operacional e financeiro familiar a longo prazo, um sinal de alerta se acende, devido aos riscos que a própria natureza informal da dinâmica familiar impõem.

Segue o trecho relevante da minha resposta, ligeiramente editado para inserir os links:

Acredito que, se houver o interesse em gerenciar objetivamente as metas em paralelo mencionadas como exemplo (construir fundo sustentável para apoio financeiro aos pais após a aposentadoria deles, comprar apartamento, colocar-se nas condições desejadas para ter filhos, etc.), as disciplinas do Planejamento Estratégico e do Gerenciamento de Projetos podem ajudar bastante.

Mas pessoalmente tenho dúvidas sobre se vale a pena gerenciar a própria vida (e a dos que lhe cercam) como se fosse um empreendimento, pois há o risco de que o sucesso passe a ser medido pela capacidade de produzir receita e/ou poupança – e quando isso acontece, eu acredito que há grande perda da qualidade e do aproveitamento, sem contar que tende a conduzir a uma abordagem excessivamente conservadora da vida como um todo.

Ao mesmo tempo, quando se reduz estes processos (a estabilidade dos familiares após a aposentadoria, a segurança dos filhos, etc.) aos termos objetivos requeridos em um projeto, temo que as próprias escolhas de vida das pessoas que se deseja proteger passem a ser gerenciadas e medidas em termos reduzidos a débitos e créditos, oportunidades e ameaças. Não é uma perspectiva saudável, na minha opinião – e pode levar a uma versão ampliada do dilema que já descrevi no artigo “Você usa bem o tempo que o seu ganho de produtividade libera?“.

Talvez seja possível chegar a um meio termo, com um fundo de reserva familiar convencional (como descrito em “Crie o seu Fundo de Reserva pessoal, e encare a vida com mais opções“), e apenas um planejamento das metas ou expectativas gerais.

Se possível, com participação ativa das pessoas que se deseja proteger, sem transformar a vida de ninguém em empreendimento, e sem que nenhuma das partes precise se comprometer a deixar de correr os riscos associados aos desafios que o crescimento pessoal nos apresenta!

A nova resposta dela acrescentou mais uma idéia-chave:

Começaram a se formar na minha mente algumas novas idéias sobre o tema ao ler sua resposta; transformar todo o planejamento familiar num empreendimento, numa relação de patrão e funcionários, poderia restringir excessivamente a liberdade pessoal de cada um. Como agir quando o relacionamento pessoal e os sentimentos podem interferir tanto nas nossas ações e decisões, que às vezes precisam ser tão racionais?

E neste ponto, ambos concluímos que seria interessante levar esta questão ao conjunto de leitores, para que possam compartilhar suas experiências e opiniões a respeito.

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Vai organizar um cômodo? Ancore-se firmemente a ele!

Organização pessoal e doméstica é um tema que já cobri bastante por aqui no passado, e cujo retorno mais frequente os leitores vivem cobrando nos comentários.

Assim, não posso deixar passar a oportunidade criada por um post do Apartment Therapy apontando uma dica de organização doméstica que, como muitas outras de seu gênero, parece óbvia e simples, e mesmo assim a gente tende a fazer exatamente o contrário ;-)

Antes de chegar à dica gringa, vamos revisitar alguns artigos anteriores, aqui do Efetividade, sobre assuntos correlatos, para aproveitar a viagem. As dicas deles são:

“Mantenha-se fixo no ambiente que estiver sendo organizado”

Quanto à dica do Apartment Therapy, quero começar afirmando que nem sempre a sigo. Mas quando chega o momento de uma grande operação (seja no escritório, na sala, na cozinha, etc.) eu não apenas a sigo, como até vou além dela, arranjando uma banqueta e sentando junto a cada armário, gaveteiro, etc., em sequência, para arrumar cada um deles do começo ao fim – quando me desloco, ele está pronto.

E é este o objetivo final da dica, que agora reproduzo, em minha adaptação livre:

Quando você estiver na fase de organização de um cômodo específico, FIQUE no cômodo durante toda a sessão (prepare-se antes tendo recipientes adequados para lixo, reciclagem e doações). Invariavelmente você vai encontrar objetos cujo lugar certo é em outros cômodos, e surgirá a inclinação para ir imediatamente levá-lo ao seu lugar. E neste processo, é REALMENTE fácil se distrair e acabar não retornando à tarefa original.

Eles vão além, sugerindo que além dos 3 recipientes clássicos de apoio à arrumação (para descarte, para reciclagem e para doação), você tenha caixas extras para os itens que deverão ir para os outros cômodos. Pessoalmente, prefiro ir acumulando-os do lado de fora da porta, e ao final faço uma rodada extra de classificação e levo tudo de uma vez para cada cômodo.

Aliás, vale mencionar que o costume de interromper a tarefa a cada vez que se encontra algo que deve ir para outro quarto não é apenas um fator de risco de distração – é também uma forma bastante ineficiente de empregar o tempo e o esforço, por multiplicar o número de deslocamentos.

Veja também o artigo inteiro no Apartment Therapy e a referência a ele no Lifehacker.

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Kit de ferramentas doméstico: 10 itens indispensáveis

A revista Popular Mechanics publicou recentemente uma matéria que recebeu a chamada principal da capa, descrita assim: “50 ferramentas que todo homem precisa ter“.

Eu li e gostei, porque me agrada, como também agrada a muitas pessoas que conheço, visitar lojas de ferramentas, ver fotos e descrições de ferramentas, e manter um kit de ferramentas essenciais à disposição em casa.

Mas no sentido prático, achei bastante exagerado – não conheço muita gente que concordaria que todos precisamos ter em casa 2 marretas, talhadeira, 2 pés de cabra, meia dúzia de serras especializadas, etc.

Eu já havia visitado este tema antes, no artigo “O que você tem na sua caixa de ferramentas?“, em que fotografei e descrevi o conteúdo do estojo em que guardo ferramentas para uso em reparos de computadores (e similares), e da caixa pequena de ferramentas que mantenho sempre à mão dentro de casa.

Mas o artigo da Popular Mechanics me inspirou a olhar outro lado desta questão. Me perguntei: quais as ferramentas que eu realmente preciso ter dentro de casa? Quais podem ficar na garagem, ou ser dispensadas?

Desta vez desconsiderei o kit para manutenção de computador (ele já foi o destaque do artigo anterior), e procurei descrever todas as ferramentas usando o máximo de termos leigos que consegui ;-)

Vamos à lista:

Kit de ferramentas doméstico:

Alicate universal – possivelmente uma das ferramentas mais versáteis no dia-a-dia. Um bom alicate universal tem cabo com isolamento elétrico, gume de corte resistente e garra firme. Na hora de puxar, prender, enrolar, segurar, torcer e cortar, ele entra em cena e cumpre seu papel.

Dependendo do tipo de aplicação que você tem em casa, entretanto, ele pode ser muito bem complementado por um alicate de corte, um desencapador de fios, um crimpador, e tantos outros primos e afilhados da família dos alicates.

 

Parafusadeira recarregável (e seus acessórios) – eu tenho, e ocasionalmente uso, uma grande variedade de chaves tradicionais, manuais – de fenda chata, philips, allen, torx e tantos outros formatos que os fabricantes de mobília e equipamentos em geral gostam de escolher. Uma chave philips 3/16×3 da Taurus, que abre a maioria dos parafusos do gabinete dos PCs mais comuns, fica guardada permanentemente no porta-canetas da minha escrivaninha, até.

Mas depois de experimentar alguns outros tipos de parafusadeira (incluindo uma Black & Decker em formato de furadeira, bem mais potente, cheia das regulagens de força e torque, mas que muitas vezes não cabia no ângulo certo dentro dos móveis e equipamentos em que eu precisava usá-la), acabei adotando com sucesso, e mantendo sempre carregada e pronta para uso, uma parafusadeira Black & Decker mais doméstica, com velocidade fixa e formato mais parecido com o de uma chave de fenda tradicional grande, similar à da foto. Embora tenha para vender em kits com até mais de 60 ponteiras (“bits”), eu preferi comprar um modelo básico (com 8 ponteiras e um adaptador) e depois complementar comprando kits pequenos que contivessem as ponteiras adequadas aos parafusos existentes na minha casa, e aí reuni-los em um estojo que cabe no bolso, na hora de ir à luta. O aparelho tem limitações, mas ainda não aconteceu de eu encontrar um parafuso que ele não conseguisse remover, ou apertar. Teve força suficiente até pra cravar parafusos nos painéis dos móveis.

 

Chave inglesa – eu tenho duas, para cobrir toda a gama de tamanhos necessários para a manutenção das bicicletas e os pequenos reparos domésticos. É uma ferramenta versátil e fácil de encontrar, embora haja muitas de má qualidade no mercado. E quando a operação é realizada na bancada, a chave inglesa normalmente é a minha segunda opção, pois prefiro usar as chaves combinadas, já calibradas e fixadas nas aberturas corretas.

 

Chaves de boca ou chaves combinadas – eu prefiro usar as chaves combinadas, como as da foto acima, embora isso exija ter um número maior delas para cobrir todas as aberturas necessárias. Cada um deve avaliar quais os tamanhos necessários em sua casa, mas eu noto que uso basicamente os tamanhos 10, 11 e 12. A vantagem da chave combinada é que, quando usamos o lado circular (e não o “de boca”), a aplicação da força sobre o eixo da peça que estamos girando é mais uniforme, e a possibilidade de deformação ou espanamento das extremidades da porca ou parafuso se reduz bastante.

 

Furadeira: Já foi a campeã de audiência, mas hoje temos tantas alternativas de fixação de objetos sem furação, que abrir um novo orifício na parede (com todos os danos e riscos associados) não precisa mais ser a primeira escolha. Mesmo assim, de vez em quando ela é a ferramenta certa para resolver algum problema.

Eu tenho um modelo doméstico comum, com fio, de impacto, com duas velocidades, e um pequeno conjunto de brocas para concreto, madeira e metal. Se fosse comprar hoje, escolheria uma daquelas que vem com escala de profundidade de furação e com função de parafusamento, mas não optaria por um modelo alimentado por baterias. O acessório indispensável é uma extensão elétrica de boa capacidade, bem isolada, sem emendas. Um acessório adicional pode ser um coletor de pó fixado junto à broca.

 

Nível: o olhômetro pode ser suficiente para preparar a fixação (especialmente se for sem furos) de quadros, prateleiras e outras peças que tenham apenas um ponto de apoio. Quando é necessário alinhar 2 ou mais furos, parafusos, fixadores adesivados ou outros acessórios, a precisão das ferramentas torna-se uma grande aliada. É possível fazê-lo só com esquadro e trena, mas o nível facilita o traçado e a verificação. Profissionais da fixação podem ter razão para preferir a comodidade de um nível traçador a laser, mas a maioria de nós resolve bem o problema usando um nível tradicional, de bolha, acompanhado de acessórios que dependem da ocasião: um fio de prumo, um esquadro, uma trena ou um lápis de carpinteiro.

 

Trena: por falar em olhômetro, a trena é indispensável na hora de medir ambientes e mobília. Eu tenho e uso bastante uma trena ultrasônica com mira a laser, mas o que ela me acrescenta é só praticidade, pois não tenho necessidade de medir nada que uma trena comum não resolva, e há diversas medições (por exemplo, de curvas) que o modelo eletrônico não faz. Para estas eu tenho um modelo tradicional da Tramontina de 5 metros, com trava, escala em centímetros e polegadas, e marcação em destaque nos decímetros.

 

Martelo: Eu aboli a inclusão de novos pregos na minha casa. Mas os que existem, muitas vezes precisam ser removidos, reinseridos ou, por qualquer razão, martelados. Esta é a razão de eu ter um pequeno martelo com unha, que serve tanto para arrancar quanto para, literalmente, martelar.

 

 
Chave de cano: esta é a ferramenta que eu menos gosto de usar. Quando uso, geralmente é um indicativo de que algum problema já ocorreu e exigiu minha intervenção. De qualquer forma, trata-se da ferramenta certa na hora de conectar e desconectar boa parte dos itens da rede hidráulica da casa.

Complementos:

  • Acessórios: fusíveis, lanterna, extensão, escada, estilete, pinça, tesoura, um bom canivete, estojo (com pregos, parafusos, buchas, porcas & arruelas), amarradores de cabos, lápis de carpinteiro, bancada, torno, grampos, adesivos, rotulador, fita isolante, fita de vedação, silver tape, conectores, cabos, testadores de corrente, etc., etc. – e mais antisséptico, esparadrapo, gaze e band-aid, em um recipiente separado e hermético, se o uso da caixa de ferramentas for externo – afinal, por mais habilidoso que você seja, acidentes acontecem!
  • Tudo o que ficou fora da lista: e é muita coisa! Eu não uso serras, por exemplo. Nem ferramentas de jardinagem. Mas conto com vocês para complementar nos comentários quais os itens que consideram indispensáveis e eu ignorei, ou esqueci ;-)

Claro que a lista de itens indispensáveis varia de pessoa para pessoa. Eu dispenso completamente as serras, por exemplo, mas para outras pessoas elas podem ser essenciais. E uma ferramenta adicional pode ser o número de telefone de um profissional que disponha das ferramentas e habilidades que lhe faltarem!

Minha caixa de ferramentas inclui bem mais itens do que os mencionados acima, mas ao invés de listar todos eles, preferi escolher os que considero essenciais, e agora conto com vocês para enriquecer a listagem com seus comentários!

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Vale a pena fazer concurso público para uma cidade distante?

Convivo diariamente com pessoas que fizeram concursos públicos para locais distantes de suas origens, abrindo mão das suas raízes familiares e do conforto de morar em local conhecido, em prol de vantagens como a estabilidade no emprego ou o salário mais elevado do que conseguiria obter na iniciativa privada local.

Em muitos casos a situação é amplificada pelo fato de o concurso ser nacional, com pouco controle (por parte do candidato) até mesmo do estado em que será lotado, caso aprovado.

Para muitas pessoas, as vantagens compensam a distância e o possível desconforto causado pela diferença de costumes ou até mesmo de desenvolvimento regional. Outras têm facilidade de se adaptar e gostam da mudança, ou têm a felicidade de acabar indo atuar em um local que seria de sua preferência, mesmo em outras circunstâncias.

Mas há os casos de exceção: aquelas que acabam embarcando em um mundo de frustrações e insatisfação por estarem num local em que não desejariam, muitas vezes realizando atividades muito diferentes daquelas que sonharam, ou se prepararam, ou teriam potencial.

Para estas, um vencimento inicial de R$ 8.000,00 no contracheque não compensa itens como:

  • a distância da família,
  • a distância e ausência de contato com seus superiores hierárquicos e com a cadeia de decisões de seu órgão,
  • a impossibilidade de encontrar no mercado local itens comuns, como um iogurte ou a sua fruta predileta,
  • a impossibilidade de encontrar moradia no padrão desejado,
  • a necessidade de interromper o ciclo normal de seu desenvolvimento acadêmico,
  • a chegada das revistas semanais com 6 dias de atraso,
  • a Internet discada,
  • a distância de horas, por transporte incerto, até o centro de saúde mais próximo.

Claro que há infinitos motivos e níveis de gradação entre as extremidades da escala de satisfação. Pessoas que se motivam pela acolhida que recebem da população local. Pessoas que sentem saudade do litoral, ou da serra, ou do frio, ou do calor. Pessoas que não têm condições de levar a família consigo, por qualquer razão. Pessoas que descobrem novos interesses em sua carreira. Pessoas que encontram condições de trabalho que, ao invés de desafiar pela dificuldade, desmotivam pela impossibilidade. E muito mais.

Felizmente muitas pessoas conseguem se motivar e atuar em todas as condições acima, encontram sempre o lado positivo e ainda constróem uma vida produtiva e criativa para si e para os seus, mesmo quando o contracheque parece não compensar as circunstâncias.

Minha experiência pessoal neste sentido é muito positiva, embora nada extrema: passei em um concurso público federal (para pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações) ainda na década de 1990, o que me levou a mudar de cidade (algo a que resisti muito) e acabou mudando minha vida e carreira de muitas maneiras – até mesmo me levando a buscar a graduação em Administração, e não na área de TI, como seria o desenvolvimento natural se as coisas tivessem mantido seu rumo original. Não fiquei muito tempo no emprego para o qual passei naquele concurso, mas quando saí de lá, minha vida já era outra.

E é deste tipo de experiências e expectativas positivas que o artigo “Mudar de cidade por estabilidade e salário vale a pena, dizem aprovados“, publicado recentemente pelo G1, trata.

Nestes tempos bicudos em que aumenta a valorização da expectativa de estabilidade trazida pelos concursos públicos, este tipo de consideração pode ser muito interessante, ainda mais quando se considera que na maioria dos casos, as principais possibilidades de remoção ou transferência só podem surgir após completar o segundo (ou o terceiro) ano em sua lotação inicial.

Separei um trecho que, embora não seja brilhante na expressão de sua opinião generalizada sobre a temperatura e praias da região Sul, é bem ilustrativo:

Para Fábio Gonçalves, diretor executivo do curso preparatório Academia do Concurso, antes de mais nada o candidato deve questionar se a remuneração vale a pena.

“Muitas pessoas moram com a família ou em casa própria e têm vários benefícios na cidade de origem. Quando passam em um concurso e vão para a outra cidade, percebem que, com os novos gastos, terão um poder aquisitivo menor. Por isso, é muito importante fazer as contas, Às vezes, vale mais a pena continuar se preparando para um concurso mais próximo”, diz.

Ele afirma ainda que mesmo se a remuneração valer a pena é importante ter certeza de que vai conseguir viver bem longe da família e dos amigos.

“Se for um concurso com várias opções de localidade, é melhor escolher uma localidade que o candidato goste. Se ele gosta de praia e sol e não se adapta ao frio, não seria uma boa opção concorrer a cidades do Sul do país, por exemplo”.

Ele recomenda a quem está disposto a exercer o cargo público longe de casa que opte para concursos da área fiscal para nível superior e para os de tribunal para nível médio devido às altas remunerações.

Leia também: Concurso: 12 dicas testadas e aprovadas para passar.

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Como identificar – e administrar – as tarefas invisíveis que acabam com o seu tempo

Na produtividade pessoal e na organização doméstica, as tarefas invisíveis são grandes inimigas dos prazos e da qualidade de tudo o que se planeja fazer.

Quem sabe como os shows de mágica funcionam e mesmo assim continua gostando deles, há muito não tem dúvida de que a invisibilidade, mesmo que não seja verdadeira, pode parecer muito real. E em geral ela é produzida com o auxílio de técnicas que se baseiam na nossa própria predisposição a ignorar o quadro geral quando prestamos atenção a algo que nos interessa – no caso, o jogo de cena que o mágico faz para que não vejamos o que realmente está acontecendo.

Com nossas atividades diárias, especialmente as rotineiras, muitas vezes acontece algo muito parecido: determinadas tarefas ocupam boa parte do nosso tempo e mesmo assim nós não as percebemos, a ponto de planejar nossos cronogramas como se elas não existissem.

Estas tarefas invisíveis ficam no nosso caminho dia após dia, e geralmente precisam mesmo ser feitas. O problema é que, como não as percebemos nem reconhecemos como sendo tarefas, nós não as administramos, e elas acabam sendo obstáculos da produtividade por várias razões, das quais destaco as principais:

  1. Como não as reconhecemos, não tentamos torná-las mais eficientes.
  2. Como não as identificamos, não as levamos em conta na hora de planejar o cronograma das demais tarefas.
  3. Como elas precisam mesmo ser realizadas, acabam prejudicando prazos e qualidade das demais tarefas.

Um exemplo clássico, citado em diversas obras sobre produtividade pessoal, são as atividades de comunicação, como retornar ligações e responder a e-mails. Quase todo mundo precisa fazer isso diariamente em sua vida profissional, mas mesmo assim muitas pessoas habitualmente agendam 100% do seu tempo para outras atividades, e depois acabam se surpreendendo quando não dá tempo de fazer tudo o que precisam. Aí atribuem pura e simplesmente ao excesso de atividades, embora uma boa parcela da culpa seja pela ausência do reconhecimento prévio de todas as demandas existentes.

Outro exemplo comum é a necessidade de realizar atividades bancárias. A não ser que você tenha a felicidade de poder delegá-las a alguém, é praticamente inescapável a eventual demanda por dedicar algum tempo a consultar extratos, fazer transferências, pagamentos e outras tarefas bancárias comuns. Felizmente hoje temos postos de atendimento com horário ampliado e a comodidade do home banking via Internet, mas mesmo assim, todos os dias, muitas pessoas perdem o horário limite para realizar pagamentos e transferências, e acabam tendo transtornos (ou até mesmo o horror dos horrores, que é a necessidade de ir até uma agência do banco emissor do boleto, devido ao vencimento) porque… não agendaram a tarefa, tornando-a invisível, imune a priorizações e outras formas de garantir que ela seja feita no prazo.

A mesma coisa ocorre no lar. Quando se planeja algum projeto doméstico de médio prazo, é comum agir como se as atividades aparentemente menos nobres do dia-a-dia (como passar roupa, limpar a geladeira, varrer a casa ou ir ao supermercado) fossem opcionais, ocupassem pouco tempo a ponto de serem desprezadas no cálculo, ou fossem comprimíveis. Depois o cronograma falha, é claro – não dá de abrir mão impunemente, e por longos períodos, das atividades domésticas essenciais.

Planejando a solução

Claro que tudo isso tem solução, começando a partir de um bom levantamento e reconhecimento das tarefas. Se você não tem certeza de como usa o seu tempo, experimente registrar por uma semana, e aí descubra a média, máximo e mínimo de atividades como responder a telefonemas e e-mails, pagamentos bancários, passar roupas, etc.

O próximo passo é uma escolha. Coloque cada uma das tarefas no paredão, e responda a si mesmo se ela precisa, de fato, ser realizada. Se sim, verifique se a periodicidade está adequada – às vezes repetimos uma tarefa com mais frequência do que seria necessário, sem notar.

Para completar, se estiver ao seu alcance, dê um acabamento luxuoso, delegando a mais alguém uma parte das tarefas identificadas. Esta comodidade não está ao alcance de todos, mas quando está, eventualmente é bastante apropriada a estas tarefas corriqueiras.

Depois de repensar seus cronogramas, é provável que você não ganhe tempo adicional para seu dia-a-dia. Mas ganhará efetividade, e reduzirá o stress, porque deixará de errar nas estimativas de tempo disponível para agendar e priorizar tarefas, e não mais vai acumular atividades causadas pelo agendamento tornado impossível pelas tarefas invisíveis.

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