Currículo sem experiência

Fazer seu currículo se torna um desafio maior quando você ainda não tem experiência profissional. Como fazer o currículo quando não se tem muito a relatar?

Mas todos os dias, milhares de pessoas passam pelo mesmo desafio - sejam elas recém-formadas, ou mesmo sem muita escolaridade, mas em busca de um início de carreira profissional ou de uma guinada em sua vida.

As oportunidades de trabalho sem experiência são poucas, mas existem, a exemplo das vagas de emprego temporário típicas dos períodos de final de ano e temporadas turísticas.

E mesmo quem não tem experiência pode se virar um pouco para ter o que dizer no currículo, desde participação em ONGs e associações comunitárias até a realização de cursos (muitas vezes gratuitos) relacionados diretamente à ocupação desejada, em entidades como o SENAI, SESI, SESC ou SEBRAE, entre muitas outras.

Nosso artigo anterior "Emprego sem experiência? Existe solução" apresenta uma série de atitudes que podem ajudar quem planeja seu início de carreira a se destacar das demais pessoas na mesma situação, quando chegar a sua hora de tentar garantir uma vaga ou ser chamado para uma entrevista. Já o artigo "Emprego: como voltar ao mercado de trabalho" dá as dicas a quem está buscando um retorno após algum tempo parado, ou uma mudança de mercado.

Currículo sem experiência

E esta semana o G1 enriqueceu o conjunto de dicas, entrevistando alguns profissionais da área, para saber deles o que valorizam em currículos de candidatos sem experiência profissional.

O importante, como já afirmamos em vários artigos anteriores (veja os links ao final deste texto) é lembrar sempre que a função primordial do currículo não é garantir o emprego, mas apenas levar o candidato ao próximo passo do processo de seleção, geralmente representado pela entrevista.

Para Adriano Arruda, diretor-geral de uma empresa da área, "os recém–formados, que não têm experiências para mostrar, devem valorizar a formação. No caso de graduados, devem mostrar a formação universitária, os cursos feitos durante a graduação e o estágio, caso tenha sido realizado."

Já para Renata Garrido, consultora sênior de outra empresa desta especialidade, "o candidato deve mostrar o que fez durante a universidade, como projetos e trabalhos, descrever como eles foram feitos e ressaltar as notas altas."

"Atividades voluntárias também podem ser citadas, além de outros cursos, como idiomas e informática. O mesmo deve ser feito por quem não é graduado, como por exemplo, projetos desenvolvidos dentro da escola e cursos extracurriculares. Essas experiências mostram a dinâmica da pessoa, se ela é interessada, como ela estrutura seu trabalho, como busca seu próprio desenvolvimento".

Cuidado com o auto-elogio "solto"

Eu costumo sugerir a remoção daquele texto introdutório tão comum, em que o candidato diz que tem iniciativa, espírito de liderança, dinamismo, boa vontade, garra, sede de crescer, trabalha bem em equipe. Sem fatos ou dados que sustentem a afirmação, trata-se de um clichê tão comum, que pode até mesmo pesar contra você, ou no mínimo ocupar espaço que poderia ser melhor preenchido com algum detalhe relevante.

Mas todas estas características podem ser mencionadas explicitamente quando conectadas a algum ponto de sua experiência acadêmica ou mesmo profissional, ou para-profissional. Por exemplo: "Demonstrou liderança ao conduzir a coleta de fundos que permitiu a abertura da sede do grêmio estudantil do colégio XYZ". Note que uma atividade puramente colegial pode assim virar um ponto a seu favor, que os outros candidatos com a mesma experiência acadêmica e profissional eventualmente não terão - é o chamado diferencial, e pode significar um pequeno impulso na direção da entrevista.

A consultora Renata Garrido concorda, e também recomenda ao candidatos: "não façam auto-elogios no currículo, colocando frases como "tenho espírito de liderança", "tenho determinação", entre outras. Isso pode ser feito apenas na descrição das atividades dos cargos. "O candidato pode dizer: 'mostrei determinação para executar tal projeto'", afirma."

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