Archive for September, 2007

Motivação: O desafio de liderar equipes com pessoas desinteressadas

O integrante desinteressado ou permanentemente desmotivado é um desafio comum nas organizações voluntárias e sem fins lucrativos, mas também está presente nas empresas, na sala de aula e até no seu grupo de estudos. Como lidar com ele sem removê-lo da equação?

Seria tudo mais fácil se você pudesse clicar com o botão direito na sua equipe, selecionar a opção “Incrementar motivação”, e pronto. Mas a motivação é um processo, não um evento isolado. É conseqüência, e não causa. A sua ausência pode vir de problemas conjunturais, estruturais, de infra-estrutura, de processos, e até mesmo de liderança em si.

Algumas razões comuns para a perda da motivação do membro da equipe são a falta de reconhecimento, de conhecimento dos objetivos da atividade que realiza, de uma perspectiva de progressão no futuro, os processos mal estruturados, a inadequação das métricas às características da equipe, e a inépcia dos superiores hierárquicos.

E foi na prevenção deste último fator - nos casos em que o superior hierárquico reune o interesse e as condições - que o leitor Felipe Suzin se concentrou ao elaborar seu breve artigo, que publico abaixo. Obrigado, Felipe!

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As vantagens de usar um caderno para registrar suas anotações

O site do D*I*Y Planner publicou um interessante artigo, de autoria de Dave Terry, explicando o seu sistema pessoal de tomar notas usando um caderno comum. Dave passou por diversas tentativas mais tecnológicas antes de se fixar no papel, e está mais do que convencido de ter feito uma boa escolha.

Eu acredito que não existe um sistema de anotações que seja perfeito para toda a população do planeta, e estou freqüentemente mudando meus próprios métodos. Hoje carrego basicamente um Moleskine Reporter e um Treo, e anoto tudo em um dos dois, sem adotar um formato fixo.

Mas formatos fixos podem ajudar a tornar mais úteis as suas anotações, como já vimos no artigo anterior “Transformando um caderno comum em uma agenda de compromissos personalizada“. E é um formato fixo a grande estrela do artigo de Dave Terry, intitulado “The Advantages of Keeping an Analog Work Journal“, como veremos a seguir.

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Produtividade pessoal: dê um reboot no seu cérebro com uma caminhada

Quem realiza trabalhos intelectuais ou criativos acaba se defrontando com situações em que o cérebro empaca e nada mais é produzido.

Uma grande armadilha neste tipo de situação é dar ouvidos ao canto da sereia das esponjas de criatividade: ligar a TV, abrir o comunicador instantâneo, navegar a esmo na Internet, ou jogar on-line. Se você faz isso, acabará percebendo que perdeu várias horas e mesmo assim a sua mente não voltou a operar.

Keep walking, diz a propaganda de whisky. O artigo “Take a Walk That Will Reboot Your Brain” fala sobre um truque que eu costumo usar: se o cérebro trava, eu levanto e vou dar uma volta.

Se estou no trabalho, às vezes é suficiente encontrar alguma pendência (simples!) na agenda que tenha que ser resolvida fora da minha sala - preferencialmente fora do meu andar. Conversar com outras pessoas, ver cenários diferentes e se ocupar com algum outro problema pode ser mais do que o suficiente para depois poder voltar e encarar a sua situação original por outro ângulo.

Se o stress é maior, e se você tem este tipo de liberdade, aí pode valer a pena usar o velho truque da padaria. Sair para um lanche rápido, um café fora do prédio, uma visita à banca de jornais para ver qual revista falou sobre o Efetividade esta semana ;-), qualquer coisa que dê ao cérebro a possibilidade de mover o seu problema para a área de swap por algum tempo, dando aos seus neurônios uma folga.

Quando estou em casa e trabalhando para mim mesmo, às vezes faço um pouco diferente: uso a procrastinação produtiva. Aproveito a situação de travamento mental para fazer uma pausa de 1h e ir ao supermercado comprar a lista de produtos de limpeza pendentes, devolver algum livro na biblioteca ou entregar algum pacote no correio (quando eles não estão em greve…)

Quando retorno, em geral o travamento passou, o problema voltou a ser atingível, e às vezes o subconsciente até já surgiu com alguma nova solução que antes seria impossível de perceber.

O artigo do Lifehacker dá 3 dicas para quem resolve dar uma volta para se livrar do travamento mental:

  1. Não leve carga - esqueça a mochila, agenda e pasta, leve no máximo papel e caneta no bolso para anotar alguma idéia perdida.
  2. Escolha um caminho diferente, em uma área conhecida.
  3. Faça pausas. No banco da praça, na padaria, na livraria, na casa de uma amiga…

Cinco minutos de passeio descompromissado podem ser tudo o que você precisa, mas às vezes são um luxo inacessível. Se você puder, aproveite!

Você começa o dia pela tarefa mais difícil?

Às vezes o meu dia de trabalho vai ficando cada vez mais estressante, e eu não percebo a razão imediatamente. No momento em que a ficha cai, tudo fica claro: tenho uma pendência importante e complicada, e estou deixando a danada para o final da fila.

Pode ser um telefonema que eu preferiria não fazer, um relatório que preciso escrever com dados que não serão fáceis de obter, ou alguma tarefa chata como limpar a geladeira. A pendência já foi identificada, talvez até anotada, não poderá ser deixada para amanhã, e mesmo assim eu percebo que estou adiando.

A solução para salvar o resto do dia é simples: mover esta tarefa para o início da fila. Depois que eu faço isso, e a resolvo, estou livre, e a partir daí é como se o resto da agenda ficasse simples e acessível.

No começo do dia é mais fácil fazer isto, porque em geral é o principal momento em que você faz uma escolha consciente sobre qual a ordem que irá dar às suas atividades. Se engolir o sapo vai ser inevitável, o melhor é livrar-se desta tarefa logo de uma vez, adotando - quando possível - o posicionamento Marta Suplicy durante ela.

A literatura sobre produtividade pessoal tem conselhos conflitantes sobre isto: alguns autores recomendam iniciar pela tarefa mais importante, outros sugerem começar pela tarefa inadiável mais indesejada ou difícil, e outros ainda sugerem começar por tarefas fáceis e rápidas, para “ganhar impulso” e se motivar.

Você precisa escolher a que mais se adapta ao seu estilo, ou mesmo saber escolher o que fazer a cada caso. Isso também é Efetividade ;-)

Sem tempo pra nada? Uma planilha para avaliar como você usa seu tempo

“Parece que o Natal foi ontem e já estamos caminhando para o final de ano de novo. Essa frase, campeã das conversas vapt-vupt de elevador (ou de sinais fechados), existe desde que o mundo é mundo. A impressão de que o tempo voa persiste desde que o homem começou a pensar no sentido da vida. No início da era cristã, o filósofo Sêneca (7 a.C.-65 d.C.), na obra Sobre a Brevidade da Vida, dizia que “finalmente, constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela [a vida] já passou por nós sem que tivéssemos percebido”. “Foge o irrecuperável tempo”, dizia o poeta latino Virgílio (70-19 a.C.).”

O parágrafo acima é de um artigo da Mariana Sgarioni, publicado na edição 57 da revista Vida Simples, sobre a sensação de que as coisas passam muito rápido, e como é possível tirar proveito destes tempos de correria

E foi neste sentido que o Osvaldo Santana Neto enviou para nós todos a contribuição abaixo:

Adquiri um ótimo livro que fala sobre a epidemia da falta de tempo. O livro se chama “Sem Tempo pra Nada” de Edward M. Hallowell (Ed. Nova Fronteira) que é muito bom. Neste livro o autor, que é psiquiatra, demonstra que a vida agitada de hoje pode levar as pessoas a desenvolverem sintomas de DDA (especialidade do autor).

O título original do livro é “Crazy Busy” e o seu texto foi citado em um artigo da revista Época Negócios do mês de Julho em um artigo que fala sobre executivos workaholic que levam o trabalho pra casa (graças aos Blackberry).

No livro existe um exercício que consiste em fazer um “orçamento” do uso de seu tempo para detectar tarefas consumidoras de tempo e que não necessariamente à satisfação do indivíduo.

Eu automatizei a planilha que vem no livro, usando o OpenOffice. Usar é bastante simples. Você dá notas de 1 a 5 nas colunas de “Fator de Esforço”, “Fator de Gratificação” e “Fator Necessidade / Coisa Certa a Fazer”.

A planilha calcula o “Fator de Valor” que dá uma nota que irá variar entre 1 e 125. Se esse valor ficar abaixo de 5 significa que a tarefa deve ser “eliminada” da sua rotina pois ela é uma das tarefas que te consome tempo demais sem nenhum benefício.

A planilha tem formatação condicional, logo, ela marca com as cores vermelho (crítico), amarelo (atenção!), normal e verde (faça mais disso!). As células com fundo cinza contêm fórmulas e não devem ser preenchidas manualmente.

Bom, agora eu acho que já está mais claro como ela funciona :) Obviamente o livro detalha e fundamenta cada um desses fatores, mas aí eu recomendo a leitura do mesmo :)

Obrigado, Osvaldo! Volto a recorrer ao texto da Vida Simples, que faz referência ao autor do livro acima: “Forçar o vinho a envelhecer depressa, as árvores a crescerem rápido, apressar um chute na bola, forçar o amor a vir mais cedo, o amanhã a chegar hoje. Gostamos de andar rápido e vencer a corrida. O problema é que perdemos a grande vitória da desaceleração a ser conquistada”, diz o psiquiatra americano Edward M. Hallowell. Se a idéia é aproveitar o tempo, sossegue. Você vai viver mais do que seus avós ­ a expectativa de vida do brasileiro cresceu mais de 8 anos nos últimos 23 anos. Se o homem vive mais tempo, o tempo não precisa lhe faltar.

E o livro (”Sem Tempo pra Nada, Edward Hallowell, Nova Fronteira, 2007) parece mesmo um achado. Já encomendei o meu, e quero descobrir se ele cumpre a proposta de “nos ajudar a tirar o melhor deste ritmo de vida frenético e quase insano.”